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    Crise humanitária


    Garimpeiros alastram crises em terra indígena da Amazônia

    Assassinatos, surto de malária e ameaças constantes têm aterrorizado o povo Yanomami. Nesta quinta (18), uma indígena de apenas 3 anos morreu vítima da malária

     

    O território ocupa áreas do Amazonas e Roraima
    O território ocupa áreas do Amazonas e Roraima | Foto: Reprodução

    MANAUS (AM) - No norte da Amazônia, entre o Amazonas e Roraima, a maior reserva indígena do Brasil vive dias dramáticos. O território Yanomami, com cerca de 192 mil quilômetros quadrados, que abriga 370 comunidades com mais de 28 mil indígenas, tem sido alvo de ataques sistemáticos de garimpeiros, contaminação das águas, malária e com as constantes retiradas da cobertura vegetal.

    O desmatamento ocasionado pelo garimpo provoca sérios riscos de saúde para o povo, principalmente com a disseminação da malária, como conta o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Antônio Galvan.

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    Esse desmatamento tem se concentrado, de fato, ao longo dos rios e tem uma série de consequências e problemas de saúde pública que podem acontecer por conta dessa atividade ilegal, como a contaminação de pescados e da própria água, além da proliferação da malária "

    diz o pesquisador.,

     

    Ataques de garimpeiros

    Conforme as denúncias do Hutukara Associação Yanomami, os ataques de garimpeiros contra as aldeias Yanomami iniciaram no dia 10 de maio, com intimidações e tiros. Um dos ataques mais agressivos ocorreu dois dias depois do primeiro, quando garimpeiros que comandavam mais de 40 embarcações atiraram massivamente contra a aldeia Palimiu.

    Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), as autoridades precisam se mobilizar, urgentemente, contra os atos violentos cujos alvos são os Yanomamis, considerado um massacre em andamento. Além dos problemas indiretos ocasionados pela interferência do garimpo à terra indígena.

    “A atividade garimpeira agrava os impactos da pandemia de covid-19 no território, uma vez que os garimpeiros são vetores da doença, e sua presença implica em tensão, conflitos e danos psicológicos. Isso, sem falar dos surtos de malária, da falta de assistência médica e insegurança alimentar que pesam sobre a vida das comunidades Yanomami”, disse a Apib em comunicado recente.  

    Os conflitos ocorrem na medida em que o garimpo avança na região. Segundo o relatório "Cicatrizes na Floresta - Evolução do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami (TIY) em 2020", de janeiro a dezembro de 2020 o garimpo cresceu 30% na área.

    Surto de malária 

    Com a atividade garimpeira contaminando as águas e o solo das terras Yanomami, há como consequência a ocorrência do aumento de doenças como a malária. Em três meses, cinco indígenas yanomami morreram em decorrência da doença, sendo a última uma criança de 3 anos, da comunidade Xaruna. A morte ocorreu nesta quinta-feira (18).

    De acordo com ativista Luciano Pohl, as mortes por malária poderiam ser evitadas, já que é uma doença fácil de se tratar.

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    A malária que é uma doença facilmente controlável, tem remédio e tem tudo para ser controlada, basta ter gente e vontade, mas a gente não vê isso acontecer. O Estado está ausente, incapaz e inoperante "

    relatou Pohl,

     

    STF

    O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quarta-feira (17), que o governo do presidente Jair Bolsonaro preste esclarecimentos em até cinco dias sobre a situação do povo yanomami. A ordem ocorreu após o partido Rede Sustentabilidade acionar a corte pedindo que o governo federal seja obrigado a adotar as medidas necessárias para garantir a proteção da vida, da saúde e da segurança da população indígena.

    Funai

    Em nota, a Fundação Nacional do Índio (Funai) afirmou que coordena diversas ações de proteção aos indígenas em Roraima. Que investiu quase R$ 3 milhões em ações de fiscalização desde o início da pandemia. E que vai distribuir mais de 19 mil cestas básicas nas aldeias.

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