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    Conhecimento


    Projeto da UEA monitora qualidade da água nas microbacias de Manaus

    Alunos coletaram amostras em 45 pontos das bacias do São Raimundo e do Educandos para o monitoramento da qualidade da água e para a criação de IQA

    Acadêmicos dos cursos de Química e de Meteorologia da UEA realizaram a coleta de amostras | Foto: Lucas Silva

    Manaus – Você já deve ter ouvido a famosa frase “Água é vida” e foi pensando nisso que os estudantes e professores da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), desenvolveram o projeto “Monitoramento dos Igarapés do São Raimundo e Educandos” que monitora a qualidade da água das microbacias de Manaus. O projeto é uma parceria da UEA com a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) e a Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA).

    O projeto tem resultados das análises das 45 amostras coletadas em diferentes pontos das microbacias de Manaus, sendo 14 pontos na bacia do igarapé do Educandos e 31 no igarapé São Raimundo, que compõem o Índice de Qualidade da Água (IQA) refletindo a realidade da região Norte.

    A ação teve início ainda em fevereiro deste ano, mas de acordo com o coordenador e professor Sergio Duvoisin Junior, a equipe teve um ano de treinamento antes de começar a fase inicial do projeto.

    “Não é só colocar a sonda na água e realizar a coleta, é necessário coletar e analisar se o material naquele local pode dar um resultado falso. Então a equipe precisa está preparada para todas as situações possíveis, tivemos um treinamento intensivo e por isso a pesquisa já está além do que imaginávamos”, explicou Sergio.

    A ação teve início ainda em fevereiro deste ano
    A ação teve início ainda em fevereiro deste ano | Foto: Lucas Silva

    O coordenador ressaltou ainda que o projeto é pioneiro na região Norte, pois não existe um Índice de Qualidade de Água (IQA) da região. A longo prazo o projeto irá ajudar a caracterizar a qualidade da água em comparação a estudos futuros.

    “Nós usamos o índice de água das regiões Sul e Sudeste. E pode não parecer válido, mas por meio do estudo de monitoramento das microbacias é que será desenvolvido o primeiro IQA para a região Norte e futuramente reunir dados que serão apresentados a setores públicos para melhoria dessas fontes”, ressaltou o professor.

    O projeto tem resultados das análises das 45 amostras coletadas em diferentes pontos das microbacias
    O projeto tem resultados das análises das 45 amostras coletadas em diferentes pontos das microbacias | Foto: Lucas Silva

    De acordo com a universidade, o objetivo é disponibilizar aos gestores da área de recursos hídricos, os dados necessários para as ações de melhoria da qualidade destes corpos hídricos. Além disto, mostrar para comunidade em geral todos os pontos selecionados para a coleta e também a qualidade da água por meio de um mapa interativo onde o visitante da página poderá com apenas um clique verificar as informações completas sobre a pesquisa.

    A parceria institucional faz parte de um termo de fomento, no valor de R$ 1,4 milhão, proveniente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que possibilitou a compra e manutenção de equipamentos, como destiladores Kjeldhal, Demandas Bioquímicas de Oxigênio, Espectrofotômetro UV-Vis, entre outros. Os equipamentos irão beneficiar os cursos de Engenharia Química, Química, Biotecnologia, Farmácia, Ciências Biológicas, Gestão Ambiental, Petróleo e Gás e Produção Pesqueira e Saneamento Ambiental.

    Como é feito o monitoramento?

    O monitoramento é feito por 15 alunos e professores de graduação e pós-graduação
    O monitoramento é feito por 15 alunos e professores de graduação e pós-graduação | Foto: Lucas Silva

    O monitoramento é feito por 15 alunos e professores de graduação e pós-graduação que reúnem todas as amostras coletadas em campo e analisa cada uma para que seja identificado a qualidade da água desde a nascente dos igarapés até a área urbana da cidade que eles correm. O estudo identifica também os animais presentes nas fontes e como eles vivem.

    Os igarapés possuem de 24 a 40 quilômetros de extensão e a equipe percorre o perímetro realizando coletas a cada 1km para que a análise seja completa. As coletas em cada igarapé duram três dias e depois seguem para análise. A química Sara Loiola, explicou a sua participação na extensão do projeto e como é feito a coleta das águas.

    As coletas em cada igarapé duram três dias
    As coletas em cada igarapé duram três dias | Foto: Lucas Silva

    “Nós trabalhamos em todas as etapas, desde a preparação da matéria para a coleta até o fim dos resultados e apesar de parecer simples, é um processo muito complexo porque cada amostra carrega um tempo de vida último, o fósforo tem 28 dias, nitrogênio sete dias e materiais que tem 24 horas. Então é preciso ser ágil, além de reutilizar os frascos de coleta que serão usados na semana seguinte”, ressaltou.

    Apesar do esforço, a química Aleine Sales afirma que vale a pena e algumas etapas do projeto são usadas para o estudo que ela busca apresentar na conclusão da especialização. “Hoje nós caminhamos para uma nova fase do projeto que identifica os metais presentes das águas, verificando quais estão solúveis e em suspensão. Além disso, checamos a quantidade e como eles podem ou não prejudicar as microbacias e esse é o trabalho que eu irei apresentar na conclusão do mestrado”, ressaltou a bacharel.

    Identificação

    O projeto conta com um site aberto ao público, onde são divulgados os resultados das análises
    O projeto conta com um site aberto ao público, onde são divulgados os resultados das análises | Foto: Lucas Silva

    O projeto conta com um site aberto ao público, onde são divulgados os resultados das análises da água que variam entre 0 a 100 sendo 0 a pior qualidade e 100 a melhor. De acordo com o professor e coordenador da equipe, Rafael Lopes, a qualidade da água é visivelmente ruim, mas não estão completamente perdidas.

    De acordo com o professor e coordenador da equipe, Rafael Lopes, a qualidade da água é visivelmente ruim
    De acordo com o professor e coordenador da equipe, Rafael Lopes, a qualidade da água é visivelmente ruim | Foto: Lucas Silva

    “Claramente as águas dos igarapés urbanos em Manaus não são indicadas para uso pessoal dos moradores da redondeza, o que antes podia servir para lazer da população hoje está fora de cogitação, mas com base no estudo que nós fazemos, identificamos a presença de tartarugas, jacarés e outros animais que ainda vivem nestes ambientes, apesar de estarem doentes se a poluição dessas bacias reduzirem a qualidade da água também melhora”, ressaltou o professor.

    Conscientização da população 

    O coordenador de campo alertou que ainda falta conscientização da população para parar de poluir os igarapés para que as microbacias voltem a ser mais saudáveis
    O coordenador de campo alertou que ainda falta conscientização da população para parar de poluir os igarapés para que as microbacias voltem a ser mais saudáveis | Foto: Lucas Silva

    De acordo com Rafael, um dos principais pontos que fazem com que as qualidades das águas sejam baixas é o descarte incorreto dos lixos e resíduos sanitários nos igarapés que são descartados pelos próprios moradores.

    “Em campo nós escutamos que a culpa é sempre do morador que está mais perto da nascente da bacia, mas o ponto que a pesquisa indicou com qualidade da água saudável é na nascente, então é onde a poluição não está tão grande, sendo assim a própria população polui algo que deveria ser usado para o benefício”, explicou Rafael

    O coordenador de campo alertou que ainda falta conscientização da população para parar de poluir os igarapés para que as microbacias voltem a ser mais saudáveis. O estudo analisa ainda a qualidade das águas do Rio Negro, Solimões e Rio Amazonas.

    O site pode ser acessado no link: https://sites.google. com/uea.edu.br/qualidade-da-agua-prosamim/ projeto.