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    Estudo do corpo


    Anatomia: saiba como ver órgãos fora do corpo humano, em Manaus

    O projeto do museu de Anatomia Patológica tem o intuito de mostrar para a comunidade órgãos do corpo humano, como maneira de alerta para a sociedade. A principio, o projeto contempla apenas estudantes, mas pode ser expandido para a sociedade em geral

    Localizado na Faculdade de Medicina, no Centro de Manaus, o museu é usado para armazenamento de itens do corpo humano para estudo dos universitários da área de saúde das disciplinas de patologia e residentes de patologia | Foto: Naylene Freire

    Manaus - O Museu de Anatomia Patológica da Universidade Federal do Amazonas possui 692 peças catalogadas desde 1978. Localizado na Faculdade de Medicina, no bairro Centro, Zona Sul de Manaus, o espaço é usado para armazenamento de itens do corpo humano para estudo dos universitários da área de saúde das disciplinas de patologia e residentes de patologia. No entanto, o alvo do Museu é levar as informações sobre saúde à população, por meio de exposições em locais públicos.  

    Dentro da coleção existem várias peças envelopadas e outras em vidro, tudo catalogado por equipes de estudo. Enumerados de 1 a 15, encontramos corações, rins, pulmões, bocas, tireoides, intestinos, fígados, vesículas biliares, cérebros, pâncreas, mamas, úteros, fetos, placentas, olhos, entre outros.

    Existem coleções diferenciadas, algumas peças envelopadas e outras em vidro, tudo catalogado por área de estudo e tombado
    Existem coleções diferenciadas, algumas peças envelopadas e outras em vidro, tudo catalogado por área de estudo e tombado | Foto: Naylene Freire

    A professora e especialista em patologia Neila Falcone é a profissional que acompanha o projeto desde 1978. Ela organiza o estudo com muita dedicação e paixão. Segundo Neila, o museu de 41 anos já foi catalogado seis vezes, sendo a primeira vez em 1992 e a última em 2019.

    Para a sala de aula, o projeto permite que os alunos saiam dos livros e possam ver pessoalmente o membro ou órgão estudado. Exemplo: o aluno precisa aprender sobre doenças do coração, na coleção tem coração normal (bom) e outros corações ruins com a doença de coração grande, ou com algum problema na artéria.

    'O mesmo acontece em uma aula sobre cirrose alcoólica. Por exemplo, eles possuem fígados com a doença, e em vários graus, tornando o aprendizado mais fácil. O universitário consegue manusear, ver de perto, observar as cores e identificar o problema", conta a especialista.

    A professora especialista Neila Falcone é a profissional que acompanha o projeto desde 1978, e organiza o projeto com muita dedicação e paixão
    A professora especialista Neila Falcone é a profissional que acompanha o projeto desde 1978, e organiza o projeto com muita dedicação e paixão | Foto: Naylene Freire

    Essa maneira de ministrar aulas torna as apresentações mais didáticas e atrativas, fazendo com que espontaneamente alunos pós-formados queiram fazer especialização na área de Anatomia Patológica, de acordo com Falcone.

    Quem confirma essa curiosidade é a doutoranda em Fisiopatologia da UNESP/Botucatu Naíza Abrahim, que atualmente é colaboradora interna do projeto, e ex-aluna do curso. Ao término das aulas, os alunos, que utilizam o museu, preenchem uma ficha avaliativa do projeto, respondendo sobre a importância do museu nas aulas.

    Saúde para todos

    A ideia do projeto é levar informação de saúde para a população, por meio da exposição, e informar como é necessário cuidar da saúde. Motivar a realização de exames de rotina, autoexames e, principalmente, não ter medo de médico.

    "A finalidade da exposição é levar peças com doenças e explicar às pessoas que, com o laudo precoce, muitas doenças têm cura - inclusive o câncer", destacou Falcone.    

    Na imagem, um útero com mioma e um feto
    Na imagem, um útero com mioma e um feto | Foto: Naylene Freire

    Curiosidades

    Entre as peças, existe um feto no início de gestação, que foi interrompido o desenvolvimento devido a um grande mioma no útero da mãe. O mioma deste caso é auto explicativo, pois é um dos recordistas em tamanho do projeto, com 14 centímetros. A peça chama atenção pelo tamanho e pela preservação do bebê, e auxilia para um estudo mais completo, que é imprescindível para estudiosos da ginecologia. A peça é conhecida no museu por “Joãozinho”.

    Sobre as peças do Museu

    Todo o material usado no acervo é obtido por meio de peças vindas de cirurgias e material post mortem [pós-morte], que significa o tempo decorrido após a morte de uma pessoa. Acontece que, quando uma pessoa morre, existe o serviço de Patologia de Hospitais e Laboratórios particulares. Esse serviço age em conjunto com a autorização dos familiares para a doação dos órgão para estudo e/ou doações.   

    Patologistas

    No Brasil existem apenas 3.210 patologistas. Deste total, 20 são de Manaus.