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    Meio Ambiente


    Drones irão monitorar ninhos de tartarugas em praias da Amazônia

    Pesquisadores do Instituto Mamirauá, WWF-Brasil e a Universidade da Flórida começaram a testar os equipamentos para iniciar o monitoramento aéreo da praia do Horizonte

    Com câmera de alta definição, controlado de forma remota o equipamento fez os primeiros sobrevoos, em setembro, na busca por rastros das tartarugas até os seus ninhos
    Com câmera de alta definição, controlado de forma remota o equipamento fez os primeiros sobrevoos, em setembro, na busca por rastros das tartarugas até os seus ninhos | Foto: André Coelho

    Manaus Localizada às margens do Rio Solimões, no Estado do Amazonas, a praia do Horizonte é uma faixa de areia com atuais 9 quilômetros de extensão (o tamanho varia diariamente e anualmente com a variação no nível do rio).

    Ela é um ponto de desova para centenas de quelônios, entre tartarugas-da-amazônia, iaçás e tracajás, e também foco de interesse de pesquisadores e ativistas, preocupados com a conservação dessas espécies.

    De olho na proteção de áreas de reprodução como essa, o Instituto Mamirauá, a WWF-Brasil e a Universidade da Flórida estão testando drones para o trabalho de monitoramento.

    Drones para monitorar tartarugas em praias da Amazônia
    Drones para monitorar tartarugas em praias da Amazônia | Foto: Marina Secco

    O objeto voador, que parece com um mini helicóptero, fez os primeiros sobrevoos na praia do Horizonte em setembro desse ano. Controlado de forma remota por um piloto integrante da pesquisa, o drone realizou percursos aéreos a diferentes altitudes, filmando e fotografando com uma câmera de alta definição o relevo da praia.

    A ideia, de acordo com a pesquisadora Marina Secco, é identificar rastros de tartarugas na areia e, assim, chegar até os ninhos.

    Os voos-teste foram realizados na faixa de 11 às 14 horas, quando os raios do sol chegam à superfície da terra em ângulos mais próximos a 90 graus, facilitando ainda mais a visibilidade.

    Os melhores resultados foram gravados a 20 metros de altura em relação à praia. “Conseguimos ver perfeitamente os rastros de tartarugas-da-amazônia na areia, que do alto parecem marcas feitas por um tratorzinho”, compara. “As marcas da iaçá, que é um quelônio de menor porte, também foram nítidas”.

    “Com o possível sucesso desses experimentos, esperamos em breve poder usar drones para contagem de ninhos”, indica Marina, que faz parte do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

    Tecnologia a serviço da conservação

    Desde a década de 1990, o instituto apoia ações de conservação de quelônios realizadas de forma voluntária por moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, onde está a praia do Horizonte. A conservação comunitária de praias, que envolve a contagem e monitoramento de ninhos de tartaruga, está nesse rol e pode ser ampliada com o auxílio dos drones.

    “Uma das vantagens da tecnologia é reduzir o tempo gasto no monitoramento de uma única praia e distribuir melhor os esforços para encontrar novas áreas de desova nessa região. Em pontos de difícil acesso, também podemos usar os drones para fazer a contagem remota de ninhos dos quelônios”, explica Marina Secco.

    Além das metas diretamente ligadas à conservação, a pesquisadora aponta que os veículos aéreos não tripulados também podem ser úteis em estudos mais amplos sobre a ecologia de quelônios na Amazônia. A ferramenta tem potencial em levantamentos de altimetria (medição de altitudes) em pontos de desova nas praias.

    Próximos passos

    Os vídeos e as fotos captados na praia do Horizonte estão agora sob a análise de equipe da Universidade da Flórida, parceira do projeto. “A ideia é ver em que medida os pesquisadores de lá conseguem identificar os rastros de tartarugas e os ninhos nas imagens, qual a taxa de erro entre a contagem in loco (feita pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá na praia) e a contagem feita por eles nas imagens”, explica Marina.

    Os testes foram financiados pela Disney Conservation Fund, Rufford Foundation e tem apoio da WWF-Brasil. Depois da avaliação dos resultados, a expectativa dos integrantes do projeto é que os drones possam ser integrados a projetos de conservação na região amazônica.