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    Medicina da floresta


    Vila de Paricatuba abriga plantas com propriedades medicinais

    Em entrevista ao EM TEMPO, o pesquisador e especialista no estudo de plantas medicinais, Moacir Biondo, fala sobre os recursos que podem ser encontradas em um dos pontos turísticos mais visitados do Amazonas

    Conheça algumas dessas plantas podem ser encontradas com facilidade na Vila de Paricatuba | Foto: Islânia Lima

    Paricatuba (AM) - A maior floresta do mundo, a Amazônia, é o abrigo de diversas espécies de animais e plantas. Cientistas estimam que um terço das espécies existentes no planeta se reproduzem dentro dos 4,1 milhões de km² de floresta. A Amazônia abriga 2.500 espécies de árvores (um terço da madeira tropical do planeta) e 30 mil das 100 mil espécies de plantas que existem em toda a América Latina.

    O conhecimento sobre plantas encontradas na Amazônia é até hoje o recurso terapêutico de muitas comunidades e grupos étnicos. Dessa forma, usuários de plantas medicinais de todo o mundo, mantém a prática do consumo de fitoterápicos, tornando válidas informações terapêuticas que foram sendo acumuladas durante séculos. Algumas dessas plantas podem ser encontradas com facilidade em um pequeno espaço turístico a 12 quilômetros de Manaus, na Vila de Paricatuba, ponto turístico próximo ao município de Iranduba.

    A Vila do Paricatuba é um local cercado por árvores centenárias e tem as paredes cobertas de trepadeiras que criam desenhos inusitados. O espaço recebe esse nome por já ter tido uma grande quantidade de paricás, uma árvore da família das fabáceas, utilizada pelos indígenas em rituais religiosos. “Paricatuba é uma alusão a utilização do paricá nos rituais xamânicos feitos na região”, explica o pesquisador e especialista no estudo de plantas medicinais, Moacir Biondo

     

    Moacir Biondo é um médico que vive no Amazonas e possui pesquisas sobre plantas das região
    Moacir Biondo é um médico que vive no Amazonas e possui pesquisas sobre plantas das região | Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

    Biondo, conhece muito bem o local. Em uma única visita ele já encontrou mais de dez plantas que podem ser utilizadas para o uso medicinal. “A terra da Vila de Paricatuba não é tão especial. Na verdade, onde você andar pela Amazônia é possível encontrar plantas medicinais, mas como é um local muito visitado, essas plantas medicinais encontradas na vila são elementos que enriquecem a visita ao local”.

     Plantas encontradas na região

    O pesquisador Moacir Biondo conta que a região possui diversas plantas, muitas que podem ser utilizadas como propriedades medicinais. Confira alguma delas:

    Apuí (Ficus Sp)

     

    Em torno das ruínas é possível encontrar várias raízes de apuizeiro
    Em torno das ruínas é possível encontrar várias raízes de apuizeiro | Foto: Divulgação

    Fruto vindo do apuizeiro, a planta é facilmente vista ao visitar as ruínas da vila de paricatuba. “Na verdade se formou uma floresta de apuizeiro em cima das ruínas. É uma planta do gênero Ficus, que gera um fruto parecido com o figo, muito comida por passarinhos, o que ajuda a planta a se espalhar”.

    Possui raízes muito grandes que saem da região de cima das ruínas e tocam o solo. “É de suas raízes que podem ser colhidas o leite do apuí, a parte medicinal. O leite é um látex branco obtido com cortes na sua raiz que servem para tratar torções, luxações e até fratura, quando manuseada em forma de compressa com um pano limpo”, explica Biondo

     Alfavaca de Cobra (Monniera trifólia)

     

    Monniera trifólia, conhecida popularmente como Alfavaca de cobra
    Monniera trifólia, conhecida popularmente como Alfavaca de cobra | Foto: Reprodução/Esfera dourada

    Facilmente encontrada no entorno da Vila do Paricatuba por possuir um cheiro característico, a Alfavaca de Cobra (Monniera Trifolha) é uma planta que indica que o solo é fértil. Ela possui esse nome por provocar uma ação sudorífica (que faz a pessoa suar), como explica Biondo. “O chá dela é usado no combate de acidentes ofídicos, ou seja, na desintoxicação em casos de envenenamento por animais peçonhentos. Quem consome o chá dela ganha mais tempo se envenenado por cobra e ele faz a pessoa suar bastante. Ela não é um antídoto, mas ela é um auxiliar importante em emergências”

     Jambolão (Syzygium cumini)

     

    Jambolão gera um fruto roxo, conhecido como azeitona preta
    Jambolão gera um fruto roxo, conhecido como azeitona preta | Foto: Divulgação

    Conhecida também como azeitoneira popularmente na região, é uma árvore onde tudo nela pode ser aproveitado. “Seu fruto tem as mesmas propriedades da uva roxa, um poderoso antioxidante, ajudando a retardar o processo de envelhecimento. Da casca do seu tronco e da folha é possível fazer um chá que ajuda no controle da glicemia. O chá da folha é também anti-inflamatório e antialérgico. O caroço da semente é ainda mais forte neste controle. Tem outras utilidades também como em casos de disenteria e corrimento nas mulheres”.

     Japecanga (Smilax Japecanga)

     

    Japecanga
    Japecanga | Foto: Reprodução/ Daniel Carvalho Gonçalves

    Planta que está ameaçada de ser extinta, a japecanga pode ser encontrada na Vila do Paricatuba. Precisa ser manuseada com cautela pois possui espinhos que podem provocar inflamação. “A raiz dessa planta que tem a parte medicinal. Tem um efeito depurativo do sangue ao ser consumido o chá de sua raiz, eliminando todos os ácidos e inflamações que porventura estejam circulando na corrente sanguínea. Com esse efeito ela elimina as dores, principalmente as dores reumáticas”.

     Jatobá (Hymenaea sp)

     

    Jatobá possui propriedades terapêuticas importantes
    Jatobá possui propriedades terapêuticas importantes | Foto: Divulgação/Ascom São Paulo

    O uso do jatobá na medicina tradicional é muito famoso no tratamento de doenças bronco-respiratórias, como a tosse, a bronquite, a asma e a pneumonia. Da base da casca ou dos seus frutos podem ser feitos chás e xaropes.

    “É a planta principal da minha farmacopeia. Tem um potencial terapêutico muito importante em problemas broncos-respiratórios, tosse, bronquite, asma. Auxilia na recuperação da pneumonia, da tuberculose. Está sendo utilizado em pessoas sequeladas da covid-19 também. Ela é um bronco dilatador, anti-inflamatório", explica.

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