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    Tabagismo


    Lei antifumo: salvando vidas e desestimulando o hábito

    A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) recomenda medidas mais restritivas ao consumo de tabaco

    Escrito por Augusto Cecílio no dia 24 de junho de 2021 - 08:00

     

    Outro ponto importante é que medidas mais restritivas estimulam os fumantes a deixarem o hábito e procurarem tratamento
    Outro ponto importante é que medidas mais restritivas estimulam os fumantes a deixarem o hábito e procurarem tratamento | Foto: Divulgação


    Se fizermos um cálculo simplificado, caso uma carteira de cigarros custasse dez reais, mais de oito reais seriam de impostos. E, apesar da pesada tributação, mesmo que um indivíduo fumante pague isso por toda sua vida, se ele cair doente, vitimado pelo fumo, o dinheiro arrecadado pelos impostos não daria para cobrir o seu tratamento.  

    A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) recomenda medidas mais restritivas ao consumo de tabaco e acredita que há inúmeros benefícios para a saúde pública em estender a lei antifumo para áreas externas de uso coletivo, como parques e praças, a exemplo da medida adotada essa semana na cidade de Nova York. Uma forma de combater o tabagismo passivo e desestimular novos fumantes, sobretudo os jovens.

      No Brasil, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável. O fumo, entre outros efeitos nocivos, aumenta o risco de doenças respiratórias nas crianças em 50%, de câncer de pulmão em 30% e de infarto em 24%. A fumaça do cigarro possui mais de 4 mil substâncias prejudiciais, que também trazem riscos à saúde mesmo em locais abertos.  

    Outro ponto importante é que medidas mais restritivas estimulam os fumantes a deixarem o hábito e procurarem tratamento. Não só por esses, mas por outros inúmeros benefícios que podemos vislumbrar, a medida adotada em Nova York é um exemplo a ser seguido por nosso país.  A Abead, entende que a regra deve ser acompanhada de outras ações como a maior tributação da substância e restrição da publicidade em pontos de venda, com mais investimentos para aumentar a rede de atendimento e oferecer tratamento para os usuários que desejam se curar.

      No Brasil, cerca de duzentas mil pessoas morrem por ano vítimas do uso de tabaco. Atualmente, com a grande disponibilidade de informações, quase todo fumante sabe dos malefícios e, de acordo com pesquisa recente, cerca de 80% desejam parar de fumar, mas têm muitas dúvidas em como iniciar este processo e manter-se longe do cigarro.  

       

    Para a especialista Sabrina Presman, a primeira etapa é identificar quais os momentos e situações que o cigarro entra como apoio, pensar em diferentes estratégias, traçar metas a curto e longo prazo e lembrar que a vontade de fumar vem e passa. É uma fissura que dura de 2 a 5 minutos.  A dependência física está relacionada ao organismo do fumante, que se acostuma a receber certa dose de nicotina e, quando deixa de fumar, o corpo sente falta e precisa se adaptar à ausência dessa substância. Este período de adaptação é denominado Síndrome de Abstinência e pode desencadear ansiedade, irritabilidade, inquietação, dificuldade de concentração, tristeza, dor de cabeça, tonteira e alterações no sono e ritmo intestinal. 

      Já a dependência psicológica está ligada a momentos em que o fumante atrela alguma emoção ou sentimento ao cigarro, que serve, muitas vezes, como um amortecedor para as emoções, sejam elas desagradáveis ou não. Ele acaba utilizando o cigarro para lidar com estresse, solidão, para relaxar e até mesmo para comemorar.  

     

    Segundo a especialista, é preciso reformular os hábitos, conseguir novas formas de lidar com os sentimentos e ter consciência de que a fase de abstinência é um período de adaptação, mas que acaba. Vale lembrar também que são raros os casos em que as pessoas conseguem parar de forma radical. O ideal é que a cessação se dê de maneira gradual e com muita força de vontade, para não desanimar ou desistir em casos de recaídas.


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