Mercado e Ensino


Desafio de terminar a faculdade e buscar vaga no mercado de trabalho

Segundo especialistas, diante de um mercado de trabalho cada vez mais exigente, jovens precisam se capacitar além do ensino que a universidade oferece

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Amazonas teve um saldo negativo de 8,5 mil vagas de trabalho no mês de abril | Foto: Lucas Silva

Manaus - A modalidade de ensino a distância tem crescido no país com a suspensão das aulas presenciais durante a pandemia. As aulas on-line passaram a ser a principal alternativa para que os universitários não perdessem o semestre, no entanto, a educação a distância implantou alguns desafios aos acadêmicos.

As mudanças repentinas que ocorreram no mundo, aliadas ao rápido desenvolvimento das tecnologias da informação, têm aumentado a capacidade de modernização dos processos educacionais que passaram a implantar a tecnologia nos métodos de ensino, porém nem todas as instituições estavam preparadas para enfrentar a pandemia do novo coronavírus e o método de ensino à distância (EAD) acabou trazendo alguns desafios aos acadêmicos.

Para o acadêmico do sétimo período do curso de direito, Gabriel Pessoa, as dificuldades com as aulas on-line prejudicaram seu entendimento quanto aos conteúdos abordados no semestre.

“Não tive um bom aproveitamento nesse período, as aulas presenciais são sem dúvidas mais atrativas. Entendo a atual situação, mas teria outras formas de repor as aulas perdidas sem que precisássemos de aula on-line. Considero um tempo perdido, pois a absorção de conteúdo e disponibilidade de tempo são perdidos hora que estamos em casa e temos outras atividades, você indo para a aula presencial tem um foco maior”, afirmou.

No âmbito acadêmico há uma variedade nos cursos oferecidos pelas universidades e muitos casos as aulas on-line nem sempre são a melhor opção. É o caso da acadêmica de gastronomia Rita Araújo, que destacou a importância das aulas presenciais para o desenvolvimento profissional.

“Com as aulas on-line me sinto totalmente despreparada, acredito que foi um período perdido. No meu curso as aulas presenciais são muito importantes, pois a profissão é baseada na prática, mesmo que dentro de sala, as aulas são muito importantes”, ressaltou.

Conexão

Outra dificuldade recorrente apresentada pelos acadêmicos é a instabilidade na rede de internet na capital amazonense que passou a apresentar inúmeras falhas durante a pandemia comprometendo o desenvolvimento dos jovens nas aulas.  “Várias aulas eu não conseguia ouvir o que o professor falava e acabava acompanhando apenas pelos slides disponibilizados, foi bem complicado”, contou Rita.

O formando de jornalismo Hudy Almeida, teve complicações no sinal durante o momento mais importante da graduação, a apresentação do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

“A internet caiu bem na hora da minha apresentação no trabalho, fiquei um pouco desesperado e a alternativa foi usar os dados móveis para entrar na plataforma novamente, deu tudo certo no final, mas é algo que atrapalha um pouco”, analisou.

Mercado

A pandemia mudou a rotina de todos e atrapalhou os planos de jovens que planejavam ingressar no mercado de trabalho do ano seguinte a formação. Para a jornalista recém-formada Marcela Fernandes, o momento trouxe desânimo quando olha para o futuro da profissão.

“Depois de me formar imaginei que ia ser fácil arranjar emprego em minha área como jornalista, mas com toda essa situação fiquei com bastante medo. Isso, claro, não me impediu de continuar distribuindo currículos, hoje estou cursando Direito em busca de mais estabilidade financeira”, disse.

Marcela acredita que o mercado de trabalho para sua profissão tem sofrido muitas mudanças e acredita que algumas vagas exigem atividades não compatíveis com a formação dos candidatos.

“O mercado está cada vez mais difícil e competitivo e a área de comunicação já não exige apenas uma boa redação, mas sim habilidades multitarefas. As vagas para estudantes são oferecidas com diversos requisitos que parecem ser destinados a uma pessoa formada. Acredito que os setores de RH precisam se informar mais com relação às atividades desenvolvidas por cada profissional, pois o que se vê é uma mistura gigantesca de funções”, afirmou Fernandes.

Segundo o especialista em orientação profissional, João Júnior, as empresas buscam cada vez mais exigências para os jovens que desejam ingressar no mercado de trabalho.

“Os acadêmicos precisam ser proativos, dinâmicos, criativos e executar as tarefas com êxito essas são as principais exigências que o mercado tem feito atualmente, por isso o jovem precisa sempre estar antenado nas redes sociais e no que está acontecendo de novo no mundo. Uma boa alternativa é investir em estágios ainda durante a formação”, orientou.

O estágio é uma oportunidade dada ao universitário para conhecer o mercado de trabalho da sua área e desenvolver bons relacionamentos com profissionais já formados e atuantes. No entanto, com a pandemia, a oportunidade acabou sendo suspensa para muitos jovens que estavam iniciando a vida profissional. Gabriel estagiava em uma secretaria municipal e teve o contato suspenso devido à pandemia.

“O estágio era o início da minha carreira profissional, amadureci mais com todos os ensinamentos passados no meu primeiro emprego. Ele proporcionou uma desenvoltura melhor nas questões da faculdade, pois no trabalho eu desenvolvia diversas peças que são pedidas em algumas matérias da faculdade. Com a pandemia os contratos foram suspensos e além de ficar sem a bolsa financeira sinto que perdi bons aprendizados”, informou o acadêmico.

Formação

Já para a jornalista Jackeline Corrêa, as aulas on-line foram bem aproveitadas durante as orientações de TCC, que foram desempenhadas com sucesso e a formação acabou sendo concluída on-line.

“Eu já tinha concluído as disciplinas anteriores, então acabei ficando apenas com as orientações de TCC que para mim tiveram o mesmo efeito que as presenciais, no fim deu tudo certo e eu me formei com uma ótima nota no trabalho de conclusão. Eu me sinto preparada para o mercado”, destacou.

Jackeline se formou on-line e afirma que está preparada para ingressar no mercado
Jackeline se formou on-line e afirma que está preparada para ingressar no mercado | Foto: Arquivo Pessoal

Hudy também apresentou seu TCC durante a pandemia e mesmo com outras disciplinas acredita que as aulas a distância o fizeram ter um ótimo desempenho.

“As aulas presenciais acabam distraindo muito os alunos devido a fatores externos, com as aulas on-line eu mantive o foco do início ao fim das aulas, então para mim não houve grandes dificuldade e hoje estou feliz em ter concluído minha formação”, acrescentou o recém-formado.

Apesar das dificuldades, Hudy apresentou TCC on-line e concluiu a graduação com êxito
Apesar das dificuldades, Hudy apresentou TCC on-line e concluiu a graduação com êxito | Foto: Arquivo Pessoal

Emprego

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Amazonas teve um saldo negativo de 8,5 mil vagas de trabalho no mês de abril. Com um total de 14,2 mil desligamentos. Os números de desempregados assusta quem está saindo da faculdade neste período da instituição

De acordo com o economista Ailson Rezende, os jovens saem despreparados nas universidades e a saída para que eles fiquem preparados para o mercado é se capacitarem de maneira complementar.

“No atual cenário do mercado as empresas estão buscando multiprofissionais e infelizmente as grades disciplinares das universidades não preparam os profissionais para a nova realidade. Por isso, é necessário que os universitários se aprofundem em outros segmentos de formação e sempre estejam antenadaos sobre o que as empresas estão buscando nos novos profissionais”, finalizou. 

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