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    Preocupação


    Doença da 'urina preta' afeta comércio de peixes nas feiras de Manaus

    Mesmo não apresentando números substanciais de notificações da doença, os consumidores manauaras sumiram das bancas de peixes da capital

     

    Itacoatiara é o epicentro do surto
    Itacoatiara é o epicentro do surto | Foto: Brayan Riker

    MANAUS (AM) - Os efeitos do surto da síndrome de Haff - conhecido como doença da “urina preta”- já refletem nas vendas de pescados em Manaus. Na principal feira pública da capital, a Manaus Moderna, localizada às margens do rio Negro, os comerciantes afirmam que as vendas de peixes caíram pela metade.

    Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), até ontem (31), já foram confirmados 44 casos da síndrome em seis municípios do estado. Itacoatiara é o epicentro do surto, e já contabilizou 34 notificações da doença, incluindo uma morte. Além disso, foram quatro casos em Silves, dois em Manaus, dois em Parintins, um em Caapiranga e um em Autazes.

    Mesmo não apresentando números substanciais de notificações da doença, os consumidores manauaras sumiram das bancas de peixes da capital. Com mais de 30 anos trabalhando com a venda de pescados na Manaus Moderna, o comerciante Rodrigo Pereira, de 44 anos, relata que a repercussão da síndrome derrubou a demanda.

    “Em mais de três décadas, não lembro de ter presenciado uma queda tão abrupta nas vendas. Em pouco mais de 10 dias, a gente estima que a nossa venda caiu em torno de 40% a 50%. É um número muito assustador, nem mesmo as promoções que estamos fazendo tem aumentado as vendas. Antes, se você viesse aqui por volta das 15h da tarde, já teríamos vendido todos os peixes do dia, mas agora está muito difícil”, afirma.

    O comerciante descarta que os peixes vendidos por ele possam comprometer a saúde de seus clientes. “Como disse, já são muitos anos de experiências, tenho clientes de longa data, e jamais recebi qualquer tipo de reclamação. A maioria dos casos são de Itacoatiara, acredito que deve ter sido algo que tenha ocorrido pontualmente por lá. Aqui em Manaus são apenas dois casos em um universo de mais de 2 milhões de pessoas, não vejo justificativa para tanto temor. Pelo contrário, acho que há muito mais casos de intoxicação alimentar com outros alimentos industrializados, que a população consome diariamente”, relata.

     

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    Questionado sobre o armazenamento dos peixes, Rodrigo Pereira alega que os peixes que comercializa são de municípios distantes da capital. “Os nossos pescados aqui da Manaus Moderna vem de Coari e Tefé, onde não há poluição”, finaliza.

    A equipe de reportagem tentou conversar com outros pescadores da Feira da Manaus Moderna, mas os pescadores preferiram não comentar o assunto. “Parece que quanto mais nós falamos, mais os nossos clientes somem”, se limitou a dizer um deles. 

    Doença rara e desconhecida

    Especialistas ouvidos pelo Em Tempo apontam que os casos de síndrome de Haff são considerados raros, e que uma das teorias sugere quando a doença geralmente aparece quando os alimentos são transportados e acondicionados inapropriadamente, ou quando há mudanças no ecossistemas. Além disso, a toxina não apresenta sabores e cheiros específicos, o que torna ainda mais complexa a sua percepção.

    Segundo a infectologista Ana Raquel Rodrigues, há uma variedade de fatores para que a doença se desenvolva. “Nem todos que se expõem ao agente infeccioso, neste caso é uma toxina, desenvolvem a doença. Isso depende da suscetibilidade individual, fatores genéticos, o momento do estado imunológico do paciente e do estado emocional. Isso pode variar, um desenvolver e outro não”.

    Os sintomas mais comuns, segundo a médica, são: dor e rigidez muscular, dormência e urina escura — semelhante à cor do café. Ela diz que não há um tratamento específico para a doença, por isso só é possível tratar os sintomas e que é importante procurar o médico o quanto antes.

    Além do tambaqui, outros estudos apontam que a doença foi causada após a ingestão de peixes como o olho-de-boi, badejo, pacu-manteiga, pirapitinga e arabaiana.

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