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    Manaus Histórica


    A destruição dos prédios antigos em Manaus e outras reflexões

    Lembro que a destruição dos prédios antigos em Manaus cresce em silêncio. E sempre à noite. Como as ervas daninhas dos campos.

    Escrito por Carmem Nóvoa no dia 25 de abril de 2021 - 08:00

     

    | Foto:

    Centro Histórico de Manaus

    Lembro que a destruição dos prédios antigos em Manaus cresce em silêncio. E sempre à noite. Como as ervas daninhas dos campos. O centro histórico da Cidade, muitos nem mais o reconhecem, dado o retalhamento de cada residência em estilos “modernosos”.

    E como Oscar Wilde afirma: “Onde há dor há um lugar sagrado”. Então nós, manauaras, temos que lavar nossas mãos enquanto destroem sem dó nem piedade prédios antiquíssimos, século 19 e nós a gemer. E dizem a Manaus como Jacó a Deus no Gênesis. “Não te deixarei (Manaus) até que me bendigas” nas casas senhoriais, antigas e tão maltratadas. É um chão que nos fere.

    Pressão pela beleza

    Outro fato interessante e até preconceituoso digno às penas da lei (se existem alguma ainda) é a pressão pela beleza. Crianças com síndrome de Down estão sendo submetidas às mãos de cirurgiões plásticos para aparentarem serem “normais”.

    Friso então que somos prisioneiros da imagem (modelo de beleza que influi na percepção que temos de nós mesmos e nos condiciona. Sempre há uma pressão, quando existe uma opção) “DOWN” feições rasgos faciais não devem ser corrigidos para evitar discriminação, rejeição ou atitudes pejorativas, principalmente porque são crianças e não podem decidir por si mesmas.

     Dom Restelo que se indignou com essa ideia. Ele, o melhor mestre da Universidade Complutense de Madrid, sofre desde bebê com a “Síndrome de Down”. Ilustrou-se, tratou-se com a medicina atual e tornou-se um sucesso. Virou capa de revista e deu entrevista interna da revista El Pais de Madrid contando seu drama e sua vontade de ser MELHOR. E o É.

    Somos prisioneiros da imagem (modelo de beleza que influi na percepção que temos de nós mesmos e nos condiciona. Sempre há uma pressão, quando existe uma opção)

     

    Felicidade efêmera

    Outro assunto interessante é o artigo de Rosa Montero, intitulado “Felicidade Efêmera”, para refletir as emoções, essas grandes ideologias não são de excelsas crenças ou de grandes avanços tecnológicos. Ela apresenta como algo tão simples, mas temeroso (porque a simplicidade tem um brilho no olhar).

    Basta um instante de silêncio, um olhar emocionado e lacrimoso de alegria e verdade, um sabor do café degustado lentamente: isso é Paz. Estes são os momentos diamantes, sua eternidade o torna precioso.

    Estudantes nerds

    Outro caso muito atraente lido em livrarias grandiosas foi o dos estudantes “nerds” que, não podendo comprar livros de preços exorbitantes, entravam com uma pequena mochila nas costas e furtavam livros de bolso de grande qualidade. Por isso que existem pessoas no mundo como Jorge Luis Borges a falar. “Sempre Imaginei que o paraíso seria algum tipo de biblioteca”.

    Os donos dos grandes magazines deixam levá-los. Afinal, serão eles que instruirão com a cultura da luz seus pequenos. E as pequeníssimas livrarias? Tem sempre alguém que saiba o gosto do freguês por tal escritor. Cedem-lhe préstimos porque sabem que são cultos desde pequenos e não os enganarão. “É a vocação de Pilatos”. Ensino de um “De Profundis”.