Coronavírus


Universitários buscam manter rotina de estudos durante a pandemia

Em Manaus, diversos jovens estão, por conta própria, mantendo o hábito de estudar, enquanto outros estão se adaptando ao método de educação a distância (EAD)

A universitária Ana Flávia prefere as aulas presenciais | Foto: Divulgação

Manaus – O primeiro caso de coronavírus na cidade de Manaus foi registrado no dia 13 de março. Desde então, universidades e faculdades da capital optaram por paralisar as aulas durante quinze dias. O prazo poderá ser estendido de acordo com a propagação do vírus na região. Enquanto isso, diversos universitários seguem apreensivos e revelam como estão levando a rotina de estudos durante o período de quarentena.

O Ministério da Educação (MEC) publicou no dia 18 de março, quarta-feira, a portaria de nº 343, que autoriza a utilização de meios e tecnologias digitais para a substituição temporária das aulas presenciais pelo prazo inicial de 30 dias em instituições de ensino superior (IES). A medida poderá ser prorrogada conforme orientação do Ministério da Saúde.

A suspensão temporária das atividades presenciais, por ordem governamental ou não, é uma tentativa de reduzir o risco de contágio e disseminação do coronavírus entre os alunos e o restante da população. 

Na rotina

Danton D’Almeida, 21 anos, é acadêmico de Letras Língua e Literatura Portuguesa na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e já está no último ano do curso. O estudante diz que a instabilidade gerada pelo Covid-19 provocou um caos na saúde pública e, também, na educação.

“Acho que esse momento de isolamento e quarentena é sim adequado e necessário, pois precisamos cuidar das pessoas idosas e de nós mesmos, que somos jovens, porque também estamos sendo atingidos. Contudo, confesso que me sinto muito triste e preocupado com a situação. Sempre me questiono, será que vamos perder o período?”, revela o estudante.

Danton segue com os estudos mesmo durante a quarentena
Danton segue com os estudos mesmo durante a quarentena | Foto: Divulgação

Ele explica que a UFAM não está permitindo que exista o Ensino a distância (EAD), então os professores de Letras estão somente recomendando leituras, filmes e séries, para que os alunos não fiquem parados e possam enriquecer seus conhecimentos durante o período. “Estou seguindo uma rotina de estudos, mas não intensamente quanto na universidade. Busco por leituras, atividades e revisões para que, quando tudo volte ao normal, eu tenha uma base, pois sei que será uma correria”, afirma.

Assim como Danton, Carlos Diamantino, 20 anos, também não está contando com o EAD. O jovem é estudante de Odontologia na Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e revela que, no início, a crise parecia distante do Amazonas, então ele acabou não se sentindo preocupado. Contudo, depois dos casos confirmados no Estado, a ficha de Carlos começou a cair. “Atualmente o sentimento é de desorientação, medo, dúvida e receios do que nos aguarda. Não sei quando as aulas vão voltar e como isso vai ocorrer caso tudo volte ao normal”, afirma.

O jovem explica que no curso de Odontologia existes muitos gastos com matérias para as aulas e que esses não podem ser repostos. “No nosso curso também necessitamos das aulas práticas e não estar praticando nos deixa receosos e com medo de 'perder a mão' para certos trabalhos”, descreve.

Em casa, ele conta que está seguindo sua própria rotina de estudos. “Todo dia, estudo algo diferente, focando – principalmente -  em rever assuntos que foram dados em aulas passadas e adiantar, mesmo que mínimo, o que veríamos depois. Mas não é fácil, existem dias que consigo e outros em que sou tomado pela ociosidade e pela sensação de estar fazendo algo que será perdido”, encerra.

Ensino a distância (EAD)

Por outro lado, alunos de diversas faculdades particulares da capital estão mantendo a rotina por meio do EAD. Um exemplo é o da jovem Ana Flávia Costa, 19 anos, que estuda Direito na UniNorte. A acadêmica está no quinto período e declara que, apesar de entender que se prevenir do vírus é o melhor para todos, está muito triste com a paralisação. “Tenho medo de perder o período e prefiro as aulas presenciais. Só fico mais tranquila por estar fazendo algumas aulas e atividades online”, explica.

A universitária Ana Flávia prefere as aulas presenciais
A universitária Ana Flávia prefere as aulas presenciais | Foto: Divulgação

Ana diz que, como as aulas por videoconferência ainda não estão ocorrendo em seu curso, ela acaba estudando sozinha boa parte do tempo. “Sinceramente, não gosto de estudar em casa, porque me desconcentro facilmente e acabo perdendo tempo. Espero que tudo isso passe e possamos voltar à normalidade”, finaliza.

Yasmin Rocha, 20 anos, também cursa Direito, mas na Universidade Nilton Lins. Assim como Ana, ela está fazendo EAD e, de mesmo modo, se sente incomodada por ter que estudar em casa. Porém, entende a necessidade e sente-se feliz por saber que sua universidade está colaborando com a não propagação da doença.

“Acredito que, apesar das aulas EAD, se o vírus não for contido, não teremos como fazer as provas presencialmente e atrasaremos o período de qualquer forma. No melhor dos cenários, a universidade passará trabalhos para compor a nota ou, até mesmo, lançará provas online. Mas isso pode prejudicar alguns alunos que não conseguiram manter o aprendizado dessa forma.”, aponta.

Wesley Serrão, 18 anos, também está com suas aulas na modalidade EAD, na Faculdade La Salle. Ele explica que suas aulas estão sendo pelo Classroom, serviço gratuito feito para professores e alunos. “Alguns professores lançam conteúdos em PDF na plataforma e enviam uma Videoaula. Outros, mandam uma Videoaula acompanhada de um roteiro. Começamos a ter aula online esta semana, praticamente”, esclarece.

Ao contrário de Ana e Yasmin, Wesley está gostando da experiência. “Tenho até mais tempo para estudar, consigo aproveitar o conteúdo que me é passado e não me limito apenas aos PDFs e as Videoaulas, procuro outras fontes. Às vezes, fico inseguro, porque sei que estudar assuntos acadêmicos pela internet pode ser perigoso, mas busco observar bem as fontes”, encerra.