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    Meio ambiente


    Temporada de seca começa com recorde de queimadas na Amazônia

    Relatório do Inpe aponta que queimadas registradas em maio de 2021 é 49% maior se comparada ao mesmo mês do ano passado

    Dados do Inpe mostram que em maio de 2021 foram registrados 2.679 focos de fogo na floresta amazônica | Foto: Divulgação

    MANAUS - Em 2021, a temporada de seca mal começou e as notícias não são boas: em maio, o número de focos de incêndios na Amazônia já é o maior desde 2007, ultrapassando inclusive maio do ano passado, quando foi registrado o maior recorde de queimadas em uma década, chamando a atenção da imprensa internacional. Nos maiores biomas brasileiros, as queimadas começam a se intensificar ao longo do mês de junho e chegam ao auge em agosto e setembro.

    Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que em maio de 2021 foram registrados 2.679 focos de fogo na floresta amazônica. Em 2020, no mesmo mês, foram 1.798 registros. A média histórica para o mês é de 1.991 focos. O recorde para maio ocorreu em 2004, quando houve 5.155 pontos.

     

    Números de queimadas nos meses de maio nos últimos 20 anos.
    Números de queimadas nos meses de maio nos últimos 20 anos. | Foto: Em Tempo

    Os dados acendem um alerta sobre o tema já que no mês de maio, todos os anos, é observado um maior número de queimadas, e que normalmente diminuem entre os meses de setembro e outubro. Além disso, a Amazônia enfrenta também recordes de desmatamentos há três meses consecutivos.

    Em março, o Deter (Sistema de levantamento rápido de alertas de evidências de alteração da cobertura florestal na Amazônia) detectou 911 focos de incêndio, uma perda de 367 km² de floresta. O número equivale a um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2020, tornando-se a maior área da série histórica para o mês. O ano de 2021 também teve o pior abril da série histórica, com alertas para 986 focos de incêndio e a perda de uma área de 580,55 km². Maio foi marcado por 2610 focos de incêndio e a perda de uma área de 1.180 km²

    Números preocupam ambientalistas

    No maior bioma brasileiro, as queimadas começam a se intensificar ao longo do mês de junho e chegam ao auge em agosto e setembro. Especialistas alertam que os números de focos serão maiores que o mês de maio. Até o dia 24 de junho, o monitoramento do Inpe já registra mais de 3 mil focos de incêndio.

    O ambientalista e analista ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Daniel Nava, destaca que a partir de junho, as chuvas diminuem na Amazônia Legal, e, por consequência, as queimadas se alastram ainda mais.

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    O dado é preocupante porque o mês de maio marca o início da estação seca, quando a devastação se intensifica, em grande parte da região amazônica "

    Daniel Nava, Ambientalista

     

    O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, explica que as queimadas têm relação direta com o desmatamento e além da estação seca, o material combustível no solo e a existência do fósforo são os principais fatores que levam as queimadas. “O fósforo é gerado na grande maioria das vezes por atividades criminosas e essas atividades não estão recebendo a fiscalização devida com o objetivo de evita-la”.

    Para Mariana Napolitano, gerente de Ciências da ONG WWF-Brasil, as queimadas trazem consigo outras preocupações além da preservação.

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    Um dos problemas das queimadas é também que elas estão associadas a um aumento de doenças respiratórias e com a sobrecarga dos sistemas de saúde com a pandemia de covid-19 tudo pode piorar "

    Mariana Napolitano, Gerente de Ciências da WWF

     

    O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que é responsável pelo gerenciamento da atuação governamental perante eventuais desastres naturais ocorridos em território brasileiro, já emitiu também um alerta sobre o aumento das queimadas nos próximos meses. Segundo o órgão, mais de 5 mil km² de floresta podem ser destruídos pelas chamas até o final do ano.

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