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    Do cavalheirismo à autonomia

     
    O machismo é um fenômeno perpetuado na história através do conceito do sistema patriarcal, em que consiste na figura do homem a centralização de decisões, regras, padrões, normas, condutas e mentalidades. E é na forma de pensar que se estabelece o machismo. As imposições do opressor e a submissão do oprimido. Mas muitas mulheres sustentam e mantêm o machismo.
    Enquanto houver diferenciações de educação entre meninos e meninas, censurar outra mulher por ela ter uma atitude mais sensual, mulheres acreditarem que dependem do homem para realizar determinadas atividades ou acharem que eles que devem pagar a conta, estão alicerçando o machismo. O cavalheirismo, por exemplo, é uma maneira sutil e disfarçada do machismo, pois é um conceito atrelado apenas aos homens. Todos devem ser gentis, cordatos, educados, cordiais e sociá­veis, comportamentos que devem permear homens e mulheres.
    O fato dos homens serem cavalheiros estava muito associado com o papel que ocupavam na sociedade. Fortes e soberanos deveriam ajudar as mulheres. Acontece que a gentileza não deve subjugar o outro. Todos precisam de ajuda e não quer dizer que um homem que ajuda uma mulher a trocar o pneu é melhor do que ela. Inclusive, mulheres independentes e autônomas já mostram que os homens são dispensáveis quando se trata de ações corriqueiras e que antes acentuavam a fragilidade feminina.
    O sexismo é o conjunto de ações que privilegia um sexo ou outro, ou seja, os gêneros se digladiam tentando manter-se onipotentes. A proposta é justamente contrária a este pensamento. Vivemos um momento social que requer cada vez mais igualdade entre os sexos e as pessoas precisam acreditar nisso. O tempo de servilismo das mulheres acabou da mesma maneira que o androcentrismo, ou seja, os privilégios masculinos não estão atrelados a um desmerecimento do lugar ocupado pelas mulheres.
    As mulheres cada vez mais vêm impondo seus padrões de beleza, atitudes, linguagem, influenciando os homens. Não querem só um homem cavalheiro, mas um companheiro que saiba ser gentil e aceite a gentileza delas. Que deem ajuda, mas saibam receber ajuda. Não existe superioridade ou soberba em uma relação amorosa.  Muitos homens não conseguem se doar ou romper paradigmas por ainda se considerarem hegemônicos e poderosos em relação às mulheres, pura fantasia que revela fragilidade e dificuldades de aceitação.
    Mas ainda muitas mulheres cultivam o machismo por achar que as decisões importantes devem ser tomadas pelo homem, que no casamento deve-se satisfazer o marido mesmo que a esposa não tenha vontade ou fazer sexo como retribuição por eles pagarem a conta. A propósito, as mulheres poderiam dividir a conta do motel e acabar com um tabu obsoleto. Estas segregações sexuais dificultam a adaptação às novas tendências e a revisão de opiniões, sucumbindo-se em severas limitações.
    Devem-se rever os conceitos de educação com as crianças e educá-las para que meninos participem de atividades domésticas e meninas possam participar de atividades tidas como masculinas sem restrições, como jogar bola por exemplo. Muitas mulheres abandonam suas carreiras profissionais para serem donas de casa ou consideram que felicidade e independência esteja vinculada ao casamento. Legitimar a autonomia é compreender que não existem papéis totalitários ou padrões inquestionáveis, mas a liberdade de ser você mesmo sem definições arbitrárias.