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    Corte


    Governo federal corta 25% de verbas do Inpa

    Pesquisadores afirmam que os trabalhos no órgão ficarão comprometidos na instituição por causa do corte de verbas do Governo Federal

    O corte vai afetar os projetos do órgão federal | Foto: Marcely Gomes

    Manaus - “Cortar os recursos das pesquisas não prejudica apenas o presente, mas sim o futuro da nação”. O discurso forte do professor Marcelo Vallila, mestrando em Serviço Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), vai de encontro com a revolta sentida pelos servidores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), após o governo federal anunciar o corte de 25% no orçamento da instituição para este ano. A verba fazia parte do programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MTIC).

    Na última semana, quando o anuncio foi feito, os profissionais do Inpa entregaram para o ministro Marcos Pontes um manifesto lamentando a decisão e enumerando os prejuízos para o órgão responsável pela pesquisa na região amazônica.

    Criado nos anos 50 pelo então presidente Getúlio Vargas, o Inpa já viveu dias de glórias, todavia nos últimos anos vem sofrendo com a falta de reposição no quadro de pesquisadores, principalmente pela demora na realização de concursos públicos. Para o professor Marcelo Vallila, a situação ficará pior com o novo anúncio.

    “Esse corte vai afetar terrivelmente o Inpa. Ele já vinha sofrendo pela falta de reposição dos pesquisadores. Agora, o corte vai piorar ainda mais a situação das pesquisas, o programa de divulgação cientifica. O corte causou um retalhamento na bolsa do curso de pós-graduação. Não esquecer que as universidades são responsáveis por produzir mais de 90% do conhecimento do País. Isso afeta o modelo de desenvolvimento. Se você cortar os recursos de quem faz pesquisas, você não prejudica apenas o presente, mas o futuro da nação”, disse Vallila, que ainda se mostrou totalmente pessimista em uma reviravolta na situação, que não afeta apenas o Inpa, mas também os jovens que estão sendo preparados nas universidades públicas federais.

    “Não vejo uma solução. Estamos negativos enquanto a isso. O projeto não visa as universidades públicas. No futuro, já estão programando cobrarem mensalidades dos alunos. Hoje, temos segundo dados das Associação dos Reitores, quase 70% dos alunos de famílias que vivem com três salários mínimos. Então, temos uma população que precisa desse programa público para estudar. Se você cortar isso, mais os cortes na verba para pesquisas, vemos o país caindo no buraco do desconhecimento”, afirma.

    De acordo com a pesquisadora doutora Sonia Alfaia, o contingenciamento também irá afetar os contratos de prestação de serviços vigentes no Inpa, aumentando assim o número de desempregados no Estado.

    Hoje, 40% dos 516 servidores do Inpa cumpre abono permanência, sendo que não existe previsão de recompor o quadro de funcionário da instituição que já contou com 1.200 funcionários.

    Todavia, ao ser questionada sobre o anúncio do ministro Marcos Pontes, a diretora do Inpa Antônia Franco minimizou as consequências a instituição, afirmando que será possível manter as atividades normalmente no local.

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