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    Startup criada por cineastas negros leva equipamentos para baixa renda

    Acelerado pelo Instituto Ekloos em parceria com a Oi Futuro, projeto WoTec vem democratizando o mercado do audiovisual

    A pesquisa “A cara do cinema nacional” mostra que o Brasil das telas do cinema é um país predominantemente branco. Apesar de serem mais de metade da população (50,7%), os pretos e pardos representaram apenas 20% dos atores e atrizes que atuaram em papéis de destaque nos filmes brasileiros de maior bilheteria nos últimos anos. | Foto: Divulgação

    Dois irmãos e uma única paixão: fazer cinema! Nascidos na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi em 2016 que Hugo Lima e Nathali de Deus, após o desafio de aprontarem “Siyanda”, filme que  foi produzido em um prazo de 72 horas, identificaram a necessidade de se criar um negócio que disponibilizasse soluções tecnológicas de baixo custo para cineastas independentes e de baixa renda, viabilizando a produção audiovisual em comunidades e periferias.

    O filme, que tratava de uma mulher negra rejeitada em uma vaga de emprego, produzido com poucos recursos técnicos e financeiros, foi bem avaliado pela crítica e venceu o prêmio de melhor roteiro, conquistando a posição de 3° melhor filme no Festival 72horas. Inconformados com as dificuldades de fazer cinema no Brasil, Hugo e Nathali criam um coletivo de cinema negro que foi batizado com o nome do premiado filme e também uma startup de tecnologia, hoje a WoTec, que em iorubá (Wo) significa (visão), e Tec, em português, a abreviação tecnologia.

    Dois jovens negros que começaram a produzir cinema perceberam a dificuldade de adquirir equipamentos para a produção. Eles entenderam que não dava mais para fazer cinema simplesmente com uma câmera e uma ideia na cabeça, precisa de mais. Técnico em eletrônica há mais de 16 anos, Hugo Lima cursou engenharia da computação e atualmente cursa Cinema na Academia Internacional de Cinema (AIC). Nathali de Deus é antropóloga formada pela Universidade Federal Fluminense – UFF e mestranda em relações étnico-raciais pela CEFET-RJ, sua dissertação não poderia ser outra, cinema negro. 

    A WoTec surge como startup brasileira que é pioneira em criar do artesanal para o altamente tecnológico, levando qualidade e criatividade para o audiovisual. Foi durante a pandemia, em agosto deste ano, que o projeto foi selecionado para o Programa de Aceleração Social Impulso, uma iniciativa do Instituto Ekloos, com o apoio do Oi Futuro e Labora e patrocínio da Oi e Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro.

    O objetivo do edital foi impulsionar negócios de impacto social, grupos e coletivos da área cultural, para que possam se desenvolver, estruturar/aperfeiçoar seus processos de gestão e ampliar o seu impacto social. Após participar do programa de aceleração, Hugo e Nathali remodelaram os produtos, desenharam estratégias, e agora estão sendo lançadas para o mercado. 

    “A grande maioria das pessoas que adquirem nossos produtos são pessoas pretas, muitas não têm condições de comprar este e outros equipamentos das grandes marcas” afirma Nathali de Deus.

    Equipamentos de baixo custo para produções com quase zero de orçamento são as características da WoTec, a empresa que vem sendo acelerada através de mentorias do Instituto Ekloos, está produzindo no mercado equipamentos e acessórios como: três tabelas, suspensão pra microfone shotgun, estojos para cartão de memória, presilhas elásticas, baterias para câmeras e equipamento de áudio, suporte para câmeras, mesas de luz inteligente wi-fi e sem fio, entre outros.

    Ao todo, são 3 linhas de produtos: produtos de assistência de câmera, equipamentos com eletrônica embarcada para luz e câmera, acessórios vestíveis como coletes e cartucheiras para set de filmagens. A pandemia, que automaticamente aumentou o número de produções em vídeo, fez com que as vendas da 

    Com a vasta experiência em eletrônica, a paixão por cinema e o conhecimento mais que vivido das desigualdades étnico-raciais, Hugo e Nathali, co-fundadores da WoTec, são pautados também nos números que mostram um cenário nada favorável para negros no mercado de longas metragens comerciais, de acordo com o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa – Gemaa, 78% são homens brancos, 19% são mulheres branca, 2% são homens negros e 0% mulheres negras. É com base nestes dados, que a WoTec trabalha para levar equipamentos e facilitar principalmente produções que são desenvolvidas por pessoas negras. 

    A pesquisa “A cara do cinema nacional” mostra que o Brasil das telas do cinema é um país predominantemente branco. Apesar de serem mais de metade da população (50,7%), os pretos e pardos representaram apenas 20% dos atores e atrizes que atuaram em papéis de destaque nos filmes brasileiros de maior bilheteria nos últimos anos. 

    Com a morte de jovens negros, pobres e das periferias brasileiras, demonstrando um enorme genocídio no país e visto que muitos de seus clientes são produtoras e cineastas que residem nessas periferias, a WoTec teve a preocupação de criar equipamentos que não tivessem a cor preta, sendo assim, todos os equipamentos que saem da startup são coloridos, justamente para que estes cineastas ao chegarem em suas comunidades com um equipamento, que este não fosse confundido. 

    “Decidimos que nossos produtos não poderiam ser pintados de pretos, ou cores escuras, para evitar que fossem confundidos com armas de fogo. Isso não garante que incidentes como se não aconteçam, mas foi uma estratégia que adotamos pensando na segurança de quem usa. Dessa forma qualquer pessoa pode utilizar nossos produtos.” completa Hugo Lima.

    Cineastas, pequenas e grandes produtoras e produtores de conteúdo audiovisual podem adquirir os produtos da WoTec através do site, instagram ou WhatsApp. Os produtos estão disponíveis pela loja https://www.wotecnologia.com.br/shop.

    Sobre o Instituto Ekloos

    Atuando há treze anos com o objetivo de apoiar outras organizações a se estruturarem e aperfeiçoarem seus processos para gerar mais impacto social, o Instituto Ekloos é pioneiro no modelo de Aceleradora Social, sendo a primeira a trabalhar com organizações sem fins lucrativos. Hoje, a Ekloos é a maior aceleradora social do Brasil, já tendo acelerado mais de 600 iniciativas de impacto social. Além da aceleração de iniciativas de impacto, o Instituto Ekloos também trabalha com as áreas de Responsabilidade Social de empresas, fundações e institutos, definindo estratégias de responsabilidade social e multiplicando o investimento através da gestão de iniciativas inovadoras.  

    Fatos relevantes sobre o Instituto Ekloos:

    1) É a primeira e maior aceleradora social do Brasil. Já acelerou mais de 600 iniciativas sociais.

    2) Criou o conceito de aceleradora social, inspirado no mercado corporativo que tem aceleradoras que trabalham apenas com startups. A aceleradora social trabalha com quem gera impacto social (negócios sociais e OSCs)

    3) Está entre as 10 melhores aceleradoras do Brasil (prêmio Abstartup 2018)

    4) impacta por ano mais de 60 iniciativas sociais, que atingem mais de 50 mil pessoas

    5) Foi fundado por uma ex-executiva da Microsoft que resolveu deixar o mercado corporativo para gerar impacto social.

    6) A equipe da Ekloos é formada 95% por mulheres.

    7) A  equipe da ekloos vai na contra mão da maioria das pessoas, pois é apaixonada pelo o que faz e tem prazer em acordar na segunda-feira para ir trabalhar.

    8) Adapta metodologias do mercado corporativo para ser utilizado por iniciativas de impacto. Criou o Impacto Social Canvas para ajudar os empreendedores sociais a estruturarem suas ideias.

    9) É uma organização sem fins lucrativos, que não quer ganhar dinheiro e sim ampliar o impacto social que as 490 mil ONGs geram no Brasil.

    10) O nome Ekloos quer dizer eco de ecoar a mensagem do voluntariado e do olhar pelos mais necessitados. Elo para unir as empresas, as ONGs, o empreendedor que tem uma ideia, a pessoa que precisa de ajuda. A letra K representa a inovação, que é o que a Ekloos quer levar para todas as iniciativas que apoia, pois utilizando as inovações, aumentam as chances de impactar positivamente a sociedade.

    *Com informações da assessoria

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