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    Amazônia


    Desmatamento na Amazônia em abril é o maior visto no mesmo mês

    Medições do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a Amazônia teve o pior desmatamento de todos os meses de abril da história com 580,55 km² registrados de área desmatada

    Os dados mostram que o desmatamento na região em abril cresceu 42% | Foto: Divulgação/Agência Brasil

    MANAUS - O desmatamento na Amazônia é um dos problemas ambientais mais graves do Brasil e que afeta diretamente esse bioma. Todos os meses, Institutos monitoram as áreas que sofrem esse desmatamento com objetivo de apresentar alertas ao governo.

    Pelo segundo mês seguido, a Amazônia bateu o recorde recente de desmatamento. Segundo medições do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) feito pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área perdida abrange 580,55 km², o equivalente a 58 mil campos de futebol.

    Os dados mostram que o desmatamento na região em abril cresceu 42% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram detectados alertas numa área de 407 km². O desmatamento é o pior abril já registrado nos últimos seis anos feito pelo Inpe. Trata-se também do segundo mês consecutivo de recordes históricos mensais, já que em março foram desmatados 368 quilômetros quadrados de floresta (12% a mais que em 2020).

     

    Gráfico mostra que este foi o pior mês de abril desde 2016
    Gráfico mostra que este foi o pior mês de abril desde 2016 | Foto: Divulgação/Flourish

    Outro monitoramento, feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), mostra também que a Amazônia sofreu um desmatamento recorde para o mês de abril. Segundo o instituto, a área desmatada atinge 778 km², o maior valor para um mês de abril registrado nos últimos dez anos no monitoramento do Instituto.

    O valor também é 45% maior que o desmatamento registrado em abril de 2020 pelo Instituto, quando 536 km² de Floresta Amazônica foram devastados. O desmatamento amazônico também bateu recorde histórico em março, quando o Imazon registrou 810 km² de floresta devastada.

     

    Gráfico mostra monitoramento de desmatamento (vermelho) e degradação (verde) dentro da Amazônia Legal
    Gráfico mostra monitoramento de desmatamento (vermelho) e degradação (verde) dentro da Amazônia Legal | Foto: Divulgação/Imazon

    No Brasil, as medições consideram sempre a temporada de agosto de um ano a julho do ano seguinte, precisamente pelas variações climáticas (considerando o ciclo completo de seca e chuva na Amazônia). 

      “Estamos preocupados, pois ainda faltam três meses ainda para o fim do período total que vai até julho. E nos últimos meses esse desmatamento tem sido maior do que no ano passado. Março já foi maior, abril também, vamos ver maio agora”, destacou Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima.  


    Segundo a pesquisadora do Imazon, Larissa Amorim, o relatório mensal fornecido pelo instituto oferece dados tanto de desmatamento quanto de degradação florestal, por isso o Instituto calculou uma área desmatada maior do que a apresentada pelo Inpe. “Os dois sistemas geram alertas mensais de desmatamento e de degradação florestal, porém as metodologias são diferentes”, explica.

    Ambientalistas que conversaram com o EM TEMPO, manifestaram-se sobre os novos recordes, apontando a inconsistência do discurso do presidente Jair Bolsonaro (que na Cúpula do Clima prometeu combater o desmatamento) com os números que mostram a realidade da destruição florestal no país nos últimos meses.

    Uma semana antes do seu pronunciamento diante do mundo, Bolsonaro publicou, pela primeira vez no seu mandato, uma meta de redução do desmatamento na Amazônia: o governo disse que pretende reduzir o desmatamento até o fim de 2022, aos níveis da média registrada entre 2016 e 2020. Segundo as organizações ambientais, isso significaria um desmatamento de 8.700 quilômetros quadrados por ano, número muito superior aos registrados quando Bolsonaro assumiu a presidência (em 2019, desmatamento estava em 7.500 quilômetros quadrados por ano).

      “A apresentação, em geral, falou de conquistas e da agenda ambiental brasileira, que vem de décadas. Só que o que nós vemos dele é uma desconstrução dessa agenda ambiental no Brasil. Eu vendo o discurso, entendo como uma mudança radical, mas é difícil saber se essa mudança do discurso vai repercutir nas práticas gerais do seu governo”, contou Carlos Durigan ao EM TEMPO.  


    Para a socioambientalista Muriel Saragoussi, o desmatamento da Amazônia precisa ser tratado como prioridade pelo atual governo. "O desmatamento da Amazônia está atingindo patamares históricas. É preciso agir o mais depressa possível, pois o que está acontecendo é realmente muito preocupante". 

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