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    Mulheres de Cabul, Mulheres do Brasil

    "Mesmo distantes, as brasileiras não precisam de nenhum regime como o Talibã para sofrerem". Leia mais no artigo de Augusto Cecílio

    Escrito por Augusto Cecílio no dia 25 de agosto de 2021 - 20:29
    | Foto: Divulgação

    Aproximadamente 13.595 Km é a distância que separa o Brasil do Afeganistão. Dependendo do aeroporto de origem, são cerca de 30 horas de voo entre os dois países. Mesmo assim, não devemos fechar os olhos para passado e presente de qualquer país, principalmente na questão humanitária, nos direitos vilipendiados e na forma como as mulheres são tratadas (ou maltratadas, o termo mais correto).

    O retorno do Talibã, 20 anos depois, representa muito mais do que a derrota dos americanos. Acende a preocupação com a possibilidade de extremismo,  terrorismo e separatismo, até porque o que se promete muitas vezes não se cumpre, ainda mais num país destruído e desorganizado em muitos vários aspectos.

    Na literatura podemos conhecer melhor a realidade. O livro ''Mulheres de Cabul'', da premiada fotógrafa inglesa Harriet Logan, amplia, de forma mais realista, o universo afegão apresentado em 'O Caçador de Pipas', de Khaled Hosseini (autor dos livros A cidade do sol e A memória do mar), e em ''O Livreiro de Cabul'', de Asne Seierstad (jornalista e escritora norueguesa conhecida por relatos da vida em zonas de guerra, principalmente em Cabul, Bagdá e Grózni).

    Trata-se de uma reportagem viva, emocionante, quase inacreditável, que supera qualquer ficção. Harriet visitou o Afeganistão para ouvir e fotografar dezenas de mulheres durante o regime e depois dele. 

    Entre setembro de 1996 a outubro de 2001 as afegãs foram submetidas a absurdas leis repressoras, como não poder trabalhar fora nem frequentar escolas. Era proibido rir em público, ouvir música, empinar pipas, e fotografias eram consideradas formas de idolatria. Um período de trevas.

    Para Andressa Reis, “Harriet fez algo extremamente perigoso e valoroso. Perigoso porque viajou ao Afeganistão durante a tomada de poder pelos talibãs em 1997 e retornou em 2001 após a invasão americana, numa tentativa de entrevistar o mesmo grupo de mulheres nos dois períodos. Vocês imaginam o que foi uma mulher entrar no Afeganistão nestes anos de guerra? Em uma narrativa sucinta a autora discorre sobre o planejamento, dificuldades, desafios e vitórias dessa empreitada, para cumprir um objetivo muito valoroso "dar voz às afegãs"! Quem eram essas mulheres que na década de 70 viveram uma época de muitas liberdades, de conquista de direitos e depois viveram diversas invasões, diversas trocas de poder, mas com uma linha mestra de semelhança: a sucessiva perda de direitos para o machismo, a preponderância de práticas misóginas, a generalização da miséria e da violência. Durante anos, as afegãs ficaram inacessíveis ao mundo”. 

    Mesmo distantes, as brasileiras não precisam de nenhum regime como o Talibã para sofrerem. Algo urgente deve ser feito, pois, as leis brandas e a impunidade fazem com que os agressores e assassinos de mulheres se multipliquem a cada ano.

    Conforme pesquisa recente da Datafolha, dentre as formas de violência sofridas, 18,6% responderam que foram ofendidas verbalmente, 6,3% sofreram tapas, chutes ou empurrões, 5,4% passaram por algum tipo de ofensa sexual ou tentativa forçada de relação, 3,1% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo e 2,4% foram espancadas. E se fosse a sua filha? 

    Em 2020, um terço das mulheres mortas no Brasil morreu apenas por ser mulher. A taxa de Feminicídios no país é uma das mais altas do mundo. E sem Talibã.

    O governo federal oferece vários canais de denúncia: Disque 100, Ligue 180, mensagem de zap para o número (61)99656-5008, Telegram no canal “Direitoshumanosbrasilbot”, Aplicativo “Direitos Humanos Brasil (para iOS e Android). 

    Auditor fiscal e professor. 

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