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    Política


    Comandos militares negaram apoio a GLO na Amazônia, diz Ibama

    Documento do instituto relatou pelo menos três nativas do comando do Exército a operações contra garimpos ilegais

    Ibama ainda usa recursos do Fundo Amazônia
    Ibama ainda usa recursos do Fundo Amazônia | Foto: Ibama

    Manaus - Um ofício do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) revela que o comando das tropas do Exército responsável, por dar suporte à missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ambiental como decretado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. 

    Segundo documento divulgado pelo site Congresso em Foco e pelo jornal O Globo, no fim de semana, os militares teriam se recusado a apoiar as ações do Ibama em pelo menos três operações alegando que as ações poderiam resultar na destruição dos equipamentos irregulares.  

    A destruição de maquinário em operações do Ibama é autorizada pela legislação ambiental desde 1998, apesar de ser alvo de críticas de setores do agronegócio e de integrantes do governo Jair Bolsonaro, e do próprio presidente, que no mês de abril deste ano, chegou a comentar que esse tipo de ação poderia acabar com o seu governo. 

    De acordo com o ofício datado do dia 23 de setembro e expedida pela coordenação de operações de fiscalização, “Foi reportado pelos coordenadores de campo três situações em que embora as bases do GLO e as bases do GCDA (Coordenação Geral de Defesa e Área) estivessem articuladas no mesmo município e no mesmo período os Comandos Militares recusaram-se a prestar apoio devido ao fato de que a ação do Ibama pudesse acarretar destruição de bens”, diz 

    No mesmo dia 23 de setembro, o presidente assinou um decreto para autorizar uma operação de GLO, com o uso das Forças Armadas, para o combate a queimadas na Amazônia. 

    O Ministério da Defesa disse, em nota, que “a Operação Verde Brasil, por ser uma operação conjunta, demanda a execução de ações coordenadas entre as Forças (Armadas) e agências envolvidas”. Ainda conforme a nota, “para execução de ações necessárias à solução das ocorrências, há a necessidade de adoção para a melhor estratégia para cada situação”.  

    O Ministério também informou que o balaço da Operação Verde Brasil já resultou em 22.661,98m³ de madeira apreendida, destruição de 18 acampamentos clandestinos, interdição de 4 madeireiras ilegais, R$ 56 milhões em multas 204 termos de infração lavrados, aplicação de R$ 56 milhões em multas, oito pontes destruídas, 77 pessoas detidas, além da apreensão de 17 caminhões, oito tratores e uma escavadeira. 

    Negação

    A primeira negativa do Exército relatada pelo documento ocorreu no dia 11 de setembro, quando a GLO agiria na repressão de garimpo ilegal, na terra indígena Trincheira Bacajá, no Estado do Pará. A segunda negativa ocorreu no dia 15 de setembro, numa ação no Alto do Rio Guamá, que acabou sendo realizada com apoio da Polícia Federal. A terceiro, sem data, seria uma ação contra garimpos ao longo da Rodovia BR-163. 

    O documento do Ibama diz que, os militares argumentaram que “a operação poderia causar problemas tendo em vista as negociações que estavam em curso com os garimpeiros e o recente bloqueio da BR-163. O que o Exército classificou como “negociações” no documento são as pressões de garimpeiros da região de Moraes de Almeida, no Pará sobre o governo Bolsonaro. 

    No mês de setembro, eles foram flagrados por fiscais do Ibama avançando com garimpo ilegal sobre a floresta nacional do Grepori. Na ocasião, três máquinas retroescavadeiras foram destruídas na ação do Ibama. Por conta das perdas do maquinário, os garimpeiros trancaram a passagem da BR-163. Dias depois, eles foram recebidos em audiência no Palácio do Planalto pelos ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni e do Meio Ambiente, Ricardo Salles.