Fonte: OpenWeather

    Preservação


    Projeto quer evitar extinção do boto cor-de-rosa no Amazonas

    A ação conta com monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)

     

    A espécie do boto cor-de-rosa é uma das mais ameaçadas da Amazônia
    A espécie do boto cor-de-rosa é uma das mais ameaçadas da Amazônia | Foto: Reprodução

    Presidente Figueiredo (AM) -  A espécie de botos cor-de-rosa, sem dúvidas, é uma das mais ameaçadas da Amazônia na categoria de mamíferos aquáticos, segundo um estudo elaborado pela Universidade de Dundee, no Reino Unido, e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que apontou que a população dos golfinhos de água doce pode ser reduzida em 95% em menos de 50 anos. Buscando impedir o fim de um dos maiores símbolos da Amazônia, um projeto desenvolvido por pesquisadores do “Mamíferos Aquáticos da Amazônia” quer contribuir com a conservação e procriação dos botos cor-de-rosa.

    A ameça não é de hoje, desde 2018 o animal entrou na categoria “em perigo de extinção” da “lista vermelha” da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Além disso, a Associação dos Amigos do Peixe-boi (AMPA) classificou os mamíferos como “Em Perigo”.

    Segundo dados da própria AMPA, até 7 mil botos eram mortos por ano no Amazonas, para serem utilizados como isca para a pesca da piracatinga, antes da moratória interministerial que teve o prazo estendido para mais um ano pela Secretaria de Aquicultura e Pesca.

    Por meio de uma população destes mamíferos no lago de Balbina, em Presidente Figueiredo (município distante 107 quilômetros de Manaus), a ação conta com monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e apoio da Petrobras. Os animais estão há 30 anos na região e tem seu comportamento analisado.

    Método

    Com o estudo das vocalizações dos botos cor-de-rosa é possível comparar com a população de mamíferos de fora do lago de Balbina e avaliar se o isolamento afetou suas estruturas comportamentais.

    O mais importante é que a união desses dados mostrará o grau de adaptabilidade deles, o que permite avaliar a sua conservação a médio e longo prazo. Nesse processo, são utilizados hidrofones e gravadores para observar os comportamentos do animal em relação à agressividade e sociabilidade.

    De acordo com a pesquisadora da AMPA, Sannie Brum, a região de Balbina se tornou um excelente laboratório para testar o projeto e a conservação dos botos cor-de-rosa.

    “Ela já tem cerca de 30 anos de construção e tem uma geração de botos que está naquela região. Hoje, considerada um grande desastre ambiental por ter alagado uma área imensa e ter gerado pouca quantidade de energia e, por isso, ela isolou uma população de botos, especificamente o vermelho ‘Inia geoffrensis’, só tem essa espécie de golfinho lá”, explica.

    O tempo ainda é curto para colher resultados a curto prazo, pois os 30 anos em que os animais ocupam a região representa apenas uma geração de botos.

    Como funciona?

    Dados biológicos como tecido, análise de contaminantes - para identificar ou não materiais pesados na água - e outros materiais biológicos foram coletados. Esse processo é fundamental para acompanhar a adaptação do boto cor-de-rosa. "Além de que é possível saber se os animais estão bem nutridos ou não pelo material de sangue, se está tudo adequado em questões de saúde direta dos indivíduos. Nos eventos de captura marcamos e damos códigos únicos para que possamos identificá-los no decorrer do tempo. Já foram duas expedições de captura e soltamos ele de volta na água. Esse tipo de informação nos ajuda a entender parâmetros de reprodução e sobrevivência, comparado com um ambiente natural como o médio Solimões. Porém, precisaremos de mais alguns anos para começarmos a ter os primeiros resultados", disse.

    Reprodução

    Mesmo assim, os pesquisadores sabem que os botos estão se reproduzindo. Nos anos de 2018 e 2019, foram realizadas estimativas populacionais nos animais existentes no lago de Balbina.

    "Para saber se é uma população que vai permanecer com o tempo naquela região. Os números ainda estão sendo apurados, mas não é uma população pequena, bem maior do que imaginávamos e parecem em adequadas de saúde. Parecem, por enquanto, ter se adaptado naquela área. A vocalização estamos observando e fazendo gravações neste ambiente para avaliar se o padrão é diferente de outros animais de fora, mas ainda são dados preliminares", disse Sannie Brum. 

    O projeto, além da pesquisadora, conta com a colaboração de vários outros profissionais pesquisadores, sob a coordenação do INPA.  

    Ameaça

    A importância da região ser um grande laboratório para avaliar os impactos na população de botos cor-de-rosa, pode ajudar a entender o comportamento destes animais e como ajudar na sobrevivência deles, em áreas que vem sendo construídas represas pela Amazônia.  

    Essa espécie é um dos maiores golfinhos de água doce do mundo, chegando até 2,5 metros de comprimento e 200 Kg de peso e vivem exclusivamente na região amazônica. Eles possuem vários tipos de emissões vocais e formas de comunicação. Até mesmo, sabem assobiar. 

    Leia mais: 

    Botos ameaçados de extinção podem ter sido mortos com arpões no AM

    Estudo comprova ocorrência de botos amazônicos em novas áreas no Amapá

    Extermínio: 7 mil botos são mortos na Amazônia todos os anos