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    Igreja Católica


    Sim, a paz é possível!

    A 2ª encíclica “Pacem in Terris” (Paz na Terra), do Papa João 23, foi dirigida não só para os católicos mas “para todos os homens de boa vontade”, e propalava a defesa apaixonada pela Paz. “Sim, a paz é possível!”

    Escrito por Carmen Novoa no dia 05 de fevereiro de 2021 - 09:00

     

    | Foto: Divulgação

    Os registros históricos teimam sempre em apresentar o perfil do Papa João 23 – o que convocou o mais importante Concílio: O do Vaticano II em 1962 e que neste ano completa seu cinquentenário de abertura – como alguém de fino humor. Perto de morrer, em maio de 1963 (morreu em Junho) foi distinguido com o influente “Prêmio Balzan da Paz” e pretendia pessoalmente recebê-lo. Os médicos tentaram demover essa ideia. Revelaram então, que ele tinha uma “condição gastropática grave”. Deu uma risada e respondeu: “Os senhores dizem isso porque sou papa. Se fosse outro, diriam tratar-se de apenas uma dor de barriga”.

    Juntou forças e compareceu ao palácio presidencial italiano para o recebimento da honraria da Paz das mãos do presidente Antônio Segni. Era a primeira visita de um Papa à residência do presidente da Itália e a última vez que João XXIII aparecia em público. Através desta atitude quis também evidenciar o que propalara em sua 2ª encíclica “Pacem in Terris” (Paz na Terra). Esta despertou tanto interesse universal quanto a “Mater et Magistra” (Mãe e Mestra).

    Em primeiro lugar por motivo de seu profundo carisma e sua personalidade ímpar, ao ser um homem de diálogo e de coração generoso. Preocupava-se mais com a pessoa humana sem distinção de credo ou convicção. A carta encíclica foi dirigida não só para os católicos mas “para todos os homens de boa vontade”. A excelente receptividade por parte da opinião pública deveu-se à defesa apaixonada pela Paz. “Sim, a paz é possível!” afirmou o pontífice.

    E, em 1963, esta afirmativa significava uma inabalável fé na natureza humana. Mesmo que as feridas da 2ª guerra mundial ainda não estivessem cicatrizadas; mesmo que o muro de Berlim dividisse a Europa; a crise dos mísseis em Cuba; mesmo que a corrida armamentista estivesse em aceleração; visando ao abafar dos ímpetos bélicos através do medo. O documento papal fez então uma denúncia. A impactante denúncia do pesadelo de uma possível guerra nuclear. “É um grave perigo para a vida na terra...” exortando ao completo desarmamento para um pacífico futuro da família humana.

    O “Sim, a paz é possível!” publicou o editorial do jornal norte-americano rotulando a encíclica como... “Não é apenas a voz de um idoso sacerdote e nem a de uma antiga Igreja. É a voz da consciência do mundo”. Do texto da carta “Pacem in Terris” salienta-se apenas três conceitos-chave: A pessoa humana, o direito e a fé. Um documental de ética internacional. Enumerava o direito à existência e padrão de vida condignos; direito aos valores morais e culturais; direito à própria religião; no campo econômico, o direito à reunião e associações, o direito a emigração e imigração; o direito de caráter político, democracia, socialismo... E a cada um destes direitos correspondiam também DEVERES. Baseados no sentido de responsabilidade. DEVERES alicerçados na conscientização para banir a coação ou a imposição.

    As ideias da PACEM IN TERRIS não eram novas. Mas a novidade é que viessem de um Papa! A história narra de John Kennedy, presidente dos E.U.A, e o primeiro-ministro soviético Nikita Kruschev trocaram palavras duras em 1961 durante a crise de Berlim e a dos mísseis em Cuba. Temeu-se, no instante, a eclosão de uma 3ª guerra. Aí entrou a figura de João XXIII com sua ternura pessoal. Pronunciou em discurso para os chefes de nações causando recuo soviético em Cuba. Causou tanto impacto que Kruschev disse ao jornal russo Pravda: “Não temo o julgamento de Deus no qual, eu com ateu não acredito, mas nós acolhemos o apelo e João XXIII presta uma homenagem à razão. Como único raio de esperança...” Assim derreteram barreiras glaciais entre Igreja e o mundo.