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    Carnaval 2020


    Escola do Rio protesta na avenida com Bolsonaro de palhaço

    Uma dos tripés da agremiação da Zona Norte do Rio de Janeiro trouxe um palhaço com uma faixa presidencial

    Acadêmicos de Vigário Geral trouxe palhaço com faixa presidencial em um dos tripés | Foto: Rafael Nascimento de Souza / Agência O Globo

    A Acadêmicos de Vigário Geral abriu a primeira noite de desfiles da Série A levando uma crítica ao presidente Jair Bolsonaro para a Avenida Sapucaí. A escola de samba entrou no Sambódromo, às 22h45 de sexta-feira (21), com o enredo "O conto do vigário. Ao fim do desfile, integrantes da agremiação empurravam um palhaço gigante com uma faixa presidencial e fazendo sinal de arma com uma mão. O público se dividiu entre aqueles que aplaudiram a alegoria e outros que vaiaram.

    A ala "Bloco Sujo" fez referência aos blocos de rua que se manifestam contra o descaso do poder público. Os componentes, que vestiam fantasias comuns no carnaval de rua, como palhaço, diabo, marinheiro e melindrosa, carregavam estandartes com as palavras "Educação", "Cultura", "Saúde" e "Democracia".

    O vereador Tarcísio Motta (PSOL) veio à frente de um dos carros da agremiação. Segundo ele, “foi uma honra e uma alegria desfilar na Acadêmicos de Vigário Geral, mostrando a farsa de políticos que despertam a ira em nome da fé, mas cantando a resistência de quilombolas, indígenas e favelados”:

    "Emocionante," disse o vereador.

    Parte do público aplaudiu e parte vaiou a alegoria da agremiação da Zona Norte
    Parte do público aplaudiu e parte vaiou a alegoria da agremiação da Zona Norte | Foto: Rafael Galdo / Agência O Globo

    A presidente da Vigário Geral criticou também o prefeito Marcelo Crivella. De acordo com Elizabeth Cunha, a escola precisou pedir ajuda a co-irmãs para colocar o carnaval na Avenida em 2020. Segundo ela, “os últimos anos têm sido muito difíceis, principalmente para a Série A".

    "Esse ano foi muito difícil, mas pedindo aos amigos e fazendo reciclagem, colocamos a escola na rua. Pedimos ao governador que ele nos ajude porque, nos últimos anos, na gestão Crivella, tem sido dureza," disse Betinha, como é conhecida.

    Antes do desfile, representantes da Liga das Escolas de Samba do Rio (Lierj), que organiza o desfile da Série A, apresentaram uma faixa com apelos ao governador Wilson Witzel no setor 1. Eles afirmam que a Série A “sofre pela falta de apoio do poder público”. Segundo a direção da liga que representa a Série A, as escolas estão “agonizando”. Betinha foi uma das lideranças que participou do protesto.

    Indagado sobre a manifestação, o presidente da Riotur, Marcelo Alves, disse que “esse é um protesto democrático”. Alves disse que espera que as escolas da Série A façam um belo espetáculo.