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    Meio ambiente


    Restauração da Mata Atlântica com custo oito vezes mais caro

    Estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution apresenta algoritmo inédito, que combina conservação da biodiversidade, mitigação de mudanças climáticas e redução de custos

    O grupo buscou desenvolver uma metodologia para entender em quais áreas a recuperação traria um melhor custo-benefício
    O grupo buscou desenvolver uma metodologia para entender em quais áreas a recuperação traria um melhor custo-benefício | Foto: Divulgação

    Uma pesquisa inédita desenvolveu um algoritmo capaz de identificar as áreas prioritárias da Mata Atlântica a serem restauradas, combinando três fatores essenciais: conservação da biodiversidade, mitigação de mudanças climáticas e redução de custos.

    A equipe liderada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Bernardo Strassburg, apresentou ferramenta baseada em Programação Linear (PL) que aponta um conjunto de cenários possíveis de recuperação florestal em escala nacional.

    O algoritmo desenvolvido alcança a solução considerada ótima, que tem desempenho 33% melhor em relação às obtidas pelas ferramentas disponíveis, que se baseiam em aproximações matemáticas.

    “A diferença que isso faz para a Mata Atlântica é enorme: são 450 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) a menos na atmosfera, 308 espécies menos extintas e 4 bilhões de dólares de redução de custos”, afirma Strassburg, que é diretor do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS) e coordenador do Centro de Ciências da Conservação e Sustentabilidade do Rio (CSRio).

    A pesquisa foi desenvolvida por 25 pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Suécia e Polônia, e mapeou 362 soluções para recuperação florestal com um custo-benefício oito vezes maior do que aquelas obtidas por métodos usuais.

    Strassburg participou do desenvolvimento do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, instituído em 2017, que determinou que o Brasil deve restaurar, em 20 anos, 12 milhões de hectares de floresta, sendo 5 milhões de Mata Atlântica - o equivalente a 4% desse bioma.

    “Onde promover essa restauração faz uma grande diferença”, afirma o economista e cientista ambiental.

    O grupo buscou desenvolver uma metodologia para entender em quais áreas a recuperação traria um melhor custo-benefício.

    “Essa ferramenta deveria ter uma abordagem flexível que integrasse múltiplos critérios – não apenas a conservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas ou a redução de custos. Queríamos um algoritmo que fizesse os três ao mesmo tempo”.

    Estima-se que, hoje, restam apenas de 22 a 28% da Mata Atlântica original. Por isso, definir onde serão recuperados os 5 milhões de hectares desse bioma requer uma estratégia cautelosa.

    As 362 soluções ótimas encontradas são diversas e decidir qual é a melhor depende dos objetivos. Em um dos melhores cenários, cada um dos três fatores – conservação da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e custos – têm um desempenho de cerca de 94%, 90% e 80%, respectivamente.

    “Mas definir se é melhor ter um desempenho de 94% para conservação e 90% para redução de CO2 na atmosfera ou o contrário, isso se trata de uma escolha da sociedade”, destaca Strassburg.

    Pela legislação, cada propriedade deve ter, no mínimo, 20% de vegetação de Mata Atlântica, e as que estiverem abaixo da meta devem fazer a restauração – não necessariamente na sua própria terra, pois a lei permite que o produtor pague por essa recuperação em outros locais.

    “O pior cenário encontrado na análise é cada proprietário restaurar a vegetação em seu terreno, em pequenos projetos pulverizados. Sai mais caro e é pior para a biodiversidade e para o clima. Por isso, é importante considerar a inteligência espacial trazida pelas soluções do algoritmo”.

    A descoberta inédita foi publicada esta semana em um artigo na renomada revista Nature Ecology & Evolution. Os mapas produzidos serão utilizados como instrumento para a definição de áreas prioritárias para restauração pelo Ministério do Meio Ambiente e a metodologia está sendo replicada para outros
    biomas e países.

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