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    Violência doméstica


    Sociedade ignora violência contra as mulheres, diz ativista

    Pouco mais de um mês após deixar a cadeia por ter espancado a esposa, Dj Ivis tem recebido apoio de diversos artistas, como João Gomes e Wesley Safadão

     

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    Manaus (AM) - Apesar de ter sido preso e indiciado por agredir a ex-mulher, o Dj Ivis segue com sua vida artística quase intacta. Poucas semanas após deixar a cadeia, ele tem obtido apoio de diversos artistas, além de receber convites para fazer shows. O caso apenas reflete o que acontece cotidianamente com tantas mulheres vítimas de violência: seus agressores saem impunes de seus crimes, tanto pela justiça quanto pela sociedade. 

      As imagens do Dj Ivis agredindo sua ex-mulher chocaram o país inteiro. O vídeo, filmado por uma câmera de segurança e divulgado em junho, mostrou o artista disparando diversos chutes, pontapés e socos na Pamella Holanda, ex-mulher do cantor. Tanto o filho do casal quanto a babá presenciaram o momento da agressão.  

    Nos últimos dias, não faltaram mensagens de apoio ao Dj. O cantor João Gomes, por exemplo, elogiou o colega. “Bom curtir perto de você… ver que está bem. Quantos motivos para agradecer já me deu. Que Deus lhe abençoe e cuide de todos seus planos. Ele tem algo especial reservado em sua vida ainda. Sua música é boa e faz alegria. É o que o povo precisa. Se cuide. Papai do céu abençoe”. 

    O post foi acompanhado de uma série de mensagens negativos, entre tantas outras positivas, entre as quais a do forrozeiro Wesley Safadão. “É mais uma do Dj!!”.

    Na noite do último sábado (6), DJ Ivis foi convidado a subir ao palco pelo cantor Tarcísio do Acordeon, durante uma apresentação no interior paulista. A recepção do público, no entanto, foi negativa. O Dj foi vaiado pelo público, que gritou “Ih, fora”. Segundo relatos, ele logo teria deixado o palco diante da reação hostil. 

     

    Dj foi vaiado pelo público
    Dj foi vaiado pelo público | Foto: Reprodução

    Para a militante que atua na União Brasileira de Mulheres (UBM) e na Frente Feminista da União Socialista da Juventude (UJS), Talia Raquel, o caso do DJ Ives é um exemplo claro de machismo estrutural que permite a impunidade dos agressores.

    “Mesmo que tenha provas de que uma mulher sofreu violência física e psicológica e que tudo foi gravado e mostrado para sociedade, ainda assim, não foi o suficiente para que um homem se tornasse culpado. A impunidade que esses homens recebem faz com que se sintam na segurança de ser agressivos com as mulheres”, diz Talia. 

      Recentemente, a capital do Amazonas também foi palco de um episódio de misoginia que causou forte repercussão, quando Rodrigo Fernandes fez apologia ao feminicídio de Eliza Samudio, ao se fantasiar de goleiro Bruno e carregar um saco de lixo com o nome “Eliza”, durante uma festa em uma casa de shows de Manaus. Juristas e internautas, especialmente as mulheres, classificaram o caso como “misoginia nojenta”.  

    A agressão por questão de gênero é tipificada como crime, conforme está previsto na Lei Maria da Penha, criada em 2006, que enquadrada como violência contra a mulher as ações que colocam em risco a integridade física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, como consta no capítulo II, art. 7º, inciso I, II, III, IV e V.

    Mesmo que na teoria a lei ampare a mulher, na prática, muitos agressores não são punidos. De acordo com o levantamento realizado por Sergio Barbosa, professor da Universidade Federal de São Paulo (USP), dos 3 mil casos de violência contra a mulher denunciados, apenas 3% deles resultaram em prisão.

    Para a Ativista Talia Raquel, o judiciário no Brasil falha em proteger mulheres vítimas de violência, sendo muitas vezes desacreditas.

    "

    A lei no Brasil ela está tão aquém do que deveria, como é o caso de vítimas que devem ter proteção do estado quando sofrem alguma algum tipo de violência, mas o que acontece é que são elas atacadas. A Maria Ferrer é um desses casos de alguém que tem provas e que já passou por muito constrangimento e ainda tem que sair como mentirosa "

    , Raquel.

     

    A importância da denúncia

    Segundo Débora Mafra, delegada da delegacia da mulher, a denúncia é uma das saídas para a diminuição do número de violência contra a mulher.  

    "Nós temos visto que muitas mulheres têm rompido o ciclo de violência doméstica, indo denunciar. Quando a gente fala que houve o aumento da violência doméstica, na verdade houve o aumento das denúncias, dessa forma encerrando a violência e o feminicídio. Então uma denúncia, em muitos casos, pode salvar a vida de uma mulher".

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