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    CULTURA


    Eco Festival do Peixe-Boi de Novo Airão se reinventa na pandemia

    Festival surgiu em 1989 e é considerado o mais relevante do município amazonense

    Festival do Peixe-boi surgiu em 1989 por iniciativa popular em Novo Airão | Foto: Divulgação

    Novo Airão - O Eco Festival do Peixe-Boi, que surgiu em 1989, no município de Novo Airão (a 180 quilômetros de Manaus), teve que se reinventar por causa da pandemia da Covid-19. Realizado anualmente no mês de dezembro, o evento foi adaptado e está ocorrendo por meio de apresentações virtuais desde o ano passado.

    O festival é considerado o mais relevante para a cidade e tem como destaque as apresentações das agremiações Peixe-boi Anavilhanas e Peixe-boi do Jaú, nomes em homenagem às maiores reservas ecológicas da região, Estação Ecológica de Anavilhanas e Parque Nacional do Jaú. Tem como principal objetivo destacar a importância da preservação do meio ambiente no município.

    Antes da pandemia, o Eco Festival atraía diversos visitantes para a cidade e movimentava os movimentos artísticos durante todo o ano. Criado há 32 anos, por iniciativa popular, ele traz visibilidade para o peixe-boi, mamífero que faz parte da fauna local, mas que se encontra entre os animais em risco de extinção por conta da ação do homem.

    Eventos virtuais

     

    Antes da pandemia, o Eco Festival atraía diversos visitantes para a cidade e movimentava os movimentos artísticos
    Antes da pandemia, o Eco Festival atraía diversos visitantes para a cidade e movimentava os movimentos artísticos | Foto: Divulgação

    A agremiação Anavilhanas realizará uma apresentação virtual dia 3 de julho, a partir das 20h, por meio do Facebook (facebook.com/anavilhanasmeupeixeboi), onde apresentará os novos itens do Peixe-boi Anavilhanas. Mesmo tendo dificuldades, o grupo espera movimentar os torcedores. “Estamos totalmente paralisados sem conseguir realizar nenhuma atividade, mas graças a Deus com o apoio da prefeitura do município, através da Lei Aldir Blanc, iremos movimentar nossa nação verde branco na nossa live de 2021 ‘Berço da Preservação’”, disse o vice-presidente da agremiação, Pablo Arthur.

    As duas agremiações vêm buscando mecanismos para continuar com o evento e manter a torcida envolvida mesmo durante a pandemia.

    “Tivemos que nos reinventar e trabalhar em novos projetos que se adéquem a este momento que estamos passando, ninguém estava preparado para essa situação, fomos pegos de surpresa e ficamos parados totalmente nesse período”, disse a presidente da agremiação do Peixe-boi Jaú, professora Lúcia Passos.

     

    Festival tem como destaque as apresentações das agremiações Peixe-boi Anavilhanas e Peixe-boi do Jaú
    Festival tem como destaque as apresentações das agremiações Peixe-boi Anavilhanas e Peixe-boi do Jaú | Foto: Divulgação

    O artista plástico do Peixe-boi Jaú, Iomar Cardoso, lembra da importância do festival para cidade e lamenta as paralisações.

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    Muitos podem dizer é só uma festa, mas não é só uma festa, muitos trabalham e esperam todos os anos o momento para ajudar financeiramente os profissionais de dança, músicos, costureiras, artistas plásticos, roteiristas, entre outros. Continuaremos tendo esperança que essa fase ruim passe logo para retomarmos nossas vidas e fazer o que tanto gostamos, que é viver nossa Cultura! "

    Iomar Cardoso, artista plástico do Peixe-boi Jaú

    O diretor de arte do Peixe-boi Anavilhanas, Thyago Cavalcante, diz que muitos profissionais estão passando dificuldade por causa da paralisação. “Nosso festival não é só mais uma festa, mas é um momento onde todos esperam para aumentar sua renda, as agremiações geram emprego e renda para vários pais de famílias. Para os artistas é o compromisso de ajudar financeiramente suas vidas, profissionais da música, dança, costura, artistas plástico e outros que esperam este momento. Seguimos na esperança de dias melhores e que possamos voltar nossas atividades”, afirmou.

    Apesar das dificuldades, as agremiações realizaram duas apresentações virtuais, entre 2020 e 2021, após receber recursos da Lei Aldir Blanc, ajuda emergencial ao setor cultural durante a pandemia. A classe artística espera que, com o aumento no número de pessoas imunizadas no Amazonas, possa realizar o evento cultural presencialmente quanto antes.

    Preservação

    As canções, encenações e lendas apresentadas no evento apontam para a necessidade de proteger o meio ambiente da Amazônia, além de preservar as belezas naturais de Novo Airão, área conhecida por ser morada dos Botos Cor-de-Rosa e Terra do Peixe-boi.

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