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    ARTIGO


    CPI da Covid volta com 'segunda temporada'

    Veja os próximos passos da Comissão Parlamentar de Inquérito. Artigo de Carlos Santiago, advogado, sociólogo e analista político

    Escrito por Carlos Santiago no dia 02 de agosto de 2021 - 20:57
    | Foto: Divulgação

    *Artigo de Carlos Santiago   

    A Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado Federal já expôs o envolvimento de agentes públicos do país com a corrupção ativa e passiva, crimes contra a dignidade da pessoa humana, crime de responsabilidade e prevaricação. Já mostrou ainda contradições de autoridades, enriquecimento de laboratórios farmacêuticos com o tratamento sem eficácia, improbidade de ex-ministros da Saúde e fez o governo mudar de rumos, mas faltam novas investigações e o relatório final com nomes dos responsáveis pela tragédia na pandemia brasileira.                

    Depois do recesso legislativo, a CPI retoma as investigações com fatos determinantes envolvendo as ações e omissões do governo federal na pandemia, a má aplicação dos recursos federais destinados aos estados e municípios, falta de vacinas, tratamento precoce com medicamento sem eficácia e a falta de oxigênio medicinal no Amazonas.           

    O uso do tratamento sem eficácia já foi constatado. Os medicamentos, como a cloroquina e a ivermectina,  indicados no início da pandemia pelo Ministério da Saúde - MS para combater a Covid-19 não surtiram efeitos, mas  após milhares de mortos e de enriquecimento de laboratórios, deixaram de ser recomendados pelo MS por causa da pressão da CPI e da comprovação científica de suas ineficácias e de efeitos colaterais negativos.          

    A cobrança de propina por autoridades do Ministério da Saúde para compra de vacinas e também dificuldades definidas pela administração para aquisição de vacinas. Além de envolvimento de empresários suspeitos dentro do MS para facilitar privilégios, foram também desvendados pela Comissão de Inquérito.         

    Falta investigação maior nas administrações estaduais que receberam recursos do governo federal. Autoridades do Amazonas foram ouvidas, o ex-governador do Rio de Janeiro também. Mas, no caso dos governadores, o Supremo Tribunal Federal – STF firmou entendimento de que a CPI do legislativo federal não pode convocar os governadores de estado, porque são chefes de outro Poder Executivo e de outro ente da federação. Porém,  isso não impede que outras autoridades estaduais sejam ouvidas e responsabilizadas.           

    Os trabalhos da CPI trouxeram efeitos políticos e eleitorais. O desgaste da imagem do presidente e do governo federal aumentou. Governo ficou mais refém do apoio dos políticos do Centrão. Baixa adesão popular nas manifestações favoráveis ao governo. Houve crescimento político dos senadores comandantes da CPI e o fortalecimento da candidatura do ex-presidente Lula da Silva.          

    Nem todo o desgaste político do governo Bolsonaro vem da CPI. A economia não consegue diminuir o indicador de desemprego, a pobreza só cresce, os preços da cesta básica estão insuportáveis, o valor da gasolina e do gás de cozinha traz crítica popular, além dos conflitos desnecessários entre o presidente e outros membros dos Poderes da República.          

    A CPI caminha para os últimos 90 dias de trabalhos. Já é louvável a sua atuação. O povo tem mais informações para analisar o governo e o trabalho da Comissão. Falta avançar nos casos do pedido de propina e investigar os escândalos nos estados com o dinheiro federal. Nessa fase final, a  sociedade precisa ficar vigilante para que as negociações políticas não deixem de fora da lista os nomes de responsáveis por tantas mortes, improbidade e corrupção nos governos.

    Carlos Santiago

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