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    Vamos passear na cidade, enquanto o buraco não vem?

    Passear na cidade de Manaus, de carro ou de moto, tornou-se uma corrida de obstáculos. Entra governo, sai governo e a buraqueira só aumenta. Há os que dizem que o número de buracos diminuiu: onde antes havia três pequenos, agora há um grande.
    Serafim Correa perdeu a reeleição para prefeitura em 2008 porque não conseguiu deixar a cidade trafegável. Amazonino assumiu – em pleno período de chuvas – e começou uma operação tapa-buracos que teve como conseqüência a formação de saliências em todas as ruas. Tapou-se um buraco e criou-se um cocoruto.

    Amazonino deixa a prefeitura com as ruas parecidas com estradinhas de fazendas, cheias de “costelas de vaca” e os buracos estão de volta em número semelhante aos do começo de seu governo. Há, inclusive, o Complexo Viário Gilberto Mestrinho, viaduto inaugurado em 2009, cujo revestimento já está em petição de miséria. Observe-se que há uma base de concreto, muito diferente que o chão encharcado e podre da periferia.

    O fenômeno “chuva”, que ocupa a metade de cada ano na região, parece não ser levado em conta quando as ruas são planejadas. Nas vias principais há buracos ou saliências, nas ruas secundárias dos bairros há crateras e água empossada. Nem tudo é responsabilidade da prefeitura. Quando observamos o estado de algumas calçadas – responsabilidade dos proprietários dos terrenos – temos a impressão que há buracos do lado de fora esperando vaga para entrar na rua. Também observamos ricos condomínios que gastam milhões com o arruamento interno e são incapazes de dar uma mínima contribuição para a rua que passa em frente.

    Brincadeiras à parte, Manaus deve considerar a necessidade de promover um capeamento de qualidade em suas ruas. A operação “tapa-buracos” tornou-se uma rendosa indústria que só se iguala com a revenda de peças e de serviços para conserto em suspensão de veículos. A camada asfáltica deveria ser última chapa sobre uma base compactada e não a única. Se a base é ruim, a camada precisa ser trocada a cada ano. Ruas bem feitas não necessitam de reparos e de recapeamento, por isso, ao longo dos anos teriam um custo baixo. Hoje vemos capas e recapas tão altas que a boca dos bueiros fica mais de cinco polegadas abaixo do nível da rua.

    A prefeitura de Arthur começa uma operação tapa-buracos novamente no período das chuvas. Por mais urgente e necessário que seja restabelecer a trafegabilidade das ruas, o que se está fazendo é mais um paliativo de pouca duração. Colocar remendos numa roupa velha, cujo tecido é de péssima qualidade vai resultar num traje multicolorido impossível de ser engomado.

    O que a prefeitura poderia fazer era incentivar a população a participar. Os cidadãos fariam o registro num site específico e o setor competente se reuniria com eles. Os motoristas de Manaus já mostraram educação ao respeitar a faixa de pedestres, pintada pela prefeitura. Talvez os moradores possam ajudar a encontrar soluções mais baratas e duradores que os paliativos que burocratas oficiais encontram. A simples participação popular criaria um vínculo que ajudaria na preservação. Por que não confiar nos eleitores e fazer uma administração realmente participativa?