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    Preservação Ambiental


    Amazônia tem 5% de suas espécies em risco de extinção

    Destacam-se na lista de extinção o Sauim-de-coleira, a Arraia-Aramaçá e o Maçarico-de-costas-brancas

    O Sauim-de-coleira é encontrado nas proximidades de Manaus
    O Sauim-de-coleira é encontrado nas proximidades de Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus –  A Floresta Amazônica é conhecida mundialmente por sua diversidade. A cada ano que passa aumenta a possibilidade de animais em risco de extinção. A Amazônia já tinha, em 2014, pelo menos 278 espécies em risco de extinção, o equivalente a 5% de seu bioma – superando o Pantanal (4%) nessa condição. Destacam-se na lista de extinção o Sauim-de-coleira, a Arraia-Aramaçá e o Maçarico-de-costas-brancas. Os dados estão no estudo “Contas de Espécies Ameaçadas”, que faz parte do Sistema de Contas Econômicas Ambientais do IBGE

    O Sauim-de-coleira é encontrado nas proximidades de Manaus, enquanto a Arraia-Aramaçá está nas bacias do Amazonas e do Tocantins, e o Maçarico-de-costas-brancas só pode ser achado em manguezais – que também estão ameaçados de extinção.

    O ambientalista e geógrafo Carlos Durigan, alerta que apesar de a Amazônia não ser o bioma mais ameaçado, este número cresce devido as ações humanas. 

    “É importante ter em conta que os fatores relacionados a isso estão ligados a atividade humana. Hoje, o que mais ameaça essas espécies é a perda de habitat, seja pelo desmatamento, poluição de rios e igarapés, e também a perseguição como a questão da caça, captura para o tráfico e o comércio ilegal de animais, claro que existem outros pontos de risco. A Amazônia não é o bioma mais ameaçado, mas esse número está aumentando", afirma.

    Para o  especialista, o principal desafio é tentar conter esse processo de degradação, que não respeita as áreas protegidas que são estabelecidas para proteger espécies e ambientes e ao mesmo tempo, tentar sensibilizar as pessoas sobre as atividades degradantes. "Vivemos em um momento que precisamos refletir sobre os nossos hábitos, sobre a questão do uso do fogo, por exemplo, que tem sido uma frente importante esse ano”.

    O Brasil tem 3,2 mil espécies de animais e plantas ameaçadas, o que representa 19,8% do total de 16,6 mil espécies avaliadas, conforme pesquisa Contas de Ecossistemas: Espécies ameaçadas de extinção no Brasil 2014, divulgada no dia 5 pelo (IBGE).

    O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira, ressalta que a Amazônia é o bioma brasileiro com bastante vulnerabilidade, afetando as espécies do local.

    “Algumas espécies são muito sensíveis e não resistem ao confrontamento ou a exploração. Outras, como o sauim-de-coleira, ocupam regiões muito restritas e quando essas áreas sofrem algum processo antrópico, elas não resistem”, pontua.

    Biomas

    Registrado como o bioma com maior número de espécies ameaçadas, a Mata Atlântica, possui 1,9 mil espécies, o que equivale 25% do seu total. Em seguida vem o Cerrado, com 1.061 espécies ameaçadas, 19,7% do total de espécies do bioma e a Caatinga com 366 espécies. O Pampa tem um registro de 194 espécies ameaçadas, segundo a pesquisa.

    O estudo analisou a fauna e a flora segundo sua ocorrência nos biomas – Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampa, Pantanal e Mar e ilhas oceânicas – e tipos de ambiente (terrestre, água doce e marinho).

    Segundo o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), André Luiz, que atua na conservação de espécies de felinos e mamíferos amazônicos, uma espécie pode ser extinguida numa escala mundial e regional, e pode desaparecer apenas em uma determinada região.

    "Um dos fatores é a degradação dos ambientes naturais onde essas espécies habitam, como a expansão urbana, desmatamento, poluição dos ambientes, uso de agrotóxico, a caça predatória, tráfico dos animais silvestres, diversos fatores que aumentam a extinção desses animais”, afirma.

    Para o especialista, as leis devem ser mais rigorosas para ter o controle da preservação e conservação da flora e fauna. “Podemos ser mais conscientes no uso dos recursos, saber sobre os processos desses recursos. Em termos de leis, com o tempo, acredito que devam ser mais rigorosas, no momento elas são falhas, fazendo com o custo benefício disso ainda seja alto, como por exemplo, poluir um ambiente, tráfico de fauna e flora, para termos controle é necessário leis mais efetivas para melhorar essa cadeia”, enfatiza. 

    Iniciativas

    A assessoria da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), informou que desenvolve ações para diminuir casos de extinção na Amazônia, entre elas estão o Programa de Monitoramento de Biodiversidade e Uso de Recursos Naturais em Unidades de Conservação Estaduais que possui monitoramentos como: in situ da biodiversidade e componentes florestais e aquáticos, monitoramento de fauna com uso de armadilhas fotográficas, monitoramento de quelônios. A Sema também participa do Programa de Pró-Espécies que prioriza a integração da União de estados na implementação de políticas públicas, procurando incentivar iniciativas para reduzir as ameaças e melhorar o estado de conservação de pelo menos 290 espécies categorizadas como criticamente em perigo. 

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