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    Educação


    Crianças com deficiência visual recebem educação adequada em Manaus

    Professores realizam capacitações para oferecer educação especializada aos alunos

    Manaus -    A inclusão social é pauta em diversos lugares do mundo e a importância de abordar esse assunto só aumenta quando se trata de incluir crianças que possuam deficiência visual no ensino regular. No Amazonas, existem 56.112 crianças portadoras de algum grau de deficiência visual, mas de acordo com Secretaria de Estado de Educação e Qualidade de Ensino (Seduc), somente 87 alunos estão matriculados na rede pública do estado, tanto na capital quanto no interior.

    Soroban, utensilio usado para realizar contas de matemática
    Soroban, utensilio usado para realizar contas de matemática | Foto: Lucas Silva


    Pensando nisso, vários projetos foram criados para promover a educação qualificada às crianças. A Biblioteca Braille do Amazonas, fundada em 1999, tem o objetivo de integrar, promover e incluir pessoas com deficiência visual ao meio social, cultural, educacional e profissional, melhorando assim seu estudo e convivência para contribuir em trabalhos na sociedade.

    O espaço dispõe de um acervo de mais de 6 mil obras, sendo elas livros digitalizados, falados, obras em Braille e filmes com audiodescrição. O espaço conta ainda com uma sessão de filmes espíritas.

    Acervo da biblioteca
    Acervo da biblioteca | Foto: Lucas Silva

    Tecnologia

    Com uma tecnologia avançada, a biblioteca também oferece estúdios de gravação, máquinas de escrever em Braille, computadores especiais de tela auto descritiva, impressoras adaptadas, scanners de voz e lupas eletrônicas para crianças com baixa visão.

    O ambiente também possibilita ao estudante consultar e emprestar diversos livros em Braille e falados, assim como a transcrição de livros e apostilas em tinta para o sistema Braille, gravação de livros e texto em formato MP3.

    Estúdio de edição adaptado para os usurários.
    Estúdio de edição adaptado para os usurários. | Foto: Lucas Silva

    A Biblioteca oferece ainda as canetas falantes, pentop, que permitem o aluno ouvi o conteúdo disposto no livro apenas passando o objeto pela página.

    São promovidos aos deficientes visuais cursos de diversas temáticas. Mas, apesar do espaço oferecer diversos serviços, poucos usuários frequentam a biblioteca, é o que conta o coordenador da biblioteca, Gilson Pereira, que trabalha no local há mais de 20 anos.

    “Eu fico muito feliz de ter parcerias com escolas que trazem os alunos que são deficientes visuais para usufruir do nosso trabalho. Como disponibilizamos muitos cursos, também recebemos muitos estudantes durante esse período. Eles acabam se integrando ao nosso espaço”.

    O coordenador, que também é deficiente visual, explica como o espaço é importante para a formação dessas crianças.

    “A biblioteca oferece diversos serviços adaptados para crianças que são deficientes visuais, já que algumas delas chegam aqui sem conhecer o mundo adaptado que a espera. Aqui elas aprendem a usar computadores com tela adaptada, além de diversos tipos de leitura que desenvolvem o conhecimento”.

    Livros em Braille adaptado para as crianças estudarem.
    Livros em Braille adaptado para as crianças estudarem. | Foto: Lucas Silva

    Direcionamento

    Todos os anos, servidores públicos e da comunidade em geral recebem qualificação adequada pela Escola Estadual de Atendimento Específico Mayara Redman Abdel Aziz, por meio do Centro de Apoio para as Pessoas com Deficiência Visual (CAP). São cursos ou oficinas específicas na área da Deficiência Visual, dentre eles: Curso de Braille, Soroban, Orientação e Mobilidade, Práticas Educativas para Vida Independente, dentre outros. Também são oferecidos seminários, palestras, oficinas e transmissões para os municípios e capital com temáticas relacionadas a inclusão do público alvo da educação especial.

    As capacitações são oferecidas para que os professores se tornem ainda mais aptos para lecionar aos alunos com deficiência visual, é o que conta o professor de educação especial, Vandi Piazza, que leciona na área há 27 anos.

    “Eu leciono em três escolas e nelas eu desenvolvo trabalhos sociais e culturais, além do ensino básico que é oferecido por outros professores. É importante que esses alunos se sintam confortáveis para estudar em um ensino regular, que é adaptado para ele e ofereça outras atividades, como informática adaptada, por exemplo. Essas atividades integram esses alunos na sociedade”.

    Gilson Pereira coordenador da biblioteca em Braille
    Gilson Pereira coordenador da biblioteca em Braille | Foto:


    Cenário

    O Brasil tem uma população de 582 mil cegos e 6 milhões de pessoas com baixa visão, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em todo o mundo há 250 milhões de pessoas com deficiência visual, conforme a Organização Mundial de Saúde.

    Auxilio 

    Ainda de acordo com a Seduc, as escolas que incluem alunos deficientes visuais no Estado recebem assessoramento e sensibilização no ambiente escolar, atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais aos alunos com baixa visão ou cegos e disponibilização de materiais adaptados.