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    Ninguém briga pela pobreza

    O que nos ensina a crise entre a Rússia e a Ucrânia? Antes de nos posicionarmos com um “deixa que briguem” devemos analisar os interesses internacionais na região.

    Embora a Ucrânia tenha uma contribuição na formação do povo brasileiro, notadamente com imigrantes vindos para o Paraná há 120 anos, o desconhecimento da região pelos brasileiros é quase total.

    O país fez parte da URSS durante os anos de chumbo e forneceu dois mandatários (Nikita Kruschev e Leonid Brejnev). Os mais famosos descendentes ou ucranianos no Brasil são Hector Babenco e Jaime Lerner, Clarice Lispector, José Mindlin e outros. Contudo, no mundo há famosos, como Steven Spielberg, Dustin Hoffman, Sigmund Freud que têm suas raízes por lá.


    Muitos não sabem o que seja Ucrânia, mas se lembram de Chernobyl, a cidade ucraniana desertificada pelo acidente nuclear em 1986. Também poucos sabem que a região é rica em petróleo e gás natural embora a população, a exemplo de tantos outros países onde o ouro negro é abundante, viva da agricultura de subsistência.

    Sua localização, por seu amplo acesso ao Mar Negro e ao resto do mundo, via Mediterrâneo é de grande importância estratégica.


    A Crimeia, ao sul da Ucrânia, é uma quase ilha que é formada por povo misto e suas características e tradições simplesmente foram esquecidas durante o tempo em que fez parte da URSS.

    Hoje há entre seus habitantes, os que gostariam e fazer parte da Rússia, os que gostariam de pertencer à Ucrânia e uma grande parte que quer simplesmente ser livre. A Ucrânia, juntamente com a Crimeia, quer fazer parte da Comunidade Europeia o que desagrada à Rússia que tem receio de perder o acesso às riquezas naturais da região.

    A Rússia que ainda é o maior fornecedor de energia para a Europa poderia ver seu vizinho lhe roubando o negócio.


    Por outro lado, qualquer ação mais violenta dos EUA, como muitos temem, poderia resultar num corte do fornecimento do gás por parte da Rússia deixando parte da rica União Europeia literalmente sem gás, para suas indústrias e o aquecimento da população. Tal ação poderia desencadear reações que fariam a Guerra do Iraque parecer briga de comadres.


    Assistimos comovidos aos jogos de inverno, em Sochi, com seu espetáculo de superação, esportes, luz e cores que nos fizeram esquecer o espírito beligerante dos russos e sua intolerância em serem desafiados por seus ex-dominados.

    Contudo, embora saibam promover espetáculos belíssimos, não podemos esquecer que, como seus demais irmãos na terra, também são gananciosos e podem usar métodos nada esportivos quando sua hegemonia está ameaçada.

    No final da segunda grande guerra, os alemães derrotados corriam para os braços dos ingleses, franceses ou americanos porque temiam a falta de humanidade dos russos.


    A Rússia assestou seu poderio bélico contra a Ucrânia. A notícia não recebeu destaque no Brasil ocupado pelo Carnaval. Torçamos para que a guerra não aconteça. Talvez por haver tantos interesses em jogo, a paz seja mantida por fins meramente comerciais. A guerra só acontece por ganância.

    Os sérvios e croatas, se trucidavam sem que os americanos ou russos se interessassem porque não havia petróleo envolvido. Por que aquele distante lugar nos preocupa? Porque lá tem riquezas em baixo da terra. Ninguém briga pela pobreza.