Fonte: OpenWeather

    Artigos


    A volta às aulas é um pesadelo de custo real

    Quem pensa que a volta às aulas é um pesadelo para os alunos, imagine os pais que foram abençoados com filhos em idade escolar. Nem terminaram de fazer as contas do “custo natal”, das férias escolares e já se deparam com as listas e cobranças de mensalidades de colégios particulares. Estamos falando das pessoas com rendimento acima da média. O pesadelo dos pais, com pouca renda e na mesma situação, é bem outro.

    O brasileiro – com renda acima da média – tem apenas dois meses no ano que pode chamar de seus. Cinco meses são abocanhados pela voracidade do leão, outro tanto pelo sustento básico da família. Os que se situam abaixo da média, consomem muito mais com o sustento básico e normalmente entram o ano devendo. O natal, as férias e o Carnaval consomem muito mais que o décimo terceiro salário. O cartão estourado leva a uma contenção de despesas que dura até junho.

    As listas de materiais em colégios particulares são uma dor de cabeça à parte. A maioria dos pais não consegue entender onde o filho gasta 500 folhas de papel ofício. O visível – o que o aluno traz até em casa, em forma de trabalhos – raramente chega a somar cem folhas. Se o papel higiênico e papel toalha constantes da lista têm a finalidade didática, isto é, a de ensinar à criança os cuidados com a higiene pessoal, merece aplausos. Mas, se for para diminuir o custo do material que é da administração direta da escola, por que a mensalidade?

    O mesmo se refere ao material de ornamentação que os colégios criaram a mania de transferir aos alunos. Balões, papel de parede e de presente fazem parte de uma lista que os pais não entendem. Todos sabem que os colégios e seus proprietários também estão incluídos entre os brasileiros que contribuem com dois quintos dos seus ganhos para o leão sem receber uma compensação clara. Contudo, em se tratando de estabelecimentos de ensino que sabem que educação não é apenas o que se oferece em sala de aula, espera-se uma transparência maior, para não ficar aquela impressão de se cobra uma mensalidade maior disfarçada em material escolar.

    A primeira regra básica da educação é a ética, que tem como filha primogênita a transparência. Se a direção de uma escola não usa de transparência para com seus mantenedores, o que esperar do currículo escolar? Os pais que contribuem com as mensalidades nas escolas privadas são os mesmos que teriam direito de reclamar um estudo público de qualidade para seus filhos. Com as escolas públicas em descrédito, esperam que pagando (mais uma vez) ter uma qualidade maior no seu relacionamento com a escola do filho.

    Muito se tem andado em direção a uma melhoria no ensino público e privado. Mesmo porque os pais de hoje tem muito mais tempo de banco escolar que os de antigamente. Contudo, as escolas não são as únicas responsáveis por desmandos, principalmente quando os pais as transformam em depósitos de crianças, sem se informarem corretamente da política do colégio do seu filho. Enfim, a educação dos cidadãos de amanhã é uma ação conjunta entre a família, a escola e sociedade.