ÁGUA


Ribeirinhos do Amazonas terão acesso à água potável

No início do mês, a comunidade Santa Rita, no Purus, ganhou um sistema de abastecimento e tratamento de água que vai beneficiar 114 pessoas

A meta do programa no Amazonas é impactar mais 492 famílias e 1164 pessoas em comunidades ribeirinhas com água tratada e encanada | Foto: Dirce Quintino/Ascom

Manaus - Sistema, que capta por meio de energia sustentável trata e leva água até as casas de populações ribeirinhas, é resultado de parceria entre FAS, Instituto Coca-Cola Brasil, Fundação Avina e World-Transforming Tecchnologies

“Saber que nossos netos e outras crianças vão ter água limpa é um sonho realizado. É uma felicidade muito grande”, disse a dona de casa Maria da Conceição Laborda, 45, moradora da comunidade Santa Rita, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu Purus, no município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus). Ela é uma das centenas de moradoras de regiões isoladas do Amazonas, a receber na sua casa água encanada e tratada, por meio do Aliança Água+Acesso. 

Moradora da RDS Piagaçu, Maria da Conceição, comemora chegada da água potável
Moradora da RDS Piagaçu, Maria da Conceição, comemora chegada da água potável | Foto: Dirce Quintino/AScom

O programa que existe desde 2017 é organizado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e um grupo de instituições parceiras como o Instituto Coca-Cola Brasil, a Fundação Avina e a World-Transforming Tecchnologies (WTT), que juntas, estão ampliando a plataforma que trabalha com soluções inovadoras e sustentáveis para levar água potável a essas populações distantes. 

Atualmente em três comunidades amazonenses, o Aliança Água+Acesso vai chegar, até abril de 2019, a mais dez localidades ribeirinhas no Estado. Uma das primeiras beneficiadas neste ano foi Santa Rita, onde dona Maria Conceição conta que perdeu um filho por falta de água tratada. No início do mês, a comunidade ganhou um sistema de abastecimento e tratamento de água que vai beneficiar 114 pessoas.

O sistema conta com uma estação que capta água subterrânea por meio de um poço artesiano, cuja bomba é alimentada por um sistema híbrido de energia (solar e a diesel). 

“Essas placas também vão abastecer um gerador de energia local, que vai auxiliar o funcionamento do sistema de água em casos de emergência, como falta de luz solar”, explica a coordenadora do Programa Água+ Acesso pela FAZ, Valcleia Solidade. 

Armazenada, a água ainda receberá um tratamento que utiliza luz ultravioleta para combater microrganismos e substâncias químicas. Depois de tratada, a água chegará até as residências utilizando uma rede de distribuição própria. 

O novo sistema, segundo Valcleia, receberá manutenção e gestão dos próprios moradores, que serão treinados.

“Fizemos a análise da água da comunidade e mostramos que é completamente inapropriada para o consumo. Com a perfuração do poço, além de terem uma água de excelente qualidade, eles vão receber tratamento e distribuição, tudo por meio de uma energia limpa. E caso dê um problema, quebrar uma bomba, eles mesmos estarão habilitados a fazer a manutenção, por meio de treinamentos”, explica. 

De acordo com Rodrigo Brito, coordenador do programa pelo Instituto Coca-Cola Brasil, a meta do programa no Amazonas é impactar mais 492 famílias e 1164 pessoas em comunidades ribeirinhas com água tratada e encanada. 

“Água é o DNA do nosso negócio e estamos determinados a criar valor além das fronteiras das nossas fábricas e da nossa cadeia produtiva. Investir nesse acesso gera enormes benefícios sociais e econômicos às famílias, governos e região. Ao somar e integrar capilaridade, recursos e expertise, esta aliança contribui para potencializar a atuação de cada ator e do ecossistema, para que mais brasileiros tenham acesso à água de forma segura e sustentável”, afirma Brito. 

Sistema de abastecimento de água instalado na comunidade Santa Rita, no Purus
Sistema de abastecimento de água instalado na comunidade Santa Rita, no Purus | Foto: Dirce Quintino/AScom

Água tratada e saúde

Ter água encanada e limpa para a dona de casa Maria da Conceição, vai muito além de facilitar os afazeres domésticos e de uso pessoal. Para ela, que perdeu um filho recém-nascido por não ter água limpa em casa, o acesso a água tratada é fundamental para a qualidade de vida de todos, principalmente, das crianças da comunidade.

“Eu perdi a minha filha com dez meses de vida. Ela teve problemas de infecção, vômito e diarreia. Não tinha água limpa. Tudo era mais difícil. Além de não ter água boa, a gente não tinha embarcação para levar ela ao hospital”, conta. 

Ao relembrar a história, ela conta com emoção, mas busca olhar para o futuro e se volta para a neta de quatro anos e fala com esperança de dias ainda melhores. “A gente fica feliz em saber que o nosso sonho de água limpa se realizou”, comemora.

Situação parecida a de dona Maria vivenciou a dona de casa Kelly Regina Dantas, 33. Em 2001, o filho de apenas oito meses também passou mal e teve infecção ocasionada pela ingestão de água não tratada.

“Na época não tínhamos acesso a água limpa e a meios para tratar a água. Eu fazia o que me ensinavam, fervia a água, mas mesmo assim ele sofreu com uma infecção intestinal e quase veio a óbito. Ele ficou muitos dias internados e foi um milagre ter sobrevivido”, relembra. 

Hoje, com 18 anos, o filho está saudável e a dona de casa comemora a chegada de água tratada à comunidade. “É um privilégio muito grande ter água limpa. Não só para minha família, mas para todas as crianças que estão chegando e que vão ter essa oportunidade. O que eu passei com a experiência de mãe não desejo para ninguém. As crianças serão as mais beneficiadas e hoje é só abrir a torneira e já temos água limpa”, ressalta.

Comunidades

Outra comunidade que também receberá estação de água movida por energia solar é a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da RDS do Rio Negro, que já deve ganhar o novo sistema em novembro. As comunidades Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré e Santa Sofia, que ficam dentro da Reserva Extrativista Catuá Ipixuna, serão beneficiadas com outro sistema de água, o purificador Água Box, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa). Ele desinfeta os recursos hídricos por meio de radiação ultravioleta tipo C.

Em outras quatro comunidades - São João do Uauaçu, Beabá de Baixo, Vila do Itapuru e Surara, que ficam também dentro da RDS do Piagaçu-Purus - serão implantados poços artesianos de uso comunitário, com rede de distribuição, que funcionarão durante o período da seca e da cheia dos rios, evitando o consumo de águas poluídas pelos moradores.

*Com informações da assessoria

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