Fonte: OpenWeather

    Artigos


    O futuro da comunicação

    A humanidade fervilha incessantemente, avessa à estratificação e ao imobilismo. Assim tem sido desde sempre, conforme se pode facilmente constatar através de um simples olhar para trás, para o como a história relata a incessante mudança, ora evolutiva, ora involutiva, uma vez que as diferenças entre as duas direções apenas são manifestações das relativas percepções e interpretações humanas.

    Se apenas dois indivíduos humanos habitassem o planeta, entre eles com certeza se estabeleceria algum tipo de comunicação, o que significa que as relações de comunicação são tão antigas, primárias e essenciais quanto o é a presença do ser humano na Terra. Aliás, não se restringe à nossa espécie, pois cada vez mais se fortalece a convicção de que, pelo menos entre os vivos, sempre se estabelece em algum nível alguma comunicação.

    Como elemento integrante da cultura, ela, a comunicação, é também essencialmente histórica e, como tal, não se comporta de modo linear e fluente no tempo, mas está sujeita a ritmos diferentes, de condensações e diluições, de acelerações e desacelerações, de ganho ou de perda de complexidade. Assim, por exemplo, quando a criatividade humana pôde propiciar uma nova tecnologia através do controle da emissão e da recepção das ondas de rádio, a comunicação oral deu um formidável salto ao levar a audiência da voz humana para muito além do seu alcance natural e para uma incomensuravelmente maior quantidade de ouvintes.

    O desenvolvimento da escrita, sobretudo o seu enriquecimento em sofisticação e em complexidade, foi outro desses momentos em que a comunicação deu um salto de qualidade, mais ainda acentuado pela invenção da técnica da impressão. Mas dizíamos antes, não se pode falar apenas em evolução linear da comunicação. Momentos houve em que, até pelo surgimento e desenvolvimento de novas tecnologias, parecia que certos instrumentos de comunicação regrediriam e até desapareceriam pela força do que parecia ser seu obsoletismo.

    O cinema, enquanto veículo e também enquanto arte, surgiu como se fosse a condenação do teatro, veículo e arte, à morte. E não foi o que aconteceu. O advento da televisão deveria ter decretado primeiramente o fim do rádio e, em seguida, a superação do cinema. Também não se confirmou.

    Muito recentemente, os “tablets” e seus “e-books” deveriam ter liquidado os livros tradicionais, impressos em papel, e condenado todas as livrarias à falência. Entretanto, a Saraiva, a Cultura e outras mais, ainda se mostram prósperas porque não há comparação, em termos de prazer e facilidade, entre a leitura de um livro e de uma tela eletrônica.
    Agora espera-se o fim das revistas e dos jornais, que deverão ser sucedidos pelos “portais eletrônicos” e pelos “blogs”. Aos que se satisfizerem com os “dropes” desses veículos, ultra sintéticos e simplificados, até pode ser. Mas para os que quiserem entender, interpretar e explicar os fatos e os acontecimentos, e ainda formar uma opinião, não poderá

    haver a substituição da riqueza pela pobreza, do entendimento pela mera informação fática.

    Por isso, os políticos, os empresários, os pensadores, os professores e todos aqueles que detêm poder e responsabilidade de decisão levam seus jornais, e não seus “smartphones”, para a mesa do café da manhã. Hoje reduz-se o número dos leitores em geral, e não apenas dos jornais, simplesmente porque os leitores se fazem escassos e raros.

    João Bosco Araújo
    Diretor Executivo
    Amazonas Em Tempo