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    Denúncias


    Manaus registra mais de 9 mil casos de violência doméstica só em 2021

    Apesar da ligeira queda do número de denúncias em relação ao ano passado, os registros ainda são preocupantes, e superam com folga os números do período pré-pandêmico

     

    A queda em relação aos casos de 2020 foi de apenas 6%
    A queda em relação aos casos de 2020 foi de apenas 6% | Foto: Reprodução

    MANAUS (AM) - O número de casos de violência doméstica registrados na capital do Amazonas no primeiro semestre deste ano chegou a 9.634, representando uma leve queda de 6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM). Na época, em meio às medidas de isolamento social para evitar o contágio da Covid-19, foram contabilizados 10.312 casos.

      Apesar da ligeira queda, os registros ainda são preocupantes e superam com folga as denúncias do período pré-pandêmico. Em 2019, por exemplo, foram contabilizados 7.494 casos de violência doméstica.  

    De acordo com a delegada Débora Mafra, responsável pela Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM), medidas como o confinamento social, estabelecido durante vários meses da pandemia, escancararam o problema da violência doméstica. 

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    O agressor que já maltratava a mulher, passou a ter mais tempo para isso, com o agravante de violar os direitos da companheira por questões relacionadas à própria pandemia, como o fato de não poder sair de casa, a perda do emprego ou a falta de dinheiro "

    , disse a delegada.

     

    Segundo a delegada, também é comum encontrar casos de filhos que agridem as próprias mães. “Além da violência dos maridos e namorados, que são os principais agressores, tivemos muitos casos de filhos atacando as mães por causa de drogas e ex-companheiros que não respeitavam o confinamento e passavam a brigar com as mães para ver as crianças, agredindo-as fisicamente”, explicou.

    Rompendo o ciclo da violência doméstica

    Apesar de ser um número preocupante, Débora Mafra destaca que as mulheres estão mais confiantes no amparo da Lei Maria da Penha, como também nos serviços da Delegacia da Mulher e nas iniciativas de combate à violência doméstica.

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    Houve um aumento no número de vítimas que passaram a denunciar mais os relacionamentos abusivos, fazendo que se elevasse o número de casos, o que é positivo, pois mais mulheres estão conseguindo sair do ciclo da violência doméstica "

    , explicou

     

    Por outro lado, a delegada explica que ainda há uma série de motivos que ainda são entraves para punir os autores de crimes contra as mulheres.

    "Infelizmente, ainda há muitas vítimas com receio em realizar a denúncia, por manterem vínculos com o agressor, como filhos, patrimônio, além disso, em muitos casos, ela depende financeiramente dele. Outros fatores também são o vínculo emocional, medo do agressor e vergonha de expor e de se identificar como vítima de violência doméstica", finalizou a delegada.

    Violência doméstica pode terminar em morte

    Cercado de expectativas, o dia 3 de maio de 2021 seria a data que marcaria o início da diarista Verônica Sena dos Santos, de 37 anos, em seu novo emprego, mas não deu tempo. Dois dias antes, ela foi esfaqueada 12 vezes pelo próprio marido, Whilso de Carvalho Santana, 38. O crime foi cometido na casa onde eles moravam, localizada no beco José Antunes, Morro da Liberdade, Zona Sul de Manaus.

    Para o assassino, arrancar a vida da diarista não foi o bastante. Ele também tentou queimar o corpo da vítima, mas uma nuvem de fumaça surgiu sobre o imóvel, chamando a atenção dos vizinhos. A princípio, Whilso conseguiu fugir, mas a polícia o capturou e ele segue preso por feminicídio. 

    Verônica deixou três filhos jovens. 

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