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    Geraldo Vandré, Gonzaga e o crescimento econômico

     
     
    Heilbroner escreveu que a primeira condição do desenvolvimento é a vontade de se desenvolver, ou seja, que a população saiba que precisa e queira progredir economicamente. Óbvio, fundamental a ação pública que cria oportunidades e não por acaso inspirou o lema do governo Omar Aziz.
    Em dez anos de governo petista, o bolsa alimentação ampliou-se para o bolsa família, além de outras semelhantes, com o mérito de inserir no consumo, mesmo que de produtos de baixo preço, os até então de todo excluí­dos, melhorando os indicadores sociais. O programa, meramente assistencialista,  sem complemento das oportunidades de trabalho e de criação de micros e pequenas empresas, apenas cria dependentes e mina a primeira condição do desenvolvimento ao dispensar, por acomodação, a vontade de crescer economicamente. As diversas “bolsas”, para tantos desesperançados, lembra os versos de Geraldo Vandré sobre bizarro comício janguista: “O povo pensou que a festa era sua, de tanto que andava atrás de qualquer alegria”.
    Registra-se o êxito material, não econômico, porque a dependência das doações permanece, muito menos culturalmente, a mudança na mentalidade que deve ser a de querer se desenvolver. Lula escolheu Guaribas, Piauí, para lançar o “Fome Zero” e a cidade melhorou muito, com água, calçamento e esgoto. Lula é chamado de “santo” ou “pai”, onde nunca pisou por desaconselhamento da segurança, mas lá já foram vários ministros. Os habitantes continuam dependentes dos cartões.
    Localizada no mais recôndito da Austrália, sob risco de extinção, tribo de aborígenes recebeu alimentos lançados de um monomotor e seguiu expedição por terra que, ao alcançá-la, viu-se que tinham reproduzido a avioneta em palha, transformada em divindade. (O fato foi relatado por Margareth Mead, a maior antropóloga do século 20). Chamar Lula de “santo” ou “pai” (o que ele não pediu ou estimulou) é a versão sem palha do mesmo fenômeno antropológico.
    O início do positivo programa petista é tratamento de pronto-socorro para quem necessita de cirurgia. E a cirurgia é a inclusão no mercado de trabalho ou, mais amplamente, na atividade econômica monetarizada, aquela que ultrapassou a troca ou escambo.
    O que foi alívio imediato não pode mais ser abruptamente extinto, porque, em certos locais, seria até pior do que antes, uma vez que se abandonaram algumas culturas de subsistência, substituídas por uma ou várias “bolsas”. (Há até “bolsa reclusão” que, de acordo com a portaria nº 15, de 10/01/2013, da Previdência Social, passou para R$ 971,78. Ou seja, deixar a família ao desamparo não é mais obstáculo psicológico para prevenir delitos).
    O programa petista pode ser implementado para tornar gradativamente obsoleto o ainda necessário programa de bolsas. Vale lembrar os versos de Luiz Gonzaga, que conheci quando  menino, levado pelo sr. José Dias, da Tipografia Fênix, e mantivemos amizade  no Rio de Janeiro, no Forró do Xavier (ele jantou na minha casa aqui algumas vezes): “Seu doutor os nordestinos agradecem o auxílio dos sulistas, mas doutor uma esmola, para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.