Comércio ilegal


Instituto chama atenção para comércio ilegal de madeira

Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registra que o desmatamento na Amazônia teve um aumento de 171% nesses últimos seis meses

Os dados indicam, que o Pará é um dos que mais desmatam na região. Em seguida vem Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Roraima e Acre | Foto: Divulgação

Após duas grandes apreensões de madeira extraídas de forma ilegal, que aconteceram em Manaus nos meses de março e setembro, o Instituto Amazônia Equatorial, uma organização social de interesse público federal que tem o papel de alertar as autoridades do cumprimento das leis ambientais, chama atenção da população para o desenvolvimento de uma comunicação mais ativa em relação a ilegalidades e denúncias sobre crimes ambientais.      

A primeira apreensão, aconteceu no início de março, quando uma balsa que transportava mais de 1000 m³ de madeira ilegal foi apreendida, pelas equipes do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Batalhão Ambiental e Polícia Federal.  O material apreendido, com documentos divergentes sobre sua origem, seria da empresa Knauf Isopor, que produz embalagens para várias empresas do Polo Industrial de Manaus.

A segunda, que aconteceu há aproximadamente duas semanas foi realizada durante uma megaoperação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e  resultou na apreensão de pelo menos 12 caminhões de madeira ilegal. De acordo com o presidente do Instituto  Amazônia Equatorial, Hipérion Monteiro, as madeiras extraídas de forma ilegal na cidade de São José de Baliza, Roraima estariam sendo comercializadas novamente para a multinacional francesa Knauf Isopor da Amazônia. Além desta multinacional, algumas olarias também estariam participando da comercialização. O alerta chama atenção das autoridades para ações de fiscalização com mais rigor nos carregamentos de toras de madeiras oriundas do Sul do Estado de Roraima e de outros meios de transporte como as balsas fluviais vindas do Interior do Amazonas.

Segundo Hipérion, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) registra que o desmatamento na Amazônia teve um aumento de 171% nesses últimos seis meses, em comparação   com ano passado. “O total desmatado é o maior dos últimos dez anos e a área desflorestada chega a ser do tamanho da cidade de Porto Alegre, e é responsável por 32% da área desmatada”, diz o presidente.

Os dados indicam, que o Pará é um dos que mais desmatam na região. Em seguida vem Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Roraima e Acre. “O sistema de monitoramento mostra que dez municípios foram responsáveis por mais da metade do desmatamento na Amazônia, Altamira e São Felix do Xingu, Pará e Apuí, no Amazonas. É comum que empresas interessadas na exploração madeireira optem por tocar seus negócios de forma ilegal”, diz, acrescentando que o Instituto tem o papel de alertar autoridades e entidades de fiscalização no cumprimento das leis ambientais.

Ele destaca ainda que a prática desse comércio ilegal pode gerar consequências desastrosas, principalmente, na imagem das   empresas que compactuam com esse tipo de comércio sem esquecer, é, claro, dos impactos ambientais. “As consequências são graves, perda de biodiversidade, aumento do risco de extinção de animais silvestres entre tantos outros. Mas estaremos junto com autoridades competentes denunciando, participando e publicando resultados de ações bem-sucedidas da Policia Federal, Ibama e Ipaam, afirma.

Hipérion Monteiro reforça a importância da participação da comunidade e a convida para que ela participe de forma mais efetiva em relação as ilegalidades e crimes ambientais, utilizando canais de denúncias oficias e também as redes de comunicação digital para denunciar.  “É importante salientar que o Instituto Amazônia Equatorial estará sempre buscando divulgar e informar a sociedade os resultados positivos de operações, e as pessoas e empresas envolvidas, para que a sociedade possa enxergar, e se posicionar quanto crimes contra a nossa Amazônia”, finaliza.

*Com informações da assessoria