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    Pesquisa científica


    Pesquisa analisa uso da planta 'quebra-pedra' no combate a doenças

    A planta medicinal pode conter substâncias que podem ser potencialmente ativas contra protozoários

    | Foto: Gabrielly Conrado

    Manaus - A pesquisa avaliou a atividade antiprotozoária de extratos, frações e compostos isolados das folhas da planta conhecida popularmente como “quebra-pedra” (Phyllanthus amarus), contra os agentes causadores da doença de Chagas e Leishmaniose cutânea. Gabrielly Conrado, doutora em Ciências, na área de concentração em Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde, foi uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo.

    Diferentes estudos já foram realizados para analisar o potencial fármaco da planta "quebra-pedra", que é muito utilizada no combate a pedra nos rins, mas este é pioneiro, pois analisa as lignanas bioativas presentes nas folhas da "quebra-pedra". Segundo Gabrielly, estas doenças fazem parte da lista de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), que são responsáveis pela alta mortalidade anual em países tropicais subdesenvolvidos, daí a importância de se descobrir novos agentes antiprotozoários.

    "Estas parasitoses acometem principalmente populações de baixa renda e apresentam complicações terapêuticas, reforçando a urgência de medicamentos alternativos. As plantas medicinais podem conter substâncias que podem ser potencialmente ativas contra estes protozoários. A partir deste estudo foi possível encontrar substâncias de origem vegetal que foram capazes de inibir o crescimento de parasitas causadores de duas importantes doenças negligenciadas (Chagas e Leishmaniose cutânea) sem causar toxicidade às células de macrófagos, que fazem parte do nosso sistema imunológico", explica a doutora.

    O estudo mostrou que as lignanas apresentaram ação seletiva contra os protozoários Trypanosoma cruzi  (Doença de Chagas) e Leishmania amazonensis (Leishmaniose cutânea). Além disso, verificou-se que as lignanas causam alterações no potencial de membrana mitocondrial, diminuindo o controle respiratório do protozoário da Leishmaniose. "Esse dado é muito importante, pois este parasita possui apenas uma mitocôndria considerada a principal fonte de ATP [Trifosfato de Adenosina], portanto ela é um potente alvo quimioterápico", afirma Gabrielly.

    A pesquisadora doutora Gabrielly em apresentação do trabalho
    A pesquisadora doutora Gabrielly em apresentação do trabalho | Foto: Arquivo pessoal

    Métodos utilizados

    Para realizar o estudo, foi necessária a realização de diversos métodos. De acordo com a pesquisadora, para a fitoquímica, análise dos compostos do metabolismo de plantas e vegetais, foram feitas a cromatografia em fase gasosa acoplada a espectrometria de massa (CG-EM), Cromatografia Flash, Clássica e Delgada e Ressonância Magnética Nuclear com análises uni e bidimensionais.

    Já para as atividades biológicas, os testes de viabilidade celular foram realizados por meio do método de do MTT. "A determinação do controle respiratório de promastigotas foi realizada por medidas de consumo de oxigênio em oxígrafo com eletrodo de oxigênio tipo Clark acoplado a um computador", explica a doutora.

    A pesquisa foi realizada no Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) em parceria com o Laboratório de Estudos de Biologia da Infecção por Leishmania (LEBIL), Laboratório de Bioenergética e Defesas Antioxidantes de Tripanosomatídeos (LabdaT) do Instituto de Biologia da Universidade de Campinas (Unicamp) e com o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) forneceu o apoio à pesquisa.

    Com quatro anos e meio de duração, a pesquisa nomeada "Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida" teve um artigo publicado na Revista Planta Medica

    Para a obtenção de resultados, foram realizados diversos métodos que analisaram as lignanas da planta
    Para a obtenção de resultados, foram realizados diversos métodos que analisaram as lignanas da planta | Foto: Arquivo pessoal

    Doença de Chagas e Leishmaniose cutânea

    A doença de Chagas pode ser transmitida pela ingestão de alimentos contaminados, contato com fezes dos insetos contaminados (como o barbeiro), via transfusão sanguínea ou transplante e quando mulheres infectadas passam para o bebê no parto ou durante a gravidez. Ela apresenta uma fase aguda que pode ser sintomática ou não, e uma fase crônica, que pode se manifestar nas formas indeterminada, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. Alguns sintomas na fase aguda são febre por mais de sete dias, dor de cabeça e fraqueza intensa.

    Na Leishmaniose cutânea causada pelo protozoário Leishmania amazonensis, encontrado especialmente nas florestas da Amazônia Legal (Amazonas, Pará, Tocantins e Maranhão) o contágio se dá através da picada de fêmeas dos insetos infectados, que causam úlceras e mucosas na pele. As lesões cutâneas são mais frequentes nas áreas do nariz, que ocasiona sangramentos, crostas e feridas, e da boca, provocando dor ao engolir, rouquidão e tosse. 

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