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    Inclusão, cidadania e igualdade: o digital como arma para o cidadão

    Redes sociais, apps empreendedores e informações personalizadas dão acesso a novas oportunidades

    Crianças manauenses desenvolvem ferramentas enfocadas em robótica para resolver problemas humanitários
    Crianças manauenses desenvolvem ferramentas enfocadas em robótica para resolver problemas humanitários | Foto: Marcio Melo/Em Tempo

    Manaus - A tecnologia digital tem potencial para marcar a vida de alguém para sempre. Conseguir o primeiro emprego depois de um post nas redes sociais ou ter um tradutor simultâneo de Libras para Português, em uma aula com surdos, são apenas alguns exemplos. Para especialistas, o ser humano conheceu um novo jeito de viver, que é atualizado rapidamente. 

    Aplicativos que promovem a cidadania e inclusão no chamado ciberambiente (rede de computadores mundiais conectados) capacitam o cidadão a ser participante das tomadas de decisões importantes. O app "Mudamos" é um modelo disso. Existente desde 2014, ele permite que brasileiros deem sugestões de Projetos de Lei (PL) à Câmara dos Deputados, por meio de assinaturas eletrônicas.

    O projeto é encabeçado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-RJ) na proposta de redirecionar a democracia nos plenários nacionais. Desde a Constituição de 1988 é permitido que cidadãos assinem PLs, mas, por causa das despesas de logística, a atividade se focou somente em parlamentares.

    Nas últimas eleições, a quantidade de ferramentas que filtravam as informações básicas de políticos e siglas para facilitar as pesquisas do eleitor foi uma tendência. A partir daí agências de fact-checking (checagem de notícias) também se popularizaram contra a propagação de notícias falsas. O cenário das minorias somado aos programas automatizados resultam em casos extraordinários de integração.

    Aplicativos em celulares ajudam a extensão da democracia
    Aplicativos em celulares ajudam a extensão da democracia | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

    Criativa, original e procurando um estágio

    A jornalista Ann Kath, de 27 anos, contou que conseguiu ser reconhecida no mercado de trabalho depois de uma postagem em seu Facebook. Ainda nos primeiros períodos da faculdade, ela procurava por um estágio, mas preferiu não mandar o currículo pelos meios tradicionais.

    "Se eu fosse distribuir meu currículo, iria ser como qualquer outro. Pensei que poderia fazer isso ou uma coisa diferente de todo mundo. Depois que publiquei um GIF mostrando minhas habilidades, vários diretores de redação me procuraram e disseram que quando tivesse vaga, iriam me chamar", lembrou.

    Contratada por uma revista local, Ann também foi chamada por um portal de notícias para ser comentarista de política - local que trabalha atualmente. A jornalista ainda diz que sabia do poder da internet e aproveitou para consolidar seu alcance e construir a imagem de carreira.

    Depois de fazer uma imagem animada pedindo emprego, a jornalista Ann Kath chamou atenção de diversos chefes de redação
    Depois de fazer uma imagem animada pedindo emprego, a jornalista Ann Kath chamou atenção de diversos chefes de redação | Foto: Reprodução

    "Criei um blog e sou conhecida especialmente por ser ativista política. Acredito que dou voz para as pessoas, por meio das relações digitais. É uma ponte entre as pessoas que não tem fácil atenção das autoridades. Costumo dizer que a internet tem poder para eleger um presidente. Se usarmos isso de forma certa, podemos mudar muita coisa", completou.

    A maioria das pessoas não sabe desse poder, inclusive. Desconhecendo a possibilidade de sugerir um PL. Por isso, a reportagem foi às ruas e perguntou: "Se você pudesse sugerir um Projeto de Lei, qual seria?". As respostas incluíram, principalmente, as áreas de educação e transporte público.

    Cidadãos opinam sobre como iriam sugerir um Projeto de Lei | Autor: Robson Adriano/Imagens e Ítala Lima/Edição

    Percursos mais profundos apontam um tipo de casamento entre a tecnologia e o cotidiano das pessoas. O doutor em design estratégico pela Universidade de Kyushu, Sylker Teles, desenvolveu uma startup com aplicativos que permitem a educação contextual.

    "A nossa proposta é trazer o que há mais inovador na interação humano-máquina para resolver problemas da nossa gente, como a educação", explicou. O app "Matemagos" é um jogo em RPG, em que o aluno interpreta um personagem e precisa resolver operações aritméticas para avançar nas fases.

    Ele será implantado em 2019 nas escolas públicas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), conforme destacou Teles, em um modelo exclusivo para os estudantes. Outro app usado na startup é o "Olha o Bicho!", que simula a visita de animais típicos da região em sala de aula, com o uso da realidade aumentada.

    Escolas de programação em Manaus abrem espaço para a capacitação desde cedo
    Escolas de programação em Manaus abrem espaço para a capacitação desde cedo | Foto: Marcio Melo/Em Tempo

    Crianças e empresárias 

    A escola de programação Manaós Tech é voltada para crianças e adolescente com idades entre seis a 16 anos e se concentra nos ensinos de programação, robótica e empreendedorismo. Como objetivo principal, o diretor, Glauco Aguiar, falou que a intenção não é somente desenvolver produtos, mas resolver problemas humanitários.

    "A ideia nasceu para diminuir um problema de capacitação na nossa empresa de softwares, pois tínhamos dificuldade em achar pessoas habilitadas. Decidimos investir na educação de base para crianças e atualmente possuímos casos de sucesso entre nós. O app do Museu da Amazônia permite que a visita ao local seja mais interativa. Já o aplicativo que traduz simultaneamente do inglês para o português chamou atenção de outros Estados.

    O app que traduz simultaneamente dois idiomas chamou atenção de uma escola para surdos em São Paulo
    O app que traduz simultaneamente dois idiomas chamou atenção de uma escola para surdos em São Paulo | Foto: Marcio Melo/Em Tempo

    Uma escola pública de deficientes auditivos em São Paulo decidiu conhecer a ferramenta e tentar adaptar o software para a tradução da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) para o português.

    A aluna Klicia Antero, de 13 anos, desenvolveu sete projetos e pretende ampliar a igualdade social em seus produtos. "Aumentar a inclusão das meninas na informática e a acessibilidade para deficientes, por exemplo, são algumas das minhas metas", comentou.

    O engenheiro da computação Vitor Bremgartner disse que as principais melhorias que a tecnologia traz cada vez mais à sociedade é a redução de desigualdades e desperdícios de recursos. A diminuição do papel, a educação à distância, o advento dos bitcoins representam uma evolução na história do homem.

    "O principal direcionamento é ampliar o acesso à pessoa isolada do processo de urbanização, como os interiores do Amazonas. Um forte lado da indústria tecnológica são as várias opções de entretenimento, mas o desafio é ampliar a comunicação para além desse sentido. É difícil prever o futuro, existem tendências fortes como a análise de grande volume de dados aliados à personalização de conteúdo. Isso faz parte do fortalecimento da inteligência artificial", concluiu.

    O futuro da tecnologia digital, aponta especialista, é a inclusão e interação entre humanos máquinas cada vez mais profunda
    O futuro da tecnologia digital, aponta especialista, é a inclusão e interação entre humanos máquinas cada vez mais profunda | Foto: Marcio Melo/Em Tempo

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