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    Crise e Medo


    Feirantes da Manaus Moderna sentem no bolso queda nas vendas de peixes

    De acordo com eles, nas últimas semanas, o alimento tem até estragado pelo medo da população em consumir o alimento

     

    Queda no consumo impacta o bolso dos feirantes
    Queda no consumo impacta o bolso dos feirantes | Foto: Carlos Araújo

    Manaus (AM) – A queda no consumo de peixes como Pirapitinga, Pacu e Tambaqui, depois que vários casos de “Rabdomiólise”, também chamada de doença da “Urina Preta”, foram identificados no interior do Amazonas, tem impactado no bolso dos feirantes da Manaus Moderna, no Centro da capital amazonense.

    De acordo com eles, nas últimas semanas, o alimento estragou por conta da falta de venda e o medo da população no consumo.

     

    Alessandro Cacais, 47 anos, conta os prejuízos causados aos feirantes e pede socorro
    Alessandro Cacais, 47 anos, conta os prejuízos causados aos feirantes e pede socorro | Foto: Carlos Araújo

    “Os clientes não voltaram. Poucos são os que estão vindo comprar um peixe. Enquanto não tivermos uma resposta definitiva sobre o assunto, vamos ficar nesse colapso financeiro. Muitos feirantes estão em casa. A forma que isso foi colocado para o povo, noticiado, que foi falado isso para o povo, foi prejudicial e, quem paga, é o feirante”, disse Alessandro Cascais, 47 anos, que tem uma banca no local.

    Sem dinheiro no bolso, disse Alessandro, o jeito foi mandar os colaboradores para casa.

    “O que posso fazer, faço. Mando alimentos, ajudo com uma diária, mas está difícil, porque se a gente compra peixe e não vende, vai só gastando, gastando, o peixe vai ficando feio e vamos perdendo e o prejuízo aumentando", desabafa.

     

    Feirantes garantem que eles mesmos consomem o que vendem
    Feirantes garantem que eles mesmos consomem o que vendem | Foto: Carlos Araújo

    Um dos feirantes, identificado como “Marcelo”, também confirmou a crise que os trabalhadores estão passando pela queda nas vendas. Segundo ele, o mesmo peixe que vende é consumido por seus familiares, sem problemas.

    “Agora mesmo, eu e meus amigos que são feirantes, mandamos fritar um tambaqui para comer com o pessoal aqui. A gente come com as nossas famílias. Isso aí eu acho que é mentira. Devagarzinho o pessoal compra dois, três tambaquis e o peixe é sadio para todo mundo comer. Vamos comprar peixe”, afirmou.

    Comprar ou não?

    A questão dividiu opiniões. A dona de casa Floriana Maia, 45 anos, estava fazendo suas compras na feira da Manaus Moderna. Ela conta que, semanalmente, come peixes como tambaqui e, até agora, não teve problemas.

    “Nasci e me criei comendo peixe, pelo amor de Deus! Sou “caboca” do interior do Amazonas e nunca tinha visto uma coisa dessas. Falaram na televisão que estava dando essa doença, mas eu continuei comendo e estou aqui, 'vivinha' da Silva”, fala.

    “Parece a mesma onda que ocorreu com o Tucumã. Aconteceu algo isolado, todo mundo começou a rejeitar o tucumã, rejeitar, rejeitar. As pessoas ficam com muito medo e ainda aumentam mais. Pois, eu continuei comendo peixe e vou levar para casa, hoje”, disse o aposentado Francisco Magalhães, de 75 anos, que fazia compras no local.

    Já o estudante Edinaldo Mesquita, pensa diferente. “Quem vai me garantir que não vou pegar nada? O coronavírus estava lá na China e veio para cá! Quem me garante que eu não posso pegar esse negócio de 'Urina Preta'? Parece praga! Ultimamente, tudo acontece no Amazonas. Parei de comer peixe”, relata.

    Investigação

    Hoje, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), possui duas frentes de investigação para os casos de doença da “Urina Preta” no Amazonas, com secretarias estaduais, universidades e órgãos do Governo Federal.

    “Estamos agora com um infectologista da Fundação de Medicina Tropical e a coordenadora de investigação desse surto no município de Itacoatiara. Então, nós temos duas frentes de trabalho, uma delas, da Secretaria Estadual de Saúde com a Fundação de Vigilância em Saúde, para caracterizar esses casos e garantir o manejo clínico adequado, principalmente, desses pacientes que foram acometidos por rabdomiólise”, afirmou a diretora – presidente da FVS – RCP, Tatyana Amorim.

    Outro grupo, investiga a presença de toxinas nos peixes como a Universidade de Santa Catarina, que analisa o material coletado no Amazonas.

    “Esse grupo maior está analisando o ecossistema, o meio ambiente, para ver se tem algo na água, no plâncton, no fitoplâncton nas frutas que os peixes se alimentam, nos próprios peixes de associação de vida livre; tudo isso para entender e darmos uma resposta adequada. É uma investigação criteriosa, detalhada, mas assim que estivermos com as respostas, estaremos divulgando”, disse a diretora. 

    Sem restrições

    Sobre o medo da população em consumir o pescado, a Tatyana Amorim pontuou. “Tínhamos uma restrição no município de Itacoatiara, por conta de lá existir uma maior incidência do número de casos, mas tudo vai depender dos resultados da investigação. Se acharmos prudente suspender novamente, nós vamos alertar, mas, por enquanto, comam peixe de cativeiro e de vida livre. Não tem nenhuma restrição”, afirma.

     

    Sem vender, peixes acumulam e correm risco de estragar
    Sem vender, peixes acumulam e correm risco de estragar | Foto: Carlos Araújo

    Casos

    Ao todo, são 78 casos suspeitos da síndrome registrados, sendo 63 em processo de investigação e 15 descartados. Dos nove novos casos, cinco são de Itacoatiara, três de Manaus e um de Itapiranga.

    Do total de casos, dez pessoas estão internadas. Nove delas de Itacoatiara e uma de Itapiranga. Todos os pacientes estão em recuperação. 

    Acompanhe vídeo de peixes que estragaram na Manaus Moderna: 

    Capa do Vídeo
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    Acompanhe as lives na feira da Manaus Moderna com o repórter Carlos Araújo: 

    Feirantes da Manaus Moderna continuam a amargar prejuízos na venda de peixes após casos de Urina Preta no interior do Amazonas | Autor: Portal Em Tempo
     
    Movimentação da venda de peixes na Manaus Moderna e nota da FVS | Autor: Portal Em Tempo
     

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