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    Desmatamento


    Amazonas registra aumento de 350% na exploração de madeira

    Alta expressiva foi puxada por oito municípios do Sul do Estado, que representaram cerca de 80% da área desmatada do Amazonas nos últimos meses

     

    Em seis anos, oito municípios do AM passaram a produzir de 200 mil metros cúbicos para 700 mil
    Em seis anos, oito municípios do AM passaram a produzir de 200 mil metros cúbicos para 700 mil | Foto: Vicente Sampaio/Imaflora

    MANAUS (AM) - O Amazonas registrou um aumento preocupante de 350% na exploração de madeira entre os anos de 2013 e 2019. Os dados foram divulgados em um Boletim Timberflow, elaborado pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

    O aumento foi puxado expressivamente pelos municípios do sul do estado. Pesquisadores apontam que há uma migração da atividade madeireira a três regiões da Amazônia: o sudeste do Amazonas, o oeste do Pará e o extremo noroeste do Mato Grosso. 

      Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), oito municípios localizados ao sul do estado registraram um aumento explosivo em atividades ligadas à extração de madeira. Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Humaitá, Canutama, Apuí, Boca do Acre e Tapauá passaram a produzir de aproximadamente 200 mil metros cúbicos, há oito anos, para cerca de 700 mil metros cúbicos em 2019.  

    Ainda de acordo com o Inpe, esses oito municípios, embora representem apenas 24% do território do Amazonas, haviam desmatado desde o ano anterior (agosto de 2019 a julho de 2020) cerca de 118 mil hectares, o equivalente a 80% da taxa estadual neste mesmo período.

    O processo de expansão do mercado madeireiro na Amazônia não é uma novidade e já tem sido apontado por outros boletins do Imaflora, entretanto, a especulação em torno da pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, em Rondônia, aliado ao desmonte do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), promovido pelo Governo Bolsonaro, tem agravado ainda mais o mercado irregular de extração de madeira na área.

    No último mês, por exemplo, dados parciais de uma pesquisa idealizada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) apontaram que, em 2020, ocorreu um acréscimo de 13% na quantidade de quilômetros de pequenas estradas irregulares abertas em uma região da BR-319 conhecida como "trecho do meio". Só no ano passado, 410 quilômetros de pequenos corredores terrestres também foram criados na área.

    Por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro cortou em 35,5% o orçamento previsto para o Ministério do Meio Ambiente neste ano. Com menos dinheiro em caixa, o setor de fiscalização ambiental está perto de se tornar inviável no país.

    Exploração sustentável

    Apesar dos números preocupantes,  Marco Lentini, engenheiro florestal e um dos autores do estudo da Imaflora, afirma que o Amazonas possui plenas condições para estabilizar as fronteiras madeireiras no estado e acolher uma indústria desse setor robusta e sustentável em níveis de produção muito superiores aos atuais.

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    Uma das primeiras medidas urgentes a serem tomadas, não apenas para evitar a destruição da floresta, mas até para melhorar o clima de negócios do setor florestal, é o investimento e a adoção de medidas de coibição da exploração ilegal, especialmente em um momento de fragilização das ações de comando, controle e fiscalização em todo a Amazônia "

    , explica.

     

    Marco também ressaltou que, mais do que nunca, é importante fortalecer as capacidades de organização social e de formalização de associações e cooperativas, de modo que previna seus territórios do assédio da exploração ilegal e grilagem, além de reorganizar a economia da região Sul do Estado.

    "Outra recomendação é a discussão a respeito do aprimoramento e modernização do parque industrial madeireiro do sul do Amazonas, evitando, por exemplo, que a madeira gerada nesta região seja continuamente enviada sem processamento", finalizou o pesquisador. 

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