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    Altruísmo


    Solidariedade: doação de órgãos salva vidas no Amazonas

    No Dia Nacional da Doação de Órgãos, comemorado nesta segunda-feira (27), conheça a história de quem teve a vida salva por doadores

    Segundo o Ministério da Saúde, 90% dos transplantes no país são realizados pelo Sistema Único de Saúde | Foto: Reprodução

     

    Segundo o Ministério da Saúde, 90% dos transplantes no país são realizados pelo Sistema Único de Saúde
    Segundo o Ministério da Saúde, 90% dos transplantes no país são realizados pelo Sistema Único de Saúde | Foto: Reprodução

    MANAUS (AM) - Era início de 2015, quando Tabata Nepumuceno acreditava que o seu destino estava selado após desenvolver ascite e cirrose hepática - provocado pela evolução do quadro de hepatite B que adquiriu ainda na infância. Com sucessivas crises hemorrágicas que a faziam vomitar sangue, a vida da amazonense passou por uma reviravolta graças a um doador. Alguém que ela jamais poderá conhecer, mas que por um gesto de solidariedade indistinta, prolongou a sua vida.

    A história de Tabata, de 40 anos, e de seu doador desconhecido é um convite para refletir nesta segunda-feira (27), quando é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.  A data busca angariar adeptos e apoio a respeito da importância da doação de órgãos e tecidos, com o objetivo de fazer com que as trajetórias de pessoas como a Tabata possam continuar. 

     

    A amazonense Tabata Nepumuceno, 40, recebeu transplante de fígado aos 34 anos
    A amazonense Tabata Nepumuceno, 40, recebeu transplante de fígado aos 34 anos | Foto: Divulgação

    Em entrevista ao EM TEMPO, Tabata relembrou que os problemas que afetariam o seu fígado anos mais tarde iniciou aos 12 anos, quando ela contraiu a hebatite B. "Foi durante uma das viagens que fazíamos com o meu pai, pelo interior do Amazonas. Na verdade, foi eu e o meu irmão que pegamos, e como o sistema de saúde era bastante precário na época, fizemos o 'tratamento' com remédios caseiros mesmo", explicou.

    Já em 2014, quase duas décadas depois, a amazonense conta que trabalhava em uma empresa do Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus, quando passou mal, apresentando manchas na pele. Encaminhada a um hospital particular custeado pela empresa, ela passou por uma bateria de exames que diagnosticaram cirrose hepática e ascite, popularmente conhecida como "barriga d'água". 

    "

    Naquela ocasião, o médico do hospital privado foi bem sincero comigo, e afirmou que eu precisaria de um transplante, e pediu para que eu fosse à Fundação de Medicina Tropical, porque na rede pública eu teria mais chances de sobreviver. E quando fui à unidade, o médico que me atendeu explicou que eu estava com cerca de 95% do meu fígado comprometido "

    , detalha Tábata.

     

    Segundo o Ministério da Saúde, 90% dos transplantes no país são realizados pelo Sistema Único de Saúde. Existe uma legislação que regula todo o processo de doação, captação e transplantes de órgãos e tecidos.

    Em setembro de 2014, a equipe médica afirmou à Tabata que ela só suportaria poucos meses sem o transplante, caso contrário acabaria morrendo. Pouco tempo depois, já com uma série de complicações causadas pela disfunção do fígado, ela passava o dia inteiro deitada e sofria hemorragias frequentemente.

    "Fiquei muito ruim, passei cerca de um mês no hospital. Nesse período, entrei em coma, e os meus familiares chegaram a se despedir de mim. Mas acontece que acordei e fui melhorando até receber alta, foi aí que o cenário começou a mudar em minha vida", descreve.

    Já em agosto de 2015, Tabata receberia uma das melhores notícias da sua vida. "Lembro que meu irmão chegou em casa e disse que eu finalmente teria a chance de fazer o transplante. Nossa, nesse dia eu chorei tanto de felicidade e de alegria. Eu me 'despedi' dos meus filhos, e pedi que, se eu não voltasse, era para eles seguissem unidos e se amando", relembra.  

     

    Tabata após a cirurgia de transplante
    Tabata após a cirurgia de transplante | Foto: Divulgação

    No mesmo dia, a amazonense se internou no Hospital Adriano Jorge, na Zona Sul da capital, onde passou por todos os procedimentos antes da cirurgia. "Eu fui tão feliz da vida para aquele centro cirúrgico, que ninguém tem ideia. Estava muito tranquila, me deram o sedativo e a primeira coisa que falei quando acordei foi 'meu transplante foi um sucesso', pois na minha mente, se eu havia acordado, era porque havia ocorrido tudo bem". 

    "

    Eu tenho muita gratidão, alguém decidiu me amar, mesmo sem saber, e me devolveu a oportunidade de viver, e uma família por trás do meu doador respeitou a sua decisão, que eu queria muito ter a oportunidade de conhecer, mas existe um protocolo que não permite. Hoje estou com 40 anos, é como se eu tivesse 15. Apesar de ainda ter de tomar alguns medicamentos, sinto que o meu espírito rejuvenesceu completamente "

    , finaliza.

     

     

    A amazonense Tabata Nepumuceno chegou a ficar em coma
    A amazonense Tabata Nepumuceno chegou a ficar em coma | Foto: Reprodução

    Doadores no Amazonas

    Mesmo em meio à pandemia da covid-19, o Amazonas alcançou o primeiro lugar na região Norte na captação de órgãos ofertados à Central Nacional de Transplante (CNT) em 2020. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), foram realizadas 19 cirurgias de retirada de órgãos, fígado e rins doados, para transplante, o que representa um aumento de 58% em relação ao ano anterior. 

      O resultado total no ano foi positivo com o aumento nas coletas de fígado e rins. Em 2019, foram captados um fígado e 24 rins, já no ano passado o número saltou para 12 fígados e 34 rins captados.  

    O coordenador da Central de Transplantes do Amazonas, médico-cirurgião de transplante de fígado, Marcos Lins, explica que a sociedade deve se sensibilizar sobre o tema, para que as pessoas conversem com seus familiares sobre o desejo de doar os órgãos.

    “A importância das ações é para aumentar o número de doações e diminuir a quantidade de recusa familiar que é alta no estado. Um dos motivos para a negação da família em realizar a doação é o desconhecimento ou a falta de confirmação, em vida, do possível doador. Não tem transplante sem doação. São os dois braços. Se o amazonense está sendo transplantado em outros estados temos que contribuir com doação de órgãos também do Amazonas” afirmou o coordenador.

    Com as cirurgias de transplantes paralisadas há cerca de quatro anos no Amazonas, por problemas contratuais, Marcons Lins explica que procedimento para a substituição renal está em fase de credenciamento para realização em hospital da capital. Enquanto o transplante não é retomado no Amazonas, os pacientes são encaminhados para outros estados por meio do programa Tratamento Fora de Domicílio.

    Fila para transplante no Brasil

    Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Transplantes (ABTO) apontou que mais de 40 mil pessoas estão na fila de espera por um transplante em todo o país. O número é aproximadamente perto da capacidade máxima da Arena da Amazônia, a título de comparação.

    O EM TEMPO solicitou à SES os dados estaduais, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. 

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