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    Ser bom escritor

    ARTIGO - Carmen Novoa: "falei que se pudessem escrever algo em prosa poética, não só seria com bons escritores, mas seduziriam todos os leitores em pura emoção"

    Escrito por Carmen Novoa no dia 30 de setembro de 2021 - 20:38
    | Foto: Divulgação

    Um estudioso egípcio do século XIV, explicava em um de seus livros “Amanhecer para cegos noturnos” com que cuidado deve ser escrito um livro. “Um livro é um escrito imperecível”. Em 2013 foi lançado o livro NOVOS TALENTOS, uma experiência coletiva exitosa. Fruto do projeto pedagógico do colégio Martha Falcão, levando seus alunos de todas as séries a escreverem sobre temáticas edificantes e com vocabulário mais rico possível. Magnetizantes. Assim em à lume o livro de grande repercussão, principalmente no que se concerne os meios culturais e educativos da cidade de Manaus.

    Eu fui a escolhida para fazer o prefácio do livro como acadêmica e membro da Academia Amazonense de Letras do Amazonas. Foi lançado na sede da Academia Amazonense de Letras, que lotou com pais,  alunos. A mesa diretora foi composta por Dr. José Braga, então presidente da Academia de Letras, eu e a mestra Nely Falcão.

    Falei que se pudessem escrever algo em prosa poética, não só seria com bons escritores, mas seduziriam todos os leitores em pura emoção. Falei que para ser um BOM ESCRITOR, articulista de jornal deve se possuído pelo carisma da emotividade, vocabulário rico abundante, mas jamais... não pode ser repetitivo. O leitor larga logo a leitura perdendo o 'élam' de bom escritor.

    Ressalta-se que a ideia foi posta em prática há vários anos e é importante frisar que essa demonstração coletiva, torna a todos em unos e indivisíveis. Como se mantivessem uma emoção religiosa. Porque o vocábulo religião origina-se do latim “religare” significando, unir, união, unidade. Na leitura de cada página ali palpitava, a criatividade, o sensitivo, a espontaneidade de cada um. Aqui, em cada página, palpita um pedaço de vida e de alma. Monumental e quieta. E vemos a imaginação em voo alto tal como o condor. Que não teme os desafios e nem as alturas abismais.

    Tome nas mãos o “Novos Talentos” – 2013 –. E nessa leitura, a ciência plena de que o projeto educacional foi roçado pela asa solene do sagrado. Na contemporaneidade, esse estímulo à linguagem escrita é algo a remeter ao transcendental visto que as multidões são aficionadas aos neons, aos botões prodigiosos, às coisas “high-tech” e à superfluidade que se esqueceram dos valores perenes.

    Um sonho solitário é uma quimera. Uma fantasia. Às vezes até um prelúdio de delírio. Mas um sonho compartilhado é uma utopia. Pois, somente a utopia coletiva e capaz de transmudar o impossível em possível. O Colégio Martha Falcão de corpo discente e docente, uno e indivisível, construiu umas das mais admiráveis utopias de nossa região. Mather Luther King, Gandhi, tinham ideais utópicos e os transformaram em reptos realizáveis.  Manaus precisa dessa utopia possível.

    Tome outra vez nas mãos o “Novos Talentos 2013”, Folheie página por página. E leia atento até nas entrelinhas. Verá o significado intrínseco do ofício do escritor. Escrever na afirmativa do escritor peruano Mario Vargas Llosa e Prêmio Nobel de Literatura 2010, “é paixão, é vício, é maravilha. É criar uma vida paralela que torna natural o que é extraordinário e em extraordinário o que é natural. Escrever dissipa o caos, Embeleza o feio e eterniza o instante”. Sobre os escritos, exorto aos neo-escritores.

    Dêem vazão a esse impulso espiritual de sair de si mesmos através dos poros da alma. E das fibras do coração! Só assim poderão abrir todas as fronteiras que levam aos portais da imortalidade. Sejam sopro do Gênesis, animando barro e sacralizando com talento este chão... Exorta-os neo-escritores. Abomino ler articulistas de jornais que repetem umas 30 vezes ou mais certas palavras, ou siglas de entidades, sem a criatividade. Excepcionalmente tem os que apreciam a leitura.

    Na Europa, sempre vemos jovens com livros na mão. Quem lê bastante sabe escrever de modo de um bibliocleptónamo (rouba livro compulsivamente). Na Inglaterra jovens roubam livros de bolso. Mais cabeças pensantes e menos analfabetos de assuntos.

    Tem que eliminar o dragão. O da corrupção, os de falta de solidariedade e de fartos sorrisos. Como o grande filósofo espanhol, criador da doutrina do racio-vitalismo e um dos mais profundos investigadores dos problemas do homem e da sociedade, nasceu em Madrid em 9 de maio de 1883 e, faleceu em 18 de outubro de 1954.

    A Rebelião das Massas é essa rebelião que devíamos ter. “E não aceitar leituras entediantes que enchem linguiça como diz o adágio popular. Após eliminar o dragão assim, só assim poderemos abrir as janelas e deixar o vento entrar pelos cristais e respirar aliviados do fogo expelido pelo dragão que enche linguiça”.

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