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    Cúpula do Clima


    Bolsonaro promete zerar até 2030 o desmatamento ilegal

    Presidente discursou na Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada por Joe Biden

    | Foto: Reprodução

    O presidente do Brasil Jair Bolsonaro prometeu nesta quinta-feira (22), durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, adotar medidas que reduzam as emissões de gases e reafirmou "compromisso" com a eliminação do desmatamento ilegal até 2030, conforme o presidente já havia dito em uma carta enviada a Joe Biden. Ele pediu "justa remuneração" por "serviços ambientais" prestados pelos biomas brasileiros ao planeta.

    Lideranças de mais de 40 países do mundo participam na quinta-feira (22) e sexta-feira (23) da Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo governo dos Estados Unidos de forma on-line, transmitido mundialmente. O evento se inicia no dia mundial da Terra, data que representa a luta em defesa do meio ambiente, promovendo a reflexão sobre a importância do planeta e o desenvolvimento de uma consciência ambiental.

    "Destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030 com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data (2050)", destacou o presidente da República Jair Bolsonaro, sendo o 20º líder a discursar na cúpula.

    No último dia 9, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que os alertas de desmatamento na Amazônia bateram recorde em março. Ao todo, foram 367, km².

    Ainda conforme o Inpe, o desmatamento na Amazônia em 2020 foi mais de três vezes superior à meta proposta pelo Brasil para a Convenção do Clima.

    “Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano. A solução desse 'paradoxo amazônico' é condição essencial para o desenvolvimento sustentável na região”, disse o presidente em defesa da Amazônia.

    Repercussão

    Para o biólogo e ambientalista do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Philip Fearnside, é preciso ter cautela quanto às expectativas que podem se gerar a partir do discurso do presidente. “Legalizar alguns desmatamentos também é acabar com o desmatamento ilegal. É fazer alguns desmatamentos deixarem de ser ilegais. Portanto é preciso ver como o governo vai se posicionar a partir desse discurso”.

    Ajuda da comunidade internacional

    No último dia 15, se tornou conhecido o conteúdo de uma carta enviada por Bolsonaro a Biden na qual o presidente brasileiro pediu a ajuda "possível" da comunidade internacional para as políticas ambientais. Quatro dias depois, no dia 19, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil "não tem que ser mendigo" na busca por recursos para combater o desmatamento ilegal.

    Metas anteriores 

    A meta do Brasil era reduzir em 43% as emissões até 2030, com base em dados de 2005. Isso significaria emitir 1,2 bilhão de tonelada de gases. No fim de 2020, no entanto, o governo brasileiro pretendia manter o percentual mesmo após revisão dos números absolutos previstos na meta original do Acordo de Paris.

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