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    Especial Consciência Negra


    Conheça personalidades negras que marcaram a história do Amazonas

    O ex-governador Eduardo Ribeiro, por exemplo, é considerado até hoje um dos maiores gestores que ocuparam o mais alto cargo do poder executivo estadual

     

    Eduardo Ribeiro morreu aos 38 anos
    Eduardo Ribeiro morreu aos 38 anos | Foto: Reprodução

    MANAUS (AM) - O Dia da Consciência Negra, celebrado neste sábado (20), fomenta debates e reflexões sobre as populações negras no Brasil e suas lutas para acabar com o racismo. O líder quilombola Zumbi dos Palmares, por exemplo, é um dos maiores símbolos da luta dos negros contra a escravidão no pas.  No Amazonas, diferentes personalidades também marcaram a história da região, em diferentes épocas. Confira:

    Eduardo Ribeiro

    Um dos mais notórios governadores da história do Amazonas, o tenente Eduardo Gonçalves Ribeiro nasceu no dia 18 de setembro de 1862, no Maranhão. Seus governos foram marcados pela finalização da construção do Teatro Amazonas, como também por outras obras em Manaus, entre elas: o Palácio da Justiça, a Ponte de Ferro Benjamin Constant, o Reservatório do Mocó e abertura de vias diversas.

      Ao longo de sua trajetória, ocupou a cadeira do governo por duas vezes, a primeira ocorreu no dia 2 de novembro de 1890 e se estendeu até o dia 5 de maio de 1891. Já o seu segundo mandato iniciou no dia 27 de fevereiro de 1892 e terminou no dia 23 de julho de 1896, como explica o historiador Daniel Sales.  

     

    Eduardo Ribeiro governou o Amazonas em duas ocasiões
    Eduardo Ribeiro governou o Amazonas em duas ocasiões | Foto: Reprodução

    “Virou governador, pela segunda vez, após clamor popular de funcionários públicos que se revoltaram contra o governo de Gregório Thaumaturgo. Essa revolta deu-se em 14 de janeiro de 1892”, diz o historiador. Então, o governo federal ordenou que Eduardo retornasse para Manaus e assumisse o governo do estado.

    Eduardo Ribeiro morreu no dia 14 de outubro de 1900, aos 38 anos. “Supostamente assassinado, em seu sítio, onde hoje é o hospital psiquiátrico, que leva o seu nome. Foi encontrado morto, sentado, com uma corda próxima ao corpo”, conta o historiador Sales. Por seus feitos no estado acabou sendo homenageado, dando o nome a uma das principais avenidas da capital amazonense a avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus.

    Dona Zuzu

    A amazonense Zuíla Serra nasceu no dia 14 de setembro de 1930, no Boulevard Amazonas. Com ocupações que eram fora do padrão convencional imposto para as mulheres, quando era mais jovem,  ela foi uma das figuras marcantes na década de 40, por gostar de jogar futebol com os homens, desafiando os conservadores da época.

     

    Dona Zuzu, aos 18 anos, em 1948
    Dona Zuzu, aos 18 anos, em 1948 | Foto:


    Neta de escravos alforriados, que chegaram no bairro do Mocó no final do século XIX, em 1891, Zuzu também gostava de brincar no Bumbá Mina de Ouro. “Conheceu a famosa Joana Papagaio, "Mãe Joana", da Dança do Papagaio e também do Batuque”, diz o historiador.

    Zuíla também teve contato com o ex-governador Álvaro Botelho Maia, o qual ela dizia que "Era um homem muito educado".

    Dona Zuzu também foi baiana das escolas: "A Voz da Liberdade", "Mixta do Boulevard" e "Sem Compromisso e Estação Primeira do Boulevard". Já em 2018, foi homenageada com o enredo da "Sem Compromisso", sua escola de samba.

     

    Dona Zuzu, nasceu no Amazonas em 1930
    Dona Zuzu, nasceu no Amazonas em 1930 | Foto: Reprodução


    Tia Anita

    Belarmina Lucena Orgando, apelidada de tia Anita, nasceu em Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, em outubro de 1878. Aos 10 anos, presenciou a libertação oficial dos escravos, que ocorreu no dia 13 de maio de 1888, oficializada pela Lei Áurea, durante o Brasil império. Já aos 11, viu a Proclamação da República.

    Tia Anita era uma mulher negra e foi moradora de Manaus e teve notória participação em missões religiosas desde o início do século XX.

    "

    Participava de missões religiosas pelo interior do estado e Zona Rural de Manaus, durante décadas, junto à, também missionária, Júlia Batista, que era cearense "

    , diz o historiador Sales.

     

    Era popularmente conhecida também por cantar músicas como “Feijão, feijão, feijão/ Feijão com carne seca/Quem tá no posto agora/É Teodoro da Fonseca”. Como também por sua atividade como contadora de histórias que reunia um grupo de pessoas que parava para ouvi-la. Tia Anita morreu os 100 anos, em 1978.

     

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    Dominico Borges

    Conhecido como o melhor futebolista do antigo Euterpe Footbal Club, Dominico Borges era um verdadeiro craque. O time foi o primeiro e único do Brasil a ser formado apenas por jogadores negros.

    “Naquela época isso era raro. O futebol, esporte fundado pelos ingleses, e que em Manaus também tinha time formado só por eles, como o Manaus Athletic, bicampeão amazonense em 1914/1915, era primordialmente esporte de brancos”, conta o historiador.

    Dominico Borges era a sensação do time popularmente conhecido Dragão Negro, que usava as cores verde e branco no fardamento.

     

    O Euterpe Footbal Club reunido
    O Euterpe Footbal Club reunido | Foto: Reprodução

    Tia Lurdinha

    Maria de Lurdes Fonseca, conhecida como tia Lurdinha, foi uma sacerdotisa católica de São Benedito, e teve uma trajetória marcante em duas escolas de samba de Manaus: a Mixta da Praça 14 de Janeiro e da Vitória Régia.

    Sendo uma figura bastante conhecida no bairro da Praça 14 de Janeiro, Zona Sul da capital. Após sua morte em 2003, foi homenageada no enredo da escola de samba Vitória Régia.

    “Anos após a sua morte, seu local de vida tornou-se reconhecido oficialmente como Quilombo de São Benedito ou do 'Barranco', na Rua Japurá quase esquina com Visconde de Porto Alegre. Esse Quilombo urbano, na época da sua fundação, em 1890, era de cunho rural”, diz o historiador. 

     

    Maria de Lurdes Fonseca, apelidada de tia Lurdinha
    Maria de Lurdes Fonseca, apelidada de tia Lurdinha | Foto: Reprodução


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