>

    Fonte: OpenWeather

    Comunicação


    Jesus e os Jornalistas

    Em artigo ao Em Tempo, Carmen Novoa lembra que Jesus e S. Paulo foram grandes comunicadores. O segundo a utilizar o Areópago da Grécia para transmitir aos pagãos a mensagem. O outro comunicador, Jesus, transmitia sua mensagem usando os pés e a língua e sempre a caminho

    Escrito por Carmen Novoa no dia 12 de fevereiro de 2021 - 10:00

     

    | Foto: Divulgação

    Dias atrás comemorou-se o dia do jornalista que em minha opinião devia ser bem mais festejado. A própria mídia a indicada para promover as homenagens em torno do dia. Afinal, quem nos propicia o saber das atualidades se não a imprensa? Isso vem desde a época dos pregões (aqueles a berrarem notícias fresquinhas nas esquinas) ou, mais manauaramente, desde a época da sirene do Jornal do Comércio conclamando a todos a se postarem frente ao prédio na Av. Eduardo Ribeiro e lerem o noticiário impresso colocado na parede como um cartaz de cinema.

    Em verdade em verdade digo, meu leitor persistente, desde 1979 colaboro com meus artigos nos jornais de Manaus. Já fui vizinha de página lado a lado da Dinah Silveira de Queiroz (da Academia Brasileira de Letras), de Mário Ypiranga, do Anthístenes Pinto, do Pe. Nonato Pinheiro, do Narciso Lobo. Bom, mas falava que o dia do jornalista devia ser mais comemorado: Com palestras onde jornalistas de renome apresentariam os códigos deontológicos do comunicador e suas normas éticas como criadores de opinião pública.

    O jornalismo sério precisa dessa demonstração de idoneidade e de eticidade. Como no caso do diário norte-americano “Los Angeles Times” ao despedir sumariamente o fotógrafo Brian Walski porque havia retocado uma foto instantânea sobre a guerra do Iraque, a fim de provocar “maior dramatismo”.

    O mesmo aconteceu no New York Times, um repórter ilustrou sua matéria sobre Sartre com uma foto deste, no entanto Sartre tinha entre os dedos um cigarro. O jornalista querendo ser politicamente correto tirou o cigarro. Ficou uma foto estranhíssima. E New York o suspendeu dos trabalhos por duas semanas. O Papa Francisco agradeceu aos profissionais de comunicação pela coragem e determinação por mostrar as realidades do planeta, essencialmente em tempos de pandemia e injustiças.

    No texto, o papa escreveu que, “se hoje o mundo conhece a difícil condição das minorias perseguidas, os abusos contra os pobres e tantas guerras esquecidas, e que alguém sentiu a curiosidade e a paixão de noticiar essas realidades”, o Papa Francisco disse ainda “seria uma perda não só para informação mas para a sociedade e pra democracia se faltasse vozes dos jornalistas”.

    Como teóloga lembro que Jesus e S. Paulo foram grandes comunicadores. O segundo a utilizar o Areópago da Grécia para transmitir aos pagãos a mensagem cristã (a mídia é o areópago do 3º milênio). O outro comunicador, Jesus, transmitia sua mensagem usando os pés e a língua e sempre a caminho. E, segundo o exegeta francês Gerard Rosé, Jesus falava que o evangelho devia ser proclamado “sobre os telhados”. E não é difícil perceber nestas palavras o apelo para utilizar todos os meios de comunicação disponíveis.

    Na época usava as estradas de vilarejos, as casas de família, as margens dos lagos, a sinagoga, durante as refeições, as colinas... No entanto Jesus usava “técnicas” de comunicação como as parábolas, as metáforas, as hipérboles, por exemplo, a trave no olho ou o camelo que passa pelo buraco de uma agulha (agulhas eram chamadas as portas estreitíssimas à entrada de Jerusalém). As parábolas então são uma narrativa por imagens de suma importância para comunicar um ensinamento, ou seja, o estilo de Cristo era o do envolvimento com sua narrativa. Despertava o interesse. Suas parábolas provocavam seus interlocutores sem que estes o percebessem.

    Essa era a técnica sábia do comunicador Jesus, além do “facere et docere” (fazer e ensinar) e da coerência de suas palavras com sua vida. Um método mass media atravessando séculos!


    Leia Mais

    Lições para a vida

    A pandemia

    Tempos de barbárie