Fonte: OpenWeather

    Denúncia na educação


    Acadêmicos da UEA temem extinção do curso de Engenharia Naval

    Alunos e coordenação do curso de Engenharia Naval da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) denunciam o descaso com o curso na instituição, além da falta de professores que atuam no mercado naval.

    O curso pode ser destivado, segundo os professores e alunos
    O curso pode ser destivado, segundo os professores e alunos | Foto: Lucas Silva

    Manaus- Alunos e coordenação do curso de Engenharia Naval da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) denunciam o descaso com o curso na instituição, além da falta de professores que atuam no mercado naval. De acordo com a denúncia, é persistente a ausência de professores da área para atuarem em sala de aula. Com seis anos no Amazonas, o curso abriu vagas desde 2013 em vestibulares. Hoje conta com oito turmas e 181 alunos.

    As dificuldades do curso

    O professor e coordenador do curso José Luiz Sanssone diz que havia disponibilidade de vagas  para professores no curso, mas que foram retiradas pela reitoria.

    O professor ressalta as dificuldades do curso e a importância no AM
    O professor ressalta as dificuldades do curso e a importância no AM | Foto: Lucas Silva

    "Foi aprovado um TAG que é o termo de ajustamento de gestão disponibilizado cinco vagas para a engenharia naval e até ontem nós tínhamos no edital no site da UEA e hoje não consta mais. Para quem vem fazer um concurso público de fora e vê a possibilidade de um curso ser extinto, fica em dúvida : como dar aula se nem vaga para vestibular tem?"

    Segundo o professor, a engenharia naval na UEA enfrenta dois cenários: o primeiro é a necessidade de reorganização do curso que está sem professores e a segunda é  possibilidade de extinção do curso  no Amazonas.

    Os alunos de engenharia naval Iury Telles  (22), Victoria Roythmann (21), Paulo Rodrigo (24), Eudes Coelho (20), Luiz Henrique (20), Brendo Xavier (26) se uniram a coordenação do curso e decidiram reivindicar os direitos.

    As reivindicações dos alunos é por melhorias no curso
    As reivindicações dos alunos é por melhorias no curso | Foto: Lucas Silva

    "Algumas vezes atuaram alguns professores daqui e de outros lugares do Brasil, mas nunca efetivos. A falta de contratação de professores afeta a qualidade da nossa formação. Já chegamos a ficar um mês e meio sem aula por conta disso. As vezes, os professores precisam passar por cima do assunto para dar conta e ainda ter que dar aula em múltiplas matérias", revela Paulo Rodrigo.

    O aluno Brendo Xavier está no primeiro período e já se deparou com a dificuldade que o curso enfrenta na UEA. "Eu estou aqui também para reivindicar e entrei para ir até o fim naquilo que eu quero.", ressalta o calouro.

    Brendo está no primeiro período e se preocupa com o futuro do curso
    Brendo está no primeiro período e se preocupa com o futuro do curso | Foto: Lucas Silva

    Para José Luiz Sansonne, diferentemente do restante do país, as estradas da região são os rios e o potencial naval pode se perder. "É mais um motivo para esse curso continuar. Tudo o que se move aqui são  pelos rios. Só de você ver a sala de coordenação, que recebe os alunos já vê que não somos tão favorecidos assim."

    O professor Alexandre Corrêa é o único professor específico da Engenharia Naval no curso e fala das dificuldades que enfrenta com o acúmulo de matérias. "Com o apoio dos alunos e da coordenação do curso estamos conseguindo o mínimo de condições, porém é preciso investir, pois temos um diferencial, já que aluno pode atuar na nossa região, que tem grande potencial para a navegação".

    O professor Alexandre Correa é o único da área de naval que atua no curso
    O professor Alexandre Correa é o único da área de naval que atua no curso | Foto: Lucas Silva

    Eudes Carvalho, um dos alunos veteranos diz que se preocupa com os colegas. "Falta um mês para começar outro semestre e não tem professor. Nós usamos o termo de extinção porque ocorre aos poucos, primeiro eles não oferecem vagas para os professores, depois não abrem vestibular. Será uma questão de tempo para alocar os alunos em outros cursos que não sejam a Engenharia Naval, e esse é o nosso medo." 

    O futuro do curso depende do investimento e dos novos professores
    O futuro do curso depende do investimento e dos novos professores | Foto: Lucas Silva

    A importância do curso no AM

    No Brasil há apenas 6 universidades em que  o curso de Engenharia Naval funciona. O profissional da área é responsável por elaborar projetos de embarcações e estruturas flutuantes, estas que são muito comuns na Amazônia e ajudam na locomoção e movimentação da economia dos estados.

    As hidrovias também são de responsabilidade dos engenheiros e há carência em todo o Brasil por profissionais navais.  O Amazonas possui diferentes tipos se estruturas flutuantes e em todas elas o profissional é capacitado para atuar. "É interessante da gente pensar e divulgar para a população que o nosso trabalho é importante se tiver estruturado.", ressalta o professor Alexandre Correa.

    Outro ponto destacado pelos acadêmicos são os três ciclos, o básico, o técnico e o profissional, sendo nessas duas últimas específicas as maiores dificuldades encontradas pelo curso na instituição. "Nós não estamos reivindicando mais que nossos direitos, prestamos vestibular, passamos, ficamos um ano para a escolha do curso e queremos continuar até o fim."

    Os alunos de engenharia no AM reivindicam melhorias
    Os alunos de engenharia no AM reivindicam melhorias | Foto: Lucas Silva

    Vencendo as barreiras no ensino

    Os alunos contaram que mesmo com as dificuldades no ensino com a falta de professores, participam anualmente de competições em todo o Brasil, com apresentação de projetos. " O Amazonas por meio das quatro equipes existentes ficam entre os cinco colocados nas premiações, porém para melhorar a qualidade do nosso curso, precisamos andar com as próprias pernas, pois sentimos a falta de apoio, mas queremos ser bons profissionais e por isso corremos atrás por nós mesmos", esclarecem. 

    O Amazonas possui grande potencial fluvial e precisa de profissionais que atuem na área
    O Amazonas possui grande potencial fluvial e precisa de profissionais que atuem na área | Foto: Lucas Silva

    Nota da UEA:

    Em nota, a assessoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), informou que em nenhum momento  houve a hipótese de extinção do curso.

    "Com o intuito de fortalecer o o curso de Engenharia Naval,  o concurso público de provas e títulos para provimento de cargos de professor da carreira do magistério superior na Universidade do Estado do Amazonas está oferecendo, de imediato, 63 vagas para seleção de docentes na capital e interior. Entre eles, 14 professores serão lotados na Escola Superior de Tecnologia (EST), onde 7 são especificamente para o curso de Engenharia Naval.

    A nota esclarece ainda que as vagas não ofertadas para 2020 foi decisão do Conselho Acadêmico da Escola Superior de Tecnologia, que precisam de tempo para alocar os aprovados no concurso.

    Leia mais:

    Receba as principais notícias do Portal Em Tempo direto no Whatsapp. Clique aqui!:

    Mais de 3 mil vagas são abertas para novos alunos na EUA em 2020

    Amazonense cria 'vaquinha' para participar de cursos em SP e UEA