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    Paralisação


    Caminhoneiros do AM cobram redução de impostos e melhoria da BR-174

    Caminhoneiros também manifestaram apoio ao Governo Bolsonaro e ensaiaram interditar a BR-174, mas foram impedidos pela PRF

     

    A paralisação, nesta quinta-feira (9), no quilômetro 0, da BR-174
    A paralisação, nesta quinta-feira (9), no quilômetro 0, da BR-174 | Foto: Brayan Riker

    MANAUS (AM) - Caminhoneiros realizaram uma paralisação, nesta quinta-feira (9), no quilômetro 0, da BR-174, próximo à entrada da capital do Amazonas. Alinhados ao governo do presidente Jair Bolsonaro e sem o apoio de grandes associações e federações da categoria, os manifestantes pediram a redução de impostos estaduais, especialmente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a reestruturação da BR-174.

      Durante a paralisação, alguns caminhoneiros ensaiaram interditar a pista, mas acabaram desistindo, após a chegada de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O caminhoneiro Antônio Silva afirmou que os motoristas não conseguem mais conviver com impostos abusivos cobrados a trabalhadores do setor de transporte.  

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    A nossa pauta é pelo fim desses tributos estaduais absurdos que deixam os combustíveis mais caros, isso não é justo, porque nós trabalhamos tanto e ainda somos obrigados a pagar esses impostos altíssimos "

    , afirmou Silva.

     

    O caminhoneiro também demonstrou irritação com a presença da PRF no ponto em que ocorria a paralisação. "Essas viaturas aqui são para nos intimidar, eles [os agentes da PRF] se acham os donos da BR, e todo mundo tem medo de bloquear a pista e depois levar multas injustamente desses policiais. Eles deviam ser os primeiros a evitar que o país se torne comunista", finaliza.

     

    Os manifestantes tentaram negociar o bloqueio da rodovia com agentes da PRF
    Os manifestantes tentaram negociar o bloqueio da rodovia com agentes da PRF | Foto: Brayan Riker

    A reestruturação da BR-174 também foi uma das reivindicações dos motoristas. De acordo com o motorista Raimundo Sousa, o estado da rodovia federal tem se deteriorado rapidamente nos últimos meses, causando prejuízos materiais. 

    "O trecho a partir do quilômetro 100, passando Presidente Figueiredo, está horrível, uma buraqueira. Então pedimos que as nossas autoridades tenham a coragem de enfrentar esse problema, porque a economia depende e muito dessa rodovia. Ela é vital para a ida e vinda de mercadorias", disse Raimundo.

    BR-174 em estado precário

    Em reportagem realizada pelo EM TEMPO, em julho, usuários da rodovia já reclamavam das crateras encontradas na BR-174. Na época, motoristas ouvidos pela reportagem também relataram que os buracos causavam danos materiais e ofereciam riscos aos usuários que precisam, muitas vezes, reduzir bruscamente a velocidade para não cair em valas no meio da pista.

     

    Motoristas enfrentam buraqueira na BR-174
    Motoristas enfrentam buraqueira na BR-174 | Foto: Reprodução

    A rodovia é a única ligação pavimentada entre Manaus e outra capital do país, Boa Vista, em Roraima, e tem um fluxo intenso de veículos de grandes portes, que levam mercadorias do Amazonas para o extremo-norte do Brasil. Por ser uma BR, o Governo Federal é o responsável pela manutenção da estrada.

    Protestos

    Desde quarta-feira (8), caminhoneiros realizaram paralisações com interdições de estradas em, pelo menos, 16 estados do país. Na maioria das manifestações, os caminhoneiros também declaram apoio ao presidente Bolsonaro, e pediam a redução do ICMS, a volta do voto impresso - enterrado pela Câmara dos Deputados em agosto, e a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal - pauta considerada antidemocrática. 

    Ainda na noite de quarta, Bolsonaro enviou um áudio a apoiadores pedindo que as vias fossem liberadas, para evitar danos à economia do país e agravar a vida das pessoas mais pobres. 

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    Fala para os caminhoneiros que são nossos aliados que esses bloqueios atrapalham nossa economia. Isso provoca desabastecimento e inflação. Prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Dá um toque para os caras, para liberar, para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília, aqui, agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com outras autoridades, mas a gente vai fazer nossa parte e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? Aproveita e em, meu nome dá um abraço em todos os caminhoneiros "

    , disse o presidente.

     

    A autenticidade do áudio foi confirmada na mesma noite pelo ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. 

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