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    Garimpo ilegal


    Centenas de garimpeiros ilegais "invadem" o Rio Madeira no Amazonas

    A chegada das dragas assustou os moradores da região e preocupa ambientalistas

     

    A ação foi denunciada por ativistas ambientais
    A ação foi denunciada por ativistas ambientais | Foto: Reprodução

    AUTAZES (AM) - Em pleno no Dia do Rio, comemorado nesta quarta-feira (24), imagens de centenas de balsas de garimpeiros ilegais aglomeradas em um trecho do Rio Madeira, em Autazes (a 120 quilômetros de Manaus) causaram perplexidade e temor em ativistas ambientais. 

      Segundo a organização não governamental Greenpeace Brasil, a chegada das embarcações iniciou há duas semanas, após o surgimento da informação de que há a presença de ouro no local.  

    O flagrante descaso ambiental acende um alerta sobre os diversos riscos que estão por vir como a poluição dos rios. Em agosto deste ano, a Justiça Federal condenou o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) a anular as licenças concedidas irregularmente para as atividades de extração de ouro no leito do Rio Madeira, em área de mais de 37 mil hectares, na região sul do Amazonas. Com isso, toda a atividade garimpeira antes amparada por licenças irregulares deve seguir paralisada.

    Danicley de Aguiar, integrante da Greenpeace Brasil, afirmou que as imagens representam uma “vergonha nacional”. “O que estamos vendo é o desenrolar de um crime ocorrendo à luz do dia, sem o menor constrangimento. Isso tudo, óbvio, é referendado pelo presidente Bolsonaro, que dá licença política e moral para que os garimpeiros ajam dessa maneira, fragilizando a fiscalização ambiental”, afirmou o porta-voz.

    As centenas de balsas, empurradores e dragas enfileirados no Rio Madeira estão perto da Comunidade de Rosarinho, e também assustam os moradores da região, que temem a deflagração de conflitos, além da poluição das águas. O mercúrio, por exemplo, é uma substância bastante utilizada pelos garimpeiros, e provoca a contaminação de peixes e o risco de envenenamento de quem deles se alimenta, incluindo os seres humanos. A intoxicação por mercúrio pode causar sérios danos ao sistema neurológico.

    Além disso, as dragas usadas para remexer o fundo do rio em busca de minérios, principalmente o ouro, afeta profundamente o equilíbrio do rio. No caso do Madeira, as interferências em seus trechos podem ocasionar estragos ao ecossistema da Bacia Amazônica, pois várias espécies de peixes, como os bagres, migram para essa região, como conta a ambientalista Elisa Vambeli.

    "

    É um rio extremamente importante para manutenção da ecologia daquela região e extremamente importante para vida dos povos amazônida "

    , afirmou a ambientalista.

     

    Os malefícios do uso de dragas ocorrem, também, com a retirada do leito do rio por mangueiras que sugam uma carga de sedimentos que vão para a superfície das balsas para serem lavados e peneirados para a extração de minérios. Após esse processo, todo o volume de rejeitos que foi deslocado do fundo do rio é liberado nas águas.

    “Isso propicia um aumento de sedimento que causa um impacto grande em toda a cadeia de produtividade aquática desde, que acabam não tendo condições de sobreviver em uma água com quantidade tão grande de sedimentos em suspensão. Com isso acaba atingindo toda a importante cadeia de pesca do Amazonas, diminuindo a quantidade de peixes”, explica a ambientalista.

    Na tarde de quarta (24), o Ministério Público Federal (MPF) pediu a adoção emergencial de ação coordenada de repressão e desarticulação ao garimpo ilegal de ouro na calha do rio Madeira e afluentes, no prazo de 30 dias.

    Sem respostas

    Questionados pelo EM TEMPO, a Polícia Federal, a Marinha do Brasil e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) não responderam o que pretendem fazer para conter o avanço do garimpo ilegal na região.

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