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    Saúde feminina


    Estudo do AM aponta câncer uterino atrelado ao HPV

    Pesquisa descreve o perfil de mulheres pré-selecionadas, com idades entre 31 e 70 anos

    Estudo é fruto de pesquisa do Programa de Apoio à Iniciação Científica do Amazonas (Paic/AM), edição 2019/2020, da Fapeam | Foto: DIvulgação/Fapeam

    Manaus (AM) - O câncer de colo do útero é causado por infecção sexualmente adquirida com certos tipos de papilomavírus humano (HPV). Quanto mais tempo uma mulher permanece infectada pelo vírus, maior é o risco de desenvolver a doença. Sabendo disso, um estudo científico feito por um estudante do Amazonas traçou o perfil do câncer de colo uterino tendo como objeto de pesquisas mulheres que se tratam na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon).

    Essa infecção sexualmente transmissível muitas vezes não causa sintomas, mas pode provocar verrugas genitais em homens e mulheres. A organização mundial da saúde (OMS) já indicou que dois tipos de HPV (16 e 18) causam 70% dos cânceres do colo do útero e lesões pré-cancerosas. Muitas das vezes este tipo de câncer surge após os 30 anos de idade. Este é um índice alto que mulheres devem se atentar quanto a sua saúde para não desenvolverem um câncer uterino.

    Ao todo, 17 pacientes mulheres, com idades entre 31 e 70 anos, foram objetos deste estudo. 82,3% das mulheres tiveram câncer de colo do útero a partir do HPV. O estudante de biomedicina Marcos Bruno Lino, orientado pela professora Heidy Halanna de Melo Farah Rondon, entrevistou mulheres, que tiveram seus nomes preservados, identificando comportamentos e sintomas para traçar um perfil do câncer de colo uterino originado pelo HPV. “Esta parceria da pesquisa com a medicina clínica é apenas uma união para trazermos uma melhor qualidade de vida para a paciente”, afirma o autor da pesquisa.

    Os dados da pesquisa, que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), apontaram que as situações que aumentam a probabilidade de ocorrência pela infecção estão relacionadas ao uso de anticoncepcionais oral e/ou injetável (69,1%) dos casos, seguidas de mulheres com baixos níveis de escolaridade (64,7%) e início de atividade sexual em idade precoce entre os 11 e 20 anos (64,7%).

    “Os casos tendem a aumentar, pois a educação sexual nas escolas ainda é fraca. Não se fala muito sobre isso. E quando tentamos falar sobre o assunto nas escolas públicas, recebemos as perguntas de muitos jovens que alguma das vezes nem ouviram falar desse vírus. Os pais também por não saberem falar sobre o assunto acabam agravando isso”, explica Lino.

    Para a presidente da Associação Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia (ASSAGO), Sigrid Cardoso, o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de colo uterino ainda é a presença do vírus HPV. “Mais de 97% dos tumores de colo uterino contém DNA-HPV. Outros fatores de risco incluem início precoce de atividade sexual (menor 16 anos), alto número de parceiros sexuais e tabagismo”, afirma a ginecologista.

    A pesquisa deve ganhar mais amplitude. “Essa pesquisa servirá de base para a tese de doutorado da minha orientadora, a professora Heidy Halanna de Melo Farah Rondon. Com isso teremos mais dados de base para essa pesquisa”, afirma Lino.

    Estimativa

    De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) o número de casos novos de câncer do colo do útero esperados para o Brasil, para cada ano do triênio 2020-2022, será de 16.590, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas Regiões Norte (21,20/100 mil), Nordeste (17,62/100 mil) e Centro-Oeste (15,92/100 mil). Já na Região Sul (17,48/100 mil), ocupa a quarta posição e, na Região Sudeste (12,01/100 mil), a quinta posição.

    Premiação

    O projeto desenvolvido por Marcos Bruno Lino e orientado pela professora Heidy Halanna de Melo Farah Rondon está entre os dois trabalhos científicos melhor colocados entre os apresentados na IX Jornada Científica do Paic/FCecon – 2019/2020.

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