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    Loja maçônica Esperança e Porvir 1


    Primeira Loja Maçônica do Amazonas completa 149 anos

    Fundada antes mesmo da construção do Teatro Amazonas, a Loja Esperança e Porvir, localizada no Centro de Manaus, fez parte de grandes acontecimentos da história do Estado

    A sede foi construída pelo general João do Rego Barros Falcão em 1872 | Foto: Brayan Riker

    MANAUS (AM) -  Fundada antes mesmo da construção do Teatro Amazonas, a Loja Esperança e Porvir nº 1 completa, nesta quarta-feira (6), 149 anos de história. O prédio, construído em 1872, está localizado no centro histórico da capital, na rua Bernardo Ramos, Zona Centro-Sul de Manaus. Primeira loja maçônica do Estado, o local é destinado a reuniões e eventos da sociedade discreta.

    Para o Sereníssimo Grão-Mestre Marcelo Barbosa Peixoto, a criação da Loja Esperança e Porvir nº1 não representa apenas a Maçonaria Amazonense, que deu origem a uma história na capital, mas a saga de lutas pela Maçonaria Universal. "Durante estes anos, os nossos  membros se dedicaram pela obra, em prol da humanidade e comunhão entre nossos irmãos e familiares, além da luta incessante aos mais necessitados. O nome escolhido pelos nossos irmãos há 149 anos, já dizia muito para os dias de hoje. Nossa primeira Loja Maçônica no Estado do Amazonas  tem a visão do futuro, tudo o que um Maçom sempre quer, Esperança e o que está porvir, nosso futuro", relatou.

      Segundo o Venerável Mestre Bruno Gimack Salgado, a sede foi construída pelo general João do Rego Barros Falcão, e nos anos seguintes, foi visitada por presidentes da república, como Floriano Peixoto e Marechal Deodoro da Fonseca.  

    "Mesmo antes da construção de uma loja em Manaus, os maçons já atuavam de forma extremamente enérgica para a implementação de medidas que visassem o desenvolvimento regional da Amazônia, isso está comprovado em documentos históricos", comenta Bruno.

    Gimack relembra um dos maiores legados conquistados pelos maçons da Loja Esperança e Porvir nº1: a luta pela abolição da escravatura. No dia 10 de Julho de 1884, o maçom Teodoreto Carlos de Faria Souto, que exercia o cargo de Governador da Província, assinou um documento que proibia a mão de obra escrava no território amazonense. Aquela é até hoje uma das decisões humanitárias mais importantes da história do Amazonas.

     

    O prédio fica localizado no Centro de Manaus
    O prédio fica localizado no Centro de Manaus | Foto: Brayan Riker

    "É inegável que vários maçons contribuíram para essa conquista, inclusive antes mesmo desta decisão ter sido oficializada, alguns membros da sociedade maçom compravam cartas de alforria para libertar escravos e dificultavam a entrada deste tipo de mão de obra no Amazonas", relata.

      Na sede da loja maçônica Esperança e Porvir ainda estão preservados alguns documentos e ilustrações de momentos históricos em que maçons tiveram participação na política.  

    Vários foram os maçons que se destacaram no movimento pró-abolição, entre eles estão Carlos Gavinho Viana, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, Antônio Dias dos Passos, Deocleciano Justo da Mata Barcelar, Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt, Maximiano José Roberto, Gentil Rodrigues de Souza, João Carlos Antony, Pedro Ayres Marinho, Antônio Hosannah de Oliveira, Francisco Público Ribeiro Bittencourt, Antônio Ponce de Leão e Antônio e Solimões, alforriado escravos. 

     

    Edição do 'Sopão da Esperança' promovido pela Loja
    Edição do 'Sopão da Esperança' promovido pela Loja | Foto: Brayan Riker

     Legado social

    O Venerável Mestre explica que a loja é marcada por atuações em projetos de ativismo social, que buscam contribuir para o desenvolvimento das famílias mais pobres do Amazonas. 

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    Nós temos o Natal da Criança Pobre, por exemplo, que foi criado há mais de 50 anos. Nesse projeto, os irmãos doam cestas de alimentos à famílias carentes no dia 25 de dezembro. Também temos o 'Sopão da Esperança', criado há mais de três anos, que atende mais de 200 famílias carentes do entorno da loja com uma refeição e fornece leite às crianças todas as quintas-feiras. "

    Bruno Gimack Salgado, Venerável Mestre

     

    Ideais da Revolução Francesa

    Bruno destaca que a filosofia maçônica prega ideais que influenciaram a Revolução Francesa: a liberdade, igualdade e fraternidade. "Buscamos combater e atenuar o sofrimento dos povos, sem distinção de cor, raça ou religião. Trabalhando pela felicidade do gênero humano, nos sentimos recompensados e realizados, pois servindo ao próximo, estamos vivendo de acordo com os ensinamentos da Sublime Instituição", finalizou.

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