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Pesquisa estuda fungos do rio Amazonas para combate ao câncer

Pesquisadores buscam identificar novas substâncias antitumorais que possam ser utilizadas na produção de fármacos contra a doença

O estudo tem a finalidade de investigar o potencial biológico desses microrganismos, por meio de ensaios de atividade antioxidante, microbiológica e citotóxica
O estudo tem a finalidade de investigar o potencial biológico desses microrganismos, por meio de ensaios de atividade antioxidante, microbiológica e citotóxica | Foto: Divulgação

Manaus - O rio Amazonas  pode oferecer respostas para vários tipos de cânceres. Projeto desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Metabolômica e Espectrometria de Massas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), pretende descobrir se linhagens de fungos filamentosos encontrados no fundo do rio, podem produzir substâncias contra os cânceres de fígado, mama, colo do útero e sangue.

O estudo tem a finalidade de investigar o potencial biológico desses microrganismos, por meio de ensaios de atividade antioxidante, microbiológica e citotóxica. 

A descoberta de novos compostos bioativos é o primeiro passo para auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos capazes de combater a proliferação de células tumorais.

O coordenador do projeto e pós-doutor em Química Orgânica e professor da Universidade do Estado do Amazonas, Héctor Koolen, explica que os resultados alcançados por meio dos estudos com os fungos filamentosos devem fomentar a pesquisa de base na área de química e farmácia no Estado do Amazonas, além de descobrir as potencialidades da biodiversidade amazônica.

“A pesquisa especificamente com esses fungos está na etapa microbiológica, ou seja, é a fase em que os fungos estão sendo propagados e em seguida preservados. Entretanto, os estudos laboratoriais identificaram moléculas com potencial biotecnológico em fungos endofíticos e em plantas da região”, informou Héctor.

Processo

Para identificar se é possível isolar essas substâncias e utilizá-las farmacologicamente contra o câncer, o pesquisador explica que serão feitas a caracterização química de 110 linhagens de amostras desses novos microrganismos. A ideia é verificar se os compostos são responsáveis por atividades antitumorais.

“A produção de medicamentos será possível se, ao longo do processo de estudos, as substâncias forem aprovadas nos testes pré-clínicos com camundongos. Mas não basta que a molécula seja ativa, ela necessita não ser prejudicial ao restante do organismo".

Isso será avaliado neste projeto de modo a fomentar o interesse de alguma indústria farmacêutica para as sínteses e estudos clínicos. O processo para que um candidato vire fármaco é difícil e leva em média 15 anos para a aprovação final. 

Objetivo

Desde 2015, o grupo de pesquisa estuda linhagens de fungos, com o trabalho de identificar, catalogar e preservar as estirpes.

Para Koolen, a principal meta do projeto é a descoberta de uma molécula orgânica com potencial anticâncer in vitro e in vivo que seja produzido por um fungo do Amazonas.

“Iniciativas na área como a que esse projeto se propõe constituem o primeiro, e bastante importante, passo para o apoio estratégico ao desenvolvimento econômico-ambiental do Estado do Amazonas”.

Segundo Héctor, a pesquisa se justifica pela necessidade de adquirir um amplo conhecimento em relação ao potencial do Amazonas em gerar um novo candidato a insumo farmacêutico no combate ao câncer.

“O Estado do Amazonas por toda sua riqueza de recursos naturais constitui um depósito de moléculas bioativas ainda por descobrir. Infindáveis espécies de fungos, muitas delas ainda nem descritas, habitam o nosso Estado e podem fornecer novas moléculas com atividade anticâncer”, completa Koolen.

Programa Amazonas Estratégico

O projeto é desenvolvido em  parceria com o Instituto Gonçalo Moniz da Bahia (Fiocruz – BA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa Amazonas Estratégico.

*Com informações da assessoria

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