Nutrição


Leites em pó e condensado são feitos a partir da castanha-do-brasil

Pesquisadores da Amazônia desenvolveram o método. A Coordenadora do projeto, Ariane Mendonça Kluczkovski, explica o benefícios

Produtos são  alternativas  de substituição de fonte proteica, aos que têm intolerância ao leite de vaca
Produtos são alternativas de substituição de fonte proteica, aos que têm intolerância ao leite de vaca | Foto: Reprodução

Manaus- Um estudo científico feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) desenvolveu leites em pó e condensado feito da castanha-do-Brasil. A coordenadora do projeto, Ariane Mendonça Kluczkovski, explica que os produtos possuem um nível de proteína que concorrem diretamente com o leite de proteína animal e de origem vegetal, como a soja, ao mesmo tempo que tem um sabor gostoso.

De acordo com a coordenadora do projeto, além das amêndoas das castanheiras serem fontes de ingredientes culinários para o preparo de novos alimentos, elas poderão agregar valor às cadeias produtivas extrativistas de castanha-do-brasil no estado do Amazonas. “A castanheira e suas demais partes possuem várias aplicações. A amêndoa é o principal produto, sendo um alimento rico em proteínas, minerais, lipídeos, vitaminas e ação antioxidante. Pode ser consumida in natura ou usada para extração de óleo”, destacou Ariane.

Estudo foi coordenado pela pesquisadora Ariane Mendonça Kluczkovski
Estudo foi coordenado pela pesquisadora Ariane Mendonça Kluczkovski | Foto: Divulgação/ Fapeam

Os benefícios

O leite de castanha é uma bebida rica em vitamina K, magnésio, selênio e ferro, nutrientes que exercem importantes funções para o funcionamento do corpo. Sendo uma semente do mesmo grupo das nozes, amêndoas e outras oleaginosas, ela é rica em gorduras boas, minerais e fitoquímicos, e tem elevado valor nutritivo

Ela fortalece os ossos por conter magnésio e fósforo, ajuda reduzindo os níveis do colesterol LDL (mau colesterol) e aumentando os níveis do colesterol HDL (bom colesterol) e fortalece o sistema imunitário.

Além disso, ela movimenta a economia de pequenos municípios e povos da floresta amazônica. Seu valor econômico é cada vez maior. Quase toda a produção de castanha-do-brasil é exportada, principalmente para os Estados Unidos e a Inglaterra. Estima-se que a indústria internacional de castanha movimente entre R$ 18 milhões e R$ 65 milhões por ano segundo o site agencia Brasil.

A nutricionista Ana Paula Giorgi Magalhães, diz que o diferencial fica por conta do baixo teor de gorduras totais, alta porcentagem de gorduras mono e poli-insaturadas, que são benéficas para o coração.

Possuem ainda grande quantidade de vitamina B, que funciona como uma proteção para o sistema nervoso, pele e cabelos. Outra vantagem é a relação equilibrada entre o sódio e o potássio, que ajuda na manutenção da pressão arterial.

Além disso, os açúcares dessas bebidas são liberados no sangue pouco a pouco, mantendo a glicemia em nível linear, o que é ideal para pessoas com diabetes, explica.

Aceitação

Os testes sensoriais para avaliar os atributos como, o aroma, o sabor, a doçura, a cor, a textura e a aparência geral, do leite condensado produzido, foi realizado por 120 provadores não-treinados residentes na cidade de Manaus. O leite condensado obteve 89% de aceitação em todos os atributos sensoriais avaliados e, a intenção de compra foi de aproximadamente 68%.

Estudo foi realizado com apoio da Fapeam, por meio do Tecnova
Estudo foi realizado com apoio da Fapeam, por meio do Tecnova | Foto: Divulgação/Fapeam

A busca por produtos mais naturais

Segundo a pesquisa da Nielsen, o brasileiro vem adotando hábitos de consumo mais saudáveis. No primeiro semestre desse ano nos supermercados os consumidores têm optado por produtos com adição de fibras, vitaminas e minerais (45%) e alimentos orgânicos (35%).

Além disso, estão reduzindo gordura (57%), sal (56%), açúcar (54%), alimentos industrializados (38%), cafeína (34%), lactose (27%) e glúten (27%). Dos mais de 21 mil entrevistados, 74,3% afirmaram "ter saúde" como um dos objetivos de vida e 33% disseram fazer exercícios regularmente.

O projeto “Aproveitamento do potencial proteico da castanha-do-brasil na obtenção de novos produtos”, levou quatro anos para ser concluído. A pesquisa foi desenvolvida na empresa Nutricon Consultoria e Análises de Alimentos e no laboratório do Núcleo de Composição e Toxicologia de Alimentos (Necta) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e, amparado pelo Programa de Subvenção Econômica à Inovação Tecnológica em Micro e Empresas de Pequeno Porte no Estado do Amazonas (Tecnova/AM), edital Nº 025/2013.

O estudo resultou, ainda, na formação de recursos humanos com a elaboração de quatro trabalhos acadêmicos, sendo duas dissertações de mestrado e duas bolsas de iniciação científica e, além disso, a publicação de artigo científico na revista European Academic Research.

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